JURA EM PROSA E VERSO

TUDO SOBRE...

TUDO SOBRE... BRUXAS E BRUXARIAS

A Origem Da Bruxaria

***SOCIEDADE MATRIFOCAL***

"Falar em origem da Bruxaria é o mesmo que retornar ao inicio da humanidade, quando os seres humanos começaram a despertar a sua percepção para os mistérios da vida e da natureza.

Como afirmam a maioria dos antropólogos, o ser humano habita este planeta há mais de 2 milhões de anos. Mais de 3 quartos deste tempo a nossa espécie passou nas culturas de coleta e caça aos pequenos animais. Nessas sociedades não havia necessidade de força física para sobreviver, e nelas as mulheres possuíam um lugar central.

As mais antigas obras de arte que representam figuras humanas são de mulheres,mães. Datando de 35.000 a 10.000 anos antes da era cristã, e descobertas pôr toda a Europa e na África, essas estatuetas de "Vênus",chamadas assim pêlos arqueólogos, mostram a plenitude de formas da maternidade e a maturidade da natureza feminina.

Desde os tempos neolíticos, a prática da Bruxaria sempre girou em torno de rituais simbólicos que estimulam a imaginação e alteram a consciência. A primeira demonstração de arte devocional foram as Madonas Negras, encontradas em cavernas do período Neolítico, então as deusas da fertilidade foram os primeiros objetos de adoração dos povos primitivos. Assim, rituais de caça, experiências visionárias e cerimônias de cura sempre tiveram lugar no fértil contexto dos símbolos e metáforas de cada cultura. Vale a pena ressaltar que nos vários sítios paleolíticos associados a imagem da Deusa foram encontrados entre eles, Laussel, Angles-sur, Cogul, La Magdaleine e Malta, só para citar alguns.

No período neolítico, Catal Hüyük é um dos primeiros e mais claramente sítios matriarcais (cerca de 6.500 - 5.700 a.C) escavados. Os vários santuários decorados com figuras da deusa-mãe e seu filho-amante não fornecem dados que apontem para o sacrifício humano ou animal, não há altares, fossas para sangue e depósitos secretos para os ossos. Nem tampouco os templos da Deusa em Marta e na Sardenha, as galerias escavadas e os círculos de pedras dos construtores megalíticos ou os sítios de Creta, apresentam qualquer evidência de que seres humanos foram em qualquer época, ritualmente assassinados. Onde o sacrifício humano é visto claramente - por exemplo, nos túmulos sagrados da cidade suméria de Ur, onde cortejos inteiros acompanhavam o rei para a morte - ele está associado a cultura já vinculada ao patriarcado.

Nas cavernas também foram encontradas milhares de desenhos, dentre estes desenhos muitos mostram os homens caçando, e as sua presas já mortas. Com isto supomos que uma certa magia também ali já era aplicada, com a intenção de aprisionar nas paredes das cavernas a alma do animal a ser caçado, fazendo com isto que a caça fosse mais fácil.

Assim, inúmeras provas arqueológicas, históricas e antropológicas, estátuas de deusas, costumes funerários, pinturas rupestres de mulheres dando à luz, o recém nascido ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical, tudo isto nos faz crer que os nossos ancestrais entenderam a íntima conexão entre o Poder Feminino e o Poder da Terra. Mais a frente, outros povos que dependiam da caça para sobreviver, originaram o culto ao Deus dos Animais e da fertilidade, também conhecido como Deus Cornífero. Os chifres sempre representaram a fertilidade, coragem e todos os atributos positivos da energia masculina, representando também a ligação com as energias cósmicas. A mulher era a fonte da vida, os ciclos decorrentes da mulher era a fonte da vida. O grande mito do eterno retorno era o mito repetidamente interpretado no ciclo vital de todas as mulheres, em cada gravidez que produzia uma nova vida humana, e na misteriosa hemorragia que ocorria com cada lua e parava quando o ventre retinha seu sangue e ficava cada vez mais cheio, como a lua crescente. Ao identificarem tão estreitamente a mulher com a Terra, e a Terra com poderes divinos, os nossos ancestrais consideraram razoável supor que o poder divino que presidia à criação era feminino. Assim a Velha Religião, com sua forte perspectiva matrifocal ou matricentral como queiram, era uma religião de êxtase, pôr isso nos parece que as experiências de êxtase religioso eram a norma para as culturas pré-cristãs. E assim devem ter sido em religiões que se centravam na experiência da mulher.

Há cerca de 100 séculos antes de Cristo, os povos se organizavam em sociedades centradas na figura da mulher, cujas características principais eram a ausência de fortificações militares e de armas, - as que existiam eram pequenas e usadas somente para defesa - a ausência de guerras organizadas e de estrutura política burocrática. Nessas sociedades, as famílias eram extensas, semelhantes a clãs, governadas pôr mães e não havia escravos. Os laços de sangue, linhagem, parentesco e direito de propriedade eram transmitidos através das mães.

Nos grupos matricêntricos, as formas de associação entre homens e mulheres não incluíam nem a transmissão do poder nem da herança, por isso a liberdade em termos sexuais era maior. Por outro lado como já dissemos, não existia guerra, pois não havia pressão populacional pela conquista de novos territórios.

Refletindo a sociedade, os sistemas religiosos primitivos também eram centrados na figura de Deusas-Mãe que simbolizavam a fertilidade do solo, dos animais e dos seres humanos. As divindades femininas presidiam ainda a variadas atividades comuns àquelas sociedades. Como exemplo, podemos citar a deusa Asherah, "Senhora da Marcenaria e da Carpintaria" da antiga mitologia da região de Canaã. Essas sociedades centradas na mulher eram pacíficas, tolerantes, sustentadoras da vida, baseadas na confiança, nelas, o comportamento violento e destrutivo era desencorajado. Foram as mulheres dessas sociedades que inventaram a agricultura, a cestaria, a cerâmica, a olaria, a metalurgia, as técnicas de processamento, armazenagem e preservação de víveres, eram ainda as guardiãs do fogo, as ervanárias e farmacologistas e as curandeiras oficiais e primeiras médicas. A atividade masculina se restringia à caça, cuja base é a imitação e observação silenciosas.

Provavelmente, foram as mulheres que criaram a linguagem, propiciando assim terreno para o desenvolvimento e aprimoramento da inteligência. Nesses grupos, a mulher era considerada um ser sagrado, porque podia dar a vida e, portanto, ajudar a fertilidade da terra e dos animais. Nesses grupos, o princípio masculino e o feminino governavam o mundo juntos. Havia divisão de trabalho entre os sexos, mas não havia desigualdade. A vida corria mansa e paradisíaca.

Os antropólogos também observaram que nesses tempos remotos, o papel masculino na concepção não era compreendido. Isso somente veio a acontecer em torno dos anos 5.000 a 3.000 antes da Era Cristã. Como a mulher não fica grávida em todo ato sexual, e só vem saber que está grávida depois de dias ou semanas, a conexão entre atividade sexual com machos e concepção não era óbvia. Por muitos séculos e séculos o homem, inocentemente, pensou que a mulher engravidasse dos deuses. Na verdade os homens se sentiam marginalizados nesse processo e invejavam as mulheres. Essa primitiva "inveja do útero", dos homens é a antepassada da moderna "inveja do pênis" que sentem as mulheres nas culturas patriarcais mais recentes.

Ao contrário da mulher, que possuía o "poder biológico", o homem foi desenvolvendo o "poder cultural" à medida que a tecnologia foi avançando. Enquanto as sociedades eram de coleta, as mulheres mantinham uma espécie de poder, mas diferente das culturas patriarcais. Essas culturas primitivas tinham de ser cooperativas, para poder sobreviver em condições hostis, e portanto não havia centralização, mas rodízio de lideranças, e as relações entre homens e mulheres eram mais fluidas do que nas futuras sociedades patriarcais.

Na sociedade de Creta as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio. Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia."

INFLUENCIA CELTA

Como você viu no texto anterior, presumimos que a Wicca tenha surgido no período Neolítico, em várias regiões da Europa, onde hoje se localiza a Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, indo até o Sudoeste da Itália e a região da Britãnia na França.

Quando os Celtas invadiram a Europa,quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca. Na Antigüidade, a Irlanda foi ocupada pelos Celtas, vindos do continente, os quais sobrepujaram os habitantes pré-históricos, estabelecendo assim, ordem na ilha e impondo a religião e a língua. Em toda a Irlanda, os monolitos, os dólmas e as pedras esculpidas testemunham a existência da antiga religião druídica, sendo que o idioma gaélico permaneceu como língua nacional.

Com a rápida expansão do povo celta, a religião druídica foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celta, é importante lembrarmos que a Bruxaria é anterior a eles. Mas este povo foi o mantedor da tradição.

O Panteão Celta, isto é, o conjunto de Deuses e Deusas dessa cultura é hoje o mais utilizado nos rituais Wicca, embora possamos trabalhar com qualquer panteão, desde que conheçamos o simbolismo correto, e não misturemos os panteões num mesmo ritual.

A sociedade Celta era Matrifocal (o nome e os bens da família eram passadas de mãe para filha). Homens e mulheres tinham os mesmos direitos, sendo a mulher respeitada como Sacerdotisa, mãe, esposa e guerreira, participando das lutas ao lado dos homens.

Os Celtas foram um povo, cuja origem se situa na Europa Central, embora parte da mais numerosa saga de invasão indo-européia. Durante os 600 anos seguintes, os celtas chegaram a Portugal, Espanha, França, Suíça, Grã-Bretanha e Irlanda, e também tão longe como a Grécia e a Galácia.

Nas sociedades célticas, as monarquias hereditárias eram matrilineares. Chefes do sexo masculino eram eleitos temporariamente. As mulheres serviam como advogadas, juízas, filósofas, médicas e poetas. Rapazes e moças estudavam juntos em academias, os professores eram usualmente mulheres. As mulheres detinham o equilíbrio de poder nos conselhos tribais e não era raro comandarem exércitos no campo de batalha. De fato, o treinamento apropriado de guerreiros do sexo masculino incluía a instrução por guerreiras famosas da época, cujas reputações heróicas tinham sido adquiridas por seu valor e por sua bravura. As mulheres celtas não eram fracas ou baixas. Descrições indicam que, fisicamente, muitas delas eram da mesma estatura e compleição dos homens.

As mulheres celtas podiam herdar propriedades e títulos que lhes correspondiam, uma mulher podia celebrar contratos legais independente do marido, podiam comparecer em juízo e instaurar processos contra homens, uma mulher podia escolher o seu marido ( a maioria dos povos circunvizinhos permitia unicamente que o homem escolhesse uma esposa), as mulheres não se tornavam legalmente parte da família do marido, maridos e mulheres gozavam de status igual no casamento, os casamentos tinham duração de um ano, quando podiam ser renovados se houvesse mútuo consentimento, o divórcio requeria também a concordância de ambas as partes, as filhas herdavam em igualdade de condições com os filhos varões. Uma mulher divorciada retinha suas propriedades , mas o dote, o qual, no sistema legal Brehon, era requerido tanto do marido como da mulher ( consistia usualmente em bois, cavalos, escudos, lanças e espadas). A esposa também podia exigir de um terço à metade da riqueza do marido.

O sexo não era encarado em rígidos termos moralistas, uma mulher não era "culpada" de adultério se tivesse relações sexuais extraconjugais. Mais tarde a igreja cristã combateu essas leis e muitos outros costumes célticos referentes às mulheres, sobretudo o direito ao divórcio, a herdar propriedades, portar armas e a exercer a profissão médica.

No continente foram vencidos pelos Romanos, continuando contudo a manter certos traços fundamentais da sua cultura, mas nas Ilhas Britânicas a invasão romana parou na Muralha de Hadriano, mantendo os Celtas, em especial na Irlanda, toda a sua autonomia e herança cultural. É pois na Irlanda e no País de Gales que ainda hoje podemos ir em busca do pensamento e religião de nossos antepassados Celtas. Muita da informação que até hoje nos chegou vem de escritores romanos como Estrabão e César, que apesar de não serem fontes isentas nos transmitem algumas idéias acerca da sociedade céltica.

Assim, ficamos a saber que os Druidas Gauleses ensinavam aos guerreiros que a morte não era mais que uma passagem, e pôr isso os celtas, apesar de excelentes metalúrgicos (dos primeiros a dominar o ferro) e portanto bem armados se aventuravam nus ou quase, para os campos de batalha, apenas com as suas pinturas azuladas e numa dança furiosa (o que os romanos chamavam de furor galicus). Na Irlanda, cria-se que, depois de morto, se ia para "Tir na nog" ( A Terra da Juventude), onde nada envelhecia e onde era sempre primavera. De fato não se encontra nos Celtas vestígios do pecado ou do mal, a não ser enquanto conduta que prejudicava o interesse de outrem.

Os Deuses dos Celtas são muitos e não sofreram o processo de racionalização que sofreram os panteões Grego, Romano e Nórdico. Assim, não existe a tradicional rigidez de casais de Deuses com seus respectivos filhos. É muitas vezes difícil estabelecer ligação entre Deuses, devido a essa ligação não ser óbvia ou aparente.

Em todo o caso, consegue-se aperceber as ligações existentes entre os Deuses dos Celtas Irlandeses, Gauleses e Continentais, pois apesar dos nomes divergirem, há uma série de princípios mitológicos e arquétipos psicológicos que se repetem consistentemente, sendo pôr isso possível falar numa Civilização Céltica, sem esquecer das diferenças regionais existentes.

Vemos, portanto, que na Irlanda existe um relato acerca da povoação da Ilha que é a mais consistente informação escrita, e também a mais extensa, acerca da vida social dos Celtas mas também da sua visão religiosa do mundo e do Universo. Através do Lebor Gabala (o Livro das Invasões) ficamos a saber que vagas sucessivas - Fir Bolg, Filhos de Mil - acabam por guerrear com os Tuatha De Dannan (O Povo da Deusa Danu) estabelecendo os Milesianos com eles um acordo: a superfície povoam-na eles, enquanto os Tuatah De Dannan vão para o subsolo e serão adorados como Deuses. Assim acontece, e são erigidos menires e outros monumentos ao Tautha De Dannan, onde figuram Danu, A Deusa-Mãe, Nuada-O-Braço de-Prata, Dagda o-Deus-Bom, Lugh O-do-Braço-Longo e muitos outros, A concepção dos Gaélicos (Celtas Irlandeses) do Mundo é quadripartida, com as quatro direções unidas por um centro mágico.

No País-de-Gales as lendas de Ceridwen e Taliesin são as mais conhecidas, pois o Caldeirão de Ceridwen da Inspiração e Ressurreição são idéias fundamentais das lendas galesas, mas as Crônicas do Rei Artur, apesar de terem sido cristianizadas, têm um fundo bem assente nas lendas e raízes dos Celtas.

O Neo-Druidismo, que reapareceu durante o movimento Romântico do Século XVIII, foi durante muito tempo patriarcal e com fortes ligações à Maçonaria, ao contrário da Wicca, que conserva muito das idéias, Deuses e simbologia dos Antigos Celtas, foi uma via aceita pelo sistema, pois não era pagã - na verdade, a maior parte dos membros eram cristãos.

Durante o ressurgimento neo-pagão dos anos 50, onde a Wicca foi a vanguarda, muitos grupos neo-druídicos começaram a afirmar-se como pagãos e seguidores dos Antigos Caminhos.

Existem várias Ordens Druídicas, sendo a Ordem do Bardos, Ovates e Druídas (OBOD), sediada na Inglaterra, uma das mais conhecidas internacionalmente.

Em resumo pudemos verificar que os celtas eram, na verdade, um conglomerado de indivíduos de origens diversas, reunidos numa civilização única, sobre um território que se estendia da atual Boêmia à Irlanda. Toda a sociedade celta era estruturada a partir de sua religião, não no sentido restrito que o termo possui para nós atualmente, mas no sentido de cosmovisão. Era uma sociedade desenvolvida e com uma literatura própria, que embora não fosse escrita, era cantada e declamada, fazendo parte dos ensinamentos dos poetas e poetisas que compunham a classe religiosa.

A sociedade celta sempre reservou à mulher um lugar de honra, e nos melhores momentos irlandeses - épicos ou mitológicos - lá onde o paganismo se manteve mais forte, ela aparece como poetisa encarregada das profecias e mágicas. Era livre, dona de seu destino. Mas, com a romanização e a cristianização, foi transformada em bruxa, sendo-lhe imputados todos os aspectos inferiores da magia.

Pertencia, porém, em um certo tempo, à uma sociedade de transição entre o matriarcado - onde a mulher era vista por sua função criadora, como um ser mágico, uma divindade - e o patriarcado - onde o homem, ciente de sua participação ativa no ato da fecundação, passa de inferior ou igual à superior à mulher.

A romanização que atingiu a Gália e parte da Grã-Bretanha e a cristianização que dominou os territórios celtas, além de promoverem o desaparecimento do druidismo, também fizeram com que a função que a mulher exercia na classe religiosa se perdesse para a história. Os textos que falam sobre os celtas, vale ressaltar, só foram compilados após a cristianização, época em que a mulher já havia perdido quase todo o seu prestígio.

Se foi o pagão celta que o cristianismo pretendeu salvar, podemos perceber o quanto a mulher perdeu com isso, e como a condição feminina se deteriorou em todos os planos. Como se não bastasse a anulação total da mulher no plano jurídico, pelo direito romano, o cristianismo, no plano social, impediu as mulheres de exercerem funções elevadas e, no plano cultural, transformou a antiga fada, a mãe divina e sábia, a sedutora, em figura perigosa.

INVASÕES ROMANAS

Quando os Celtas invadiram a Europa, quase mil anos antes de Cristo, trouxeram suas próprias crenças, que ao se misturarem às crenças da população local, originaram o sistema que deu nascimento à Wicca.

Com a rápida expansão do povo celta, a religião druídica foi levada para regiões onde se encontram Portugal, Espanha e Turquia. Embora a Wicca tenha se firmado entre os Celta, é importante lembrarmos que a Bruxaria é anterior a eles. Mas este povo foi o mantenedor da tradição, assim é importante que conheçamos pelo menos, o rudimento de seu pensamento e cultura. Na antiguidade, a Irlanda foi ocupada pelos Celtas, vindos do continente, os quais sobrepujaram os habitantes pré-históricos, estabelecendo ordem na ilha, e impondo a religião e a língua. O culto da Grande - Mãe e do Deus Cornífero predominaram nas regiões da Europa dominadas pelos Celtas (que adotaram vários aspectos da Antiga Religião, incorporando-os aos mistérios druidas); até a chegada dos romanos, que praticamente dizimaram as tribos Celtas.

Porém podemos ressaltar aqui que a Irlanda não conheceu a conquista romana: somente no século V d.C. São Patrício, vindo de Gales, levou à ilha, com a religião cristã, também a civilização européia: igrejas e mosteiros surgiram, desde então, em toda parte do país, e floresceram por muitos séculos. No século VIII, a Irlanda foi ocupada pelos Dinamarqueses e depois, no século XII, Henrique II da Inglaterra invadiu a Ilha e dividiu as terras entre os seus barões.

QUEM ERAM OS DRUIDAS?

Os druidas, até onde o sabemos, eram sacerdotes celtas que possuíam poderes paranormais, eram adeptos das artes mágicas e que lançavam mão de seus feitiços e encantamentos para apaziguar os deuses, controlar os elementais da natureza e promover a fertilidade. Eles conheciam bem a astrologia, a medicina e a psicologia. Acreditavam na indestrutibilidade da matéria, na imortalidade da alma e na metempsicose (reencarnação).

Nenhum aspecto da vida social, política, intelectual e religiosa dos antigos celtas excluía a presença e os ensinamentos druidas. Os druidas eram o centro da sociedade celta. Detinham todos os poderes e segredos desta. Eram o elo em torno do qual se articulavam os fatos e os gestos destes povos pouco conhecidos até hoje e que foram denominados celtas.

Nenhum povo europeu possuiu tão arraigado sentimento de imortalidade, justiça e liberdade, como os gauleses. Por longo tempo foram considerados bárbaros, injustamente. Como eram conhecidos apenas por intermédio de escritores romanos e cristãos, era interessante desacreditarem tal povo, desfigurando-lhes a crença. César foi um deles. Em "Comentários" cometeu erros propositados, e deliberadamente narrou inexatidões ao descrevê-los, com clara intenção de exaltar-se ante a posteridade. Os cristãos os viam como sanguinários e violentos, e encontravam em seus cultos unicamente práticas grosseiras.

Realmente, não podemos negar que a princípio, usavam sacrifício humano. Este, todavia, na maior parte decorria de execuções judiciárias. Os druidas, juizes e executores ofereciam aos sentenciados em holocausto aos deuses. Cinco anos separavam a sentença da execução da mesma. Em períodos de calamidade, vítimas voluntárias se ofereciam à expiação.

No tempo dos Césares, esta prática que tanto denegriu sua imagem, já havia sido extinta, enquanto nos dias de hoje, muitos países civilizados adotam ainda a pena de morte.

Apesar do preconceito dos cristãos, Lucano, em Farsálias, revela terem sido os gauleses depositários dos mistérios da vida e da morte. É desconhecido o fundador da religião druídica e o autor dos Livros Sagrados, as Tríades.

Os principais sacerdotes e sacerdotisas dos celtas eram os druidas. A palavra druida é derivada do grego dryad, um "espírito da natureza" ou ainda "ninfa do carvalho". O saber druídico era ensinado oralmente e, por conseguinte, não existem relatos escritos de seus ensinamentos, mas investigações.

Embora a religião gálica seja conhecida por druidismo, e nos dicionários conste o termo druida como seu sacerdote, a instituição dos druidas não se constituía em corpo sacerdotal. Esse título equivalia ao de sábio.

Alguns, sob a denominação de Eubage, presidiam as cerimônias religiosas. A maioria entretanto, dedicavam-se à educação dos jovens, a práticas políticas e judiciais, ao estudo das ciências e das letras. Segundo a doutrina contida nas Tríades:

"Há três Unidades Primitivas: Deus, a Luz e a Liberdade.

Três Unidades de Deus: Ser Infinito em Si Mesmo; Ser Finito para com o Finito; e estar em relação com cada estado das existências no círculo dos mundos". Eis a Trindade Divina. Explicava ainda, que a alma gera-se no seio do abismo - anoufn - onde reveste as formas rudimentares de vida e só adquire consciência e alcança a liberdade depois de permanecer por muito tempo imersa em instintos primários.

Pelo ensinamento das Tríades, cantado por Taliesino, parece não haver nessa religião a crença na origem divina da alma. Tampouco encontra-se qualquer referência ao descanso vibratório, vez que reportam-se ao nascimento do espírito já no plano material. Os druidas acreditam em reencarnação baseados em fontes clássicas, "....A alma dos homens é imortal, e depois de um definitivo número de anos ele vive uma segunda vida quando a alma passa para outro corpo". A principal doutrina que eles buscam ensinar é que a alma não morre, mas depois passa para outro corpo.

A ascensão evolutiva de reino a reino e posterior aprimoramento do ser humano até a angelitude, no entanto, mostram-se iguais as demais religiões.

Os druidas pregavam que em sua longa peregrinação, a alma percorre três círculos, que correspondem a três estados sucessivos. No afinou, onde se origina, período mais primitivo, imersa na matéria, sofre o jugo da animalidade. Em seguida penetra no abred, círculo das migrações que povoam os mundos das experiências e dos sofrimentos, quando mais depurada, completa seu aprendizado em diversos orbes. A Terra é um deles e a alma nela reencarna muitas vezes. A custa de incessante luta liberta-se das influências materiais, livrando-se da roda das encarnações. Continua sua jornada em Gwynfyd, círculo dos mundos venturosos ou da felicidade, completamente despojada de anseios e sentimentos terrenos. Além dessas duas regiões, encontra-se o Ceugat, círculo do Infinito, morada da Essência Divina, que engloba todos os outros.

A doutrina druídica confere grande importância à recordação de vidas anteriores. Condiciona a conquista da plenitude ao pleno desabrochar do Amor e do Saber, como nas demais religiões. Ensina ainda, não ser o homem joguete da fatalidade, nem gozar de favoritismo, explicando que cada um prepara e edifica o próprio destino.

Eis a Lei do Carma com todas as suas conseqüências e implicações. Pelos ensinamentos das Tríades constata-se que apesar do objetivo do ser humano ser a Perfeição para unir-se a Deus, não representa, como em outras religiões, o retorno à origem, mas tão só uma jornada que conduz ao Ser Supremo. É apenas o final de uma partida e não a viagem de regresso. Conforme Lucano em Farsálias: " As almas não se sepultam nos sombrios reinos do Erebo (inferno), mas voam a animar outros corpos em novos mundos. A morte não é senão o termo de uma vida; daí seu heroísmo no meio de sangrentos combates, e o seu desprezo pela morte."

Os gauleses consideravam os despojos dos guerreiros simples invólucros gastos, e como tal, indignos de atenção. Por isso os abandonavam insepultos nos campos de batalha, para grande surpresa de seus inimigos. Tal atitude, considerada bárbara pelos romanos, que desconheciam suas crenças e a maneira como encaravam a morte: como simples emigração. Possuíam tanta convicção de voltarem a viver nos mundos que turbilhonam pelo infinito que emprestavam dinheiro para ser pago em encarnação futura.

Essa doutrina viril conferia-lhes coragem, tanto que os fazia caminhar para o campo de batalhas com completo desprezo pelo fim que os aguardava, com total desapego da vida física. Lutavam de peito nu e achavam covardia proteger-se com couraças ou usar de artimanhas guerreiras. Por entenderem sabiamente a morte, não a temiam. A comemoração dos mortos é de iniciativa gaulesa. No dia correspondente hoje ao 1º de novembro, celebravam a festa dos espíritos, não nos cemitérios, pois não davam qualquer valor ao corpo físico, mas em cada lar, onde os bardos e os videntes evocavam as almas de seus mortos queridos. Fora o "Livro Sagrado", nenhum outro ensinamento foi escrito, para não ser desvirtuado ou materializado por imagens. Transmitiam-no oralmente aos iniciados para que o guardassem de memória, e aos bardos para que os preservassem em seus cânticos. Utilizavam-se de todos os recursos extra-sensoriais como forma de auxílio na vida cotidiana. As druidesas proferiam oráculos, os magos utilizavam-se da magia e os médiuns e videntes correspondiam-se com os espíritos, através de suas faculdades paranormais.

Eis aqui alguns princípios básicos da filosofia druídica:

Em primeira linha, a unidade de Deus. O Deus dos Celtas tinha pôr templo o infinito dos espaços, ou as guaridas misteriosas dos grandes bosques e era, acima de tudo, força, vida, amor. Os mundos que marchetam as regiões etéreas são as estações das almas, na ascensão para o bem, através de vidas sempre renascentes, vidas cada vez mais belas e felizes, segundo os méritos adquiridos. Íntima comunhão une os vivos da Terra aos defuntos invisíveis, mas presentes. Este preceito enriquece o espírito de superiores noções sobre o progresso e a liberdade. Graças a ele, o Celta introduziu no mundo o gosto pelo ideal, coisa que jamais conheceu o Romano, amante das realidades positivas.

O Celta é inclinado às noções nobres e generosas. Da guerra, aprecia a glória, não o proveito. Pratica a abnegação, despreza o medo e desafia a morte.

Possuíam deidades próprias, não de modo politeísta, mas como entidades de diversos graus evolutivos, prepostos de um Deus único, que os ajudavam quando a elas recorriam. Teutatés, Esus e Gwyon representavam a força, a luz e o espírito, no panteão gaélico, mas acima deles pairava a Unidade do Deus Supremo.

Realizavam os rituais em céu aberto: clareiras, florestas, ou junto a penedias. Amavam e cultuavam a natureza, da qual se utilizavam para simbolizar os Princípios Divinos, razão de terem sido julgados animistas por muito tempo. Erguiam seus altares com pedras brutas, considerando que a pedra lapidada seria profanada por ter contato com o homem.

Nenhum objeto feito pela mão humana adornava seus santuários. O carvalho representava Deus, Eterna Fonte de Vida; o visco que nele crescia, (sem no entanto com ele se confundir), figurava o espírito imortal do homem.

Acreditavam ser as charnecas e bosques povoados de seres imateriais e almas errantes, à procura de novas encarnações. Chamavam-os de Duz e Korrigans.

Infelizmente com a conquista romana da Gália e da Bretanha - onde também vicejava essa religião - e posterior difusão do cristianismo, os mistérios druídicos foram degenerando, quase nada restando deles, na Europa, ao irromper da Idade Média. O druidismo como pudemos ver engendrou uma sociedade subversiva através de sua força e poderes espirituais. Foi e ainda é considerada, como uma das mais ricas manifestações espirituais do Ocidente. Deixou seus legados nas artes, ciência, filosofia e religião. Mas infelizmente formavam uma organização religiosa e social que não pôde sobreviver à conquista estrangeira e à cristianização.

Os celtas, e conseqüentemente o druidismo, não tinham necessidade de uma unidade política, porque possuíam uma unidade religiosa e lingüística, bem como uma consciência de origem comum. Porém, apenas isto não bastou para vencer os conquistadores. Também como percebemos o druidismo, desapareceu apenas como instituição, mas sobreviveram seus ensinamentos, a sua mentalidade, o seu pensamento e as suas crenças. Ainda vive em nós o gosto druídico pela aventura, pelo desconhecido que, incluindo o risco sob todas as formas, impulsiona o homem a ir sempre diante.

O druidismo sobreviveu refugiado nas florestas e continuou sendo praticado e, pela tradição oral foi, transmitido de geração em geração.

Pode ser a mais pura fantasia que povoa as nossas mentes... porém, só isto já nos mostra que esta é uma chama que ainda não se apagou. A feitiçaria européia parece ter herdado muitas tradições da época dos druidas. A principal delas é, provavelmente, a crença no poder dos círculos mágicos, como receptáculos capazes de captar energias sobrenaturais, a exemplo daquelas usadas nas operações de percepção intra-sensorial.

Tanto os druidas como os feiticeiros europeus acreditavam na reencarnação, reconheciam a importância dos círculos de pedra como centros de força espiritual e celebravam, durante o ano, quatro grandes Sabás, conhecidos como a "Grande Roda do Ano" ou a "Mandala da Natureza".

Investigações contemporâneas sugerem a existência de uma linha virtualmente ininterrupta de práticas mágicas desde os primitivos mistérios driádicos e manifestando-se finalmente nos esconjuros e sortilégios daquelas que mais tarde viriam a ser chamadas "feiticeiras" ou "Bruxas".

As sacerdotisas druidas da Grã- Bretanha estavam divididas em três classes. A classe mais alta vivia em regime de celibato em conventos. Essas irmandades alimentavam as fogueiras sagradas da Deusa e foram assimiladas na era-cristã como monjas. As outras duas classes podiam casar e viver nos templos ou com os maridos e famílias. Eram servas acolhidas nos ritos sagrados da Deusa. Com o advento do cristianismo, foram chamadas "Bruxas".

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As Bruxas...

Você saberia indentificar uma delas?

Quem eram e quem são as Bruxas de hoje?

As Bruxas eram e ainda são mulheres sábias.

Agora existe uma pequena Feiticeira em cada mulher.

As Bruxas conheciam tudo sobre flores e ervas,sabiam como usar todas as raízes e sementes.

Quando as pessoas ficavam exaustas de tanto trabalho,elas faziam com que se sentissem melhor, de várias maneiras.

Quando as mulheres tinham filhos, eram as Bruxas que estavam lá, para ajudá-las e segurá-las, e dar-lhes carinho.

As Bruxas conheciam histórias sobre o começo da vida.

Você desejaria ser um delas?

Bem, talvez seja possível!

Alguns pensavam que as Bruxas eram más,outros temiam o seu poder.

O poder de ajudar, de sarar e curar

Ser Bruxa é não temer nada...

e ao mesmo tempo compartilhar tudo...

"Ser uma Bruxa é ter a Força dos Céus,

A Luz do Sol

O Brilho da Lua

O Resplendor do Fogo

A Presteza do Vento

A Profundidade do Mar

A Estabilidade da Terra e a Firmeza de uma Rocha."

Descobrindo-se Bruxa

"A manifestação da Deusa... envolve a criação de um novo espaço, no qual as mulheres são livres para serem o que são... Seu centro é o limite das instituições patriarcais... seu centro é a vida das mulheres que começam a se libertar rumo à totalidade. O ingresso em um novo espaço... também envolve entrar em um novo tempo... o centro do novo tempo está no limite do tempo patriarcal... é a nossa vida. É qualquer momento que estejamos vivendo fora de nossa sensação de realidade, recusando-nos a sermos possuídas, dominadas e alienadas pelo sistema patriarcal de tempo linear, delimitado e quantitativo." Mary Daly

Uma Bruxa não se torna Bruxa de uma hora para outra, ela nasce Bruxa. Assim, partindo deste princípio de que somos Bruxas desde que nascemos, com o passar dos anos e o desenvolvimento de nossa capacidade intelectual e emocional é comum se iniciar as experiências mágicas ou seja, o recebimento de conhecimentos não acessíveis às outras pessoas através dos canais normais de informação. Infelizmente estes conhecimentos por muitas vezes confundem e excitam as crianças e adolescentes, pois na maioria das vezes quando somos crianças ouvimos dos nossos pais e professores, a reprovação da magia. Com o nosso desejo de agradá-los aceitamos sua visão de mundo, segundo os quais os poderes mágicos são errados, perigosos ou simplesmente inexistentes.

Geralmente as experiências mágicas na infância e adolescência se dividem em quatro categorias: cura de outras pessoas com ervas; fórmulas mágicas e toques; estados alterados de consciência e comunicação com espíritos.

Porém algumas crianças são afortunadas e nasceram em famílias onde as aptidões psíquicas são entendidas, aceitas ou até encorajadas. Quando têm experiências "estranhas", seus pais tranqüilizam-nas, assegurando-lhes que nada há de errado nelas, estas crianças aprendem a esperar tranqüilamente o inesperado e a não limitar seus conhecimentos ao que lhes é passado através dos cinco sentidos.

Assim, desde a nossa infância muitos talentos considerados diferentes, se perdem com o passar dos anos. Muitas crianças conseguiram reter em suas vidas estas experiências e de uma forma ou de outra as desenvolveram ainda mais com o passar dos anos; enquanto que outras crianças as perderam...

Muitas Bruxas modernas remontam seus primeiros encontros com a magia, quando sua inocência e capacidade de maravilhar-se eram comparáveis às dos nossos mais primitivos ancestrais. De fato, mesmo quando reconhecida mais tarde, a magia, enche-nos de uma sensação de temor e espanto quando irrompe em nossas vidas. Porém nós Bruxas nunca nos esquecemos da verdade básica acerca da criação: a Terra e todas as coisas vivas compartilham da mesma força vital, tudo é composto de Inteligência Divina. Sabemos que a vida é toda ela uma teia de seres interligados, e estamos entrelaçados nela como irmãs e irmãos do Todo. Se fizermos um exercício de memória, e tentarmos nos lembrar da nossa infância com mais detalhes, com certeza virá a nossa mente alguma experiência mágica. Por exemplo: Provavelmente lembraremos de um incidente em que soubemos alguma coisa que os outros ignoravam.

Uma ocasião em que o conhecimento veio espontaneamente e intuitivamente.

Talvez tenha lido o pensamento de alguém.

Sabido o que tinha no interior de um presente.

Desejado algo inverossímil que logo se concretizou.

Pode ter sentido um forte parentesco com a natureza.

Um vínculo forte com animais e plantas.

Pode ter visto espíritos, fadas ou gnomos, ou pode até mesmo tê-los escutado durante a noite.

Pode ter sentido um certo poder que lhe chega dos astros.

Sonhos Mágicos, nos quais poderiam estar presentes, gnomos fadas, Deus,etc.

Estas são apenas algumas descrições, dentre muitas outras que podem ter acontecido.

Sabem... essa é uma das perguntas que mais ouço: "Como poderei me tornar Bruxa?", "Como poderei saber se eu tenho o dom?".

A reposta é um tanto difícil... Não que seja algo complicado, mas ás vezes a maneira de responder pode se tornar um tanto antipática e desanimadora aos que estão começando. Então tentarei ser bem sutil, certo?

Quando nós começamos a nos interessar mais pela Wicca, normalmente é porque trazemos dentro de nós o dom; que até aquele determinado momento estava dormindo e que a partir de então começou a ser despertado.

Partiremos do antigo ditado: " O que é, já nasce feito". A maioria das pessoas descobre a Arte (ou esta as descobre) no momento de suas vidas em que mais necessitam dela. Outras sentem-se convocadas, como se durante muito tempo respondessem a um chamamento. Sentem-se conduzidas, algum poder ou força maior do que elas penetra em suas vidas e lhes abre inúmeras janelas. Uma voz chama; elas sentem-se desafiadas a descobrir estados superiores de consciência, os quais estão acima e são mais profundos do que as normas sociais e culturais em que foram criadas e cresceram. Isso a muitas, não é perceptível de início, pois passou anos e anos sendo inconscientemente reprimido.

Agora, se você acha que a Wicca combina com sua maneira de ser, se quer realmente seguir em frente, então estude muito e pratique bastante. A verdade é: Você nunca irá "se tornar" Bruxa. Isso não é possível. Você irá apenas aprender a trabalhar seu dom. Irá também aprender a vivenciar sua condição de Bruxa!

Existe um outro ditado entre nós que diz: "Uma vez Bruxa, sempre Bruxa". Então não se preocupe! Se você realmente tiver o dom, ele irá crescer sem que se perceba, e quando finalmente notar terá a certeza: Sou uma escolhida da Deusa!

Você é uma Bruxa desde o nascimento, mesmo não sabendo disto! Até que um dia, a Deusa sussurra nos seus ouvidos algumas lembranças perdidas no tempo, algumas vontades e conhecimentos esquecidos e assim lhe convida novamente a participar da "Dança Cósmica das Bruxas".

Vou tentar explicar melhor: O Homem, é um ser complexo e dinâmico. Existe e atua como uma unidade em todas as suas dimensões, pessoal, social, cósmica e transcendental, e em todas as áreas, psíquica, física e psicofísica.

Na Dimensão Pessoal ele descobre a sua individualidade exclusiva, suas potencialidades em meio a muitos outros e variados seres, e se conhece como uma personalidade marcada por fatores genéticos, familiares, educacionais, culturais , sociais e religiosos, situado numa circunstância espaço-tempo que não mais se repetirá.

Na Dimensão Social, o ser humano descobre a sua inserção num contexto, em presença de outras individualidades ou personalidades, é um estímulo para o desenvolvimento de relacionamentos enriquecedores.

Na Dimensão Cósmica, a sua existência neste tempo e espaço é um Convite da Deusa a agir de acordo com suas idéias e a deixar o seu sinal pessoal como marca de sua passagem. Depois de aceito este convite ,em uma determinada etapa de sua evolução o Homem se abre ainda para uma realidade que transcende sua dimensão pessoal, social e cósmica, e que o encantará...É a transcendental. Este Homem dimensional atua em várias áreas, psíquica, física e psicofísica, recorrendo a faculdades normais, extranormais e paranormais. Fazendo, com que o Homem seja capaz de agir sobre o mundo exterior tanto através de sua força muscular como de outras forças que aprendera a manipulá-las com o passar do tempo.

Porém, devemos lembrar que a Deusa continuamente nos propõe desafios, mas sabendo que ela está dentro de nós, assim como ao nosso redor, encontramos força para enfrentá-los transformando o medo em poder interior, criando comunidades nas quais podemos crescer, lutar e mudar, chorar as nossas perdas e celebrar os nossos progressos, gerar os atos de amor e prazer que são os nossos rituais. Quando estes desafios acontecem não devemos achar que a Deusa se encontra adormecida e sim presente e renascendo, estendendo suas mãos para tocar-nos novamente. Quando a buscamos, esta revela-se a nós, nas pedras e no solo sob os nossos pés, nas cachoeiras espumantes e nas lagoas cristalinas, nas lágrimas e no riso, no êxtase da alegria e na tristeza, na coragem e na batalha comum, no vento e no fogo. Uma vez que nos permitimos mirar nos seus olhos abertos, não mais podemos perdê-la de vista. Ela nos fita no espelho e os seus passos ecoam cada vez que colocamos os nossos pés no chão. Tente fugir e ela lhe trará de volta. Você não pode ludibriá-la. Ela está em toda parte.

Portanto, não é por acaso que neste momento da história ela ressurge e nos estende as mãos. Por maiores que sejam os poderes da destruição, maiores, ainda, serão os poderes curativos da Deusa. Chame-a de Fortitude, pois ela é o círculo de nascimento, crescimento, morte e regeneração. Nós somos como células de seu corpo, se atendermos ao que há de mais íntimo em nossos corações, não só poderemos ajudar como servir aos ciclos de renovação. Se deixarmos, nossos sonhos e visões guiar-nos com certeza encontremos forças para concretizá-los.

Quando a Deusa-Mãe desperta podemos começar a recuperar o nosso direito inato e original, onde a alegria por estarmos vivos é simplesmente intoxicante. Podemos abrir nossos olhos e ver que não "há de que sermos salvos", nenhuma batalha de vida contra o universo, nenhum deus fora do mundo a ser temido e obedecido; somente a Deusa, a Mãe, a espiral em movimento que nos lança para dentro e para fora da existência, cujo olhar cintilante é o pulsar do ser ( nascimento, morte e renascimento); cujo riso borbulha e atravessa todas as coisas e que somente é encontrada através do amor: amor pelas árvores , pedras, céu e nuvens, flores perfumadas e ondas imensas; por tudo que corre e voa , nada e rasteja em sua face; através do amor por nós mesmos; do amor orgástico de criação do mundo e dissolução da vida pelo outro; cada um de nós único e natural como um floco de neve, cada um de nós a sua própria estrela, seu filho, seu amante, ela mesma...

É muito comum as pessoas sentirem a necessidade de dar uma virada nas suas vidas, elas sentem que algo as impulsiona para frente e para o alto, porém ao mesmo tempo se sentem confusas por onde começar o seu caminho de busca. Sentem que algo não está bem, e no seu íntimo sabem que precisam mudar algo em suas vidas. Porém a maioria das pessoas não descobrem por si mesmas, o destino traçado de suas próprias vidas, procurando assim na maioria das vezes "sábios" ou "gurus". Delegando assim a outras pessoas a responsabilidade de melhorar as suas próprias vidas.

Na verdade, todas as respostas de que necessitamos está dentro de nós mesmos, nisso consiste a busca. A busca é a senda da evolução, e é infinita, cada etapa concluída transforma-se na abertura de um novo ciclo. A busca é a ascensão consciente dessa senda pelo homem. É o fruto da constante pressão para evoluir, originada no âmago do seu ser. É eterna, pois a cada patamar abdica-se do grau de unificação alcançado para seguir rumo a novas ampliações. No decorrer da busca, o desenvolvimento da consciência vai sendo confirmado e aprofundado nas provas da vida diária. Se ocorrem quedas ou desvios, o indivíduo deve encontrar em seu interior o impulso que o erguerá e o reconduzirá.

A busca é uma espécie de sintonia, por isso devemos sintonizar a nossa alma com o Universo e com certeza, este mesmo nos mostrará o nosso verdadeiro caminho a seguir! A busca é expressão da lei do retorno, que leva todos os seres de volta à origem. Talvez nesta busca, vocês ouçam os chamados dos Deuses, e percebam que a Bruxaria é o sentido que faltava para vossas vidas. Porém para outras pessoas, talvez essa não seja a realidade e aí, outros horizontes tão maravilhosos quanto à Bruxaria com certeza se abrirão.

Assim a certa altura da trajetória, busca e buscador fundem-se em uma realidade maior e, então, a busca deixa de existir assim como é compreendida em suas etapas iniciais; permanece um movimento ascensional, unificado, da consciência individual e do cosmos.

Principios Da Bruxaria

Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da Lua e aos feriados sazonais.

Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a nosso meio-ambiente. Buscamos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito evolucionário.

Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito maior que é aparente a uma pessoa normal. Por ser tão maior é às vezes chamado de "sobrenatural", mas nós o vemos como algo naturalmente potencial a todos.

Nós vemos o Poder Criativo do Universo como algo que se manifesta através da Polaridade - como masculino e feminino - e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós, funcionando através da interação das mesmas polaridades masculina e feminina. Não valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade como prazer, como o símbolo e incorporação da Vida, e como uma das fontes de energias usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.

Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos - às vezes conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. - e vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercício mágico. Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambas como necessárias para nossa realização.

Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que corajosamente deram de si em liderança. Nós vemos religião, magia e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o mundo e vive nele - uma visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como Bruxaria ou o Caminho Wiccaniano.

Chamar-se "Bruxo" não faz um Bruxo - assim como a hereditariedade, ou a coleção de títulos, graus e iniciações. Um Bruxo busca controlar as forças interiores, que tornam a vida possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a Natureza.

Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida, em uma continuação de evolução e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao Universo que conhecemos, e a nosso papel pessoal dentro do mesmo.

Nossa única animosidade acerca da Cristandade, ou de qualquer outra religião ou filosofia, dá-se pelo fato de suas instituições terem clamado ser "o único verdadeiro e correto caminho", e lutado para negar liberdade a outros, e reprimido diferentes modos de prática religiosa e crenças.

Como Bruxos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro.

Como Bruxas sabemos que a Natureza tem perfeições, para mostrar que esta é a imagem dos Deuses, e defeitos para indicar que a mesma é somente a suas imagens.

Nós não aceitamos o conceito de "mal absoluto", nem adoramos qualquer entidade conhecida como "Satã" ou "o Demônio" como definido pela Tradição Cristã. Não buscamos poder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.

Trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.

A Feitiçaria não exige a pobreza, castidade ou obediência, mas ela também não é uma filosofia que "busca ser o número um". Ela desenvolveu-se a partir de uma sociedade de clãs entrelaçadas e fechada, onde os recursos eram divididos e a terra utilizada em comum. A Feitiçaria reconhece que somos todos interdependentes e até o mais ávido membro da "geração egotista" deve, por fim servir à força da vida, mesmo que apenas como fertilizante.

Na Arte, o sacrifício da nossa natureza ou individualidade jamais é exigido. Não há, na Bruxaria, conflito entre o espiritual e o material; não é necessário abrir mão de um para ter o outro. O espírito manifesta-se na matéria: a Deusa é vista como provendo-nos de abundância.

Em Feitiçaria todas as pessoas são percebidas como deuses manifestos e as diferenças de cor, raça e costumes são recebidos como diferente sinais da beleza infinita da Deusa.

Em Feitiçaria, "todos os atos de amor e prazer são rituais'. A sexualidade, como expressão direta da força vital, é percebida como sendo numinosa e sagrada. Ela pode se expressar livremente, desde que o princípio que a guie seja o amor.

A Bruxaria valoriza a vida, abordando-a com atitude de alegria e admiração, bem com senso de humor. A vida é vista como uma dádiva da Deusa. Se existe sofrimento, nossa tarefa não é a de nos resignarmos, mas trabalhar em prol de mudanças.

Nós Bruxas sabemos que todo dia é um dia especial. Cada um possui um ritmo, uma vibração, um código que pode ser acionado por quem entende e respeita a linguagem do mundo.

O amor pela vida em todas as suas formas é a ética fundamental da Feitiçaria. As Bruxas são obrigadas a honrar e a respeitar todas as coisas que têm vida, e de servir à força da vida. . Na Arte a vida jamais é destruída ou desperdiçada.

O equilíbrio na percepção entre planta/animal/humano/divino não é automático; ele deve ser constantemente renovado e esta é a verdadeira função dos rituais da Arte.

A Bruxaria inspira-se no ponto de vista de que todas as coisas são interdependentes e se inter-relacionam, e conseqüentemente, são mutuamente responsáveis. Sabemos que um ato que prejudica alguém causa dano a todos nós.

Como Bruxas, sabemos que tudo vem do invisível e para ele retorna.

As Bruxas obtém cada coisa de acordo com as suas emanações.

As Bruxas sabem que amando seu próximo como a si mesmo, seus poderes aumentam: assim poderá utilizá-los sem temores ou riscos.

Nem o tempo, nem o espaço competem na Bruxaria.

Não devemos agir nem sobre o passado, nem sobre o futuro, mas sobre o presente.

A Bruxa não crê: "Ela sabe que suas preces podem serão atendidas".

Ela viu ou sentiu a presença de Anjos ou dos Deuses e teve uma raridade de experiências pessoais reais . Enfim; esta sempre consciente de que é possível estabelecer contato direto entre ela e os poderes com que trabalha.

Não se deve proceder a nenhuma operação mágica quando existe um estado de agitação, impaciência, nervosismo ou cólera: a calma é uma necessidade essencial. A harmonia e a serenidade são as bases do sucesso. Felicidade, amor e alegria são as certezas disto.

Se as Bruxas pensarem de maneira positiva, seus pensamentos agirão por ela e lhe trarão, infalivelmente, tudo aquilo que ela solicitou em seu pensamento, e em sua imaginação.

O desejo constantemente cuidado e apurado, nutre, anima, adensa, intensifica e faz a imaginação dominar e triunfar.

Precisão, segurança, rapidez e eficácia, são os quatro pilares que dirigem o templo das Bruxas.

Todas as forças e poderes nascem no vazio, no qual todas as coisas devem, antes de mais nada, ser realizadas, antes de nascerem no tempo e no espaço.

Sabemos que cada coisa produz ou atrai seu semelhante.

Nada nasce sem matriz. Aquilo que quer, deve a Bruxa realizá-lo primeiro numa "forma" e deixar a natureza agir: está o encherá ! Porque o positivo só nasce do negativo, o cheio do vazio.

As Bruxas devem prestar o máximo de atenção às palavras que pronunciam. Peça somente aquilo que corresponde aos mistérios do Verbo, às secretas e fecundas conjugações do espírito, pois é na garganta que se unificam e consumam as vibrações suscetíveis de trazer frutos.

Se deseja ajudar alguém a se livrar de algum mal, não é preciso pensar no mal em si, mas, unicamente, em transmitir alegria, paz e saúde. Existe um meio infalível de proteção contra os eventuais "choques" de retorno: o de operar unicamente com a finalidade do bem.

Quando a Bruxa deseja uma coisa, deve acreditar já tê-la recebido e a obterá.

Lembre-se que as Bruxas são as únicas que submetem os Deuses as suas vontades. "Nada existe nas Bruxas que sua mão não conheça. Porque ela manipula as idéias, os pensamentos, os fluídos, as forças, os animais, os anjos, os Deuses e as coisas, da mesma maneira pela qual manipula a argila com os seus dedos, para dela fazer um vaso".

Prefira sempre alimentos naturais, evite carnes vermelhas, tome vitaminas e pratique algum esporte! Aulas de Artes Marciais ou Yoga são ótimas!

A divindade é imanente ou interna, bem como transcendente ou externa.

Isso é expresso com freqüência nas frases: "Tu és Deus e Tu és Deusa".

Isso pretende representar que os Deuses estão tanto no Universo, quanto dentro de cada um de nós. Nós somos manifestações dos Deuses. Platão disse: "A Magia verdadeira consiste no culto dos Deuses, e adquire-se mediante esse culto".

Temos como regra, o Amor e o respeito pela Natureza como algo divino.

Assim por direito próprio, fazemos da conscientização ecológica e dessa atividade uma obrigação religiosa.

As Bruxas tem a convicção de que o seres foram feitos para viver vidas repletas de Amor, alegria, prazer e humor. A concepção de "pecado original" inexiste para nós.

Lembre-se sempre que temos o direito de agir como bem quisermos, desde que isso não prejudique ninguém.

Devemos ter o conhecimento de que, com treinamento e intenção apropriadas, as mentes e os corações humanos são totalmente capazes de realizar a magia.

As Bruxas devem dar a máxima importância na conscientização e celebração dos ciclos Solar e Lunar e também de outros ciclos em nossas vidas.

Temos uma grande fé na capacidade das pessoas de resolverem seus próprios problemas e dificuldades.

As Bruxas tem um total compromisso com o crescimento, evolução e equilíbrio pessoal e universal. Espera-se que o pagão realize esforços intermitentes nessas direções.

Para as Bruxas todo o fim é um começo; isso é Lei. "Por onde entram, por ai devem sair".

Muitos Wiccans usam um ou mais nomes secretos (também conhecidos como nomes mágicos, ou nomes de iniciação) para significar o renascimento espiritual e uma nova vida dentro da Arte.

Os Wiccanianos não aceitam o conceito arbitrário do pecado original ou do mal absoluto, e não acreditam em céu ou inferno. Eles crêem que quando morremos, vamos à Terra de Verão (ou Terra da Juventude Eterna), onde recobramos nossas forças e nos tornarmos jovens novamente.

As Bruxas respeitam todas as religiões e acham que a pessoa deve ouvir o "chamado da Deusa" e desejar verdadeiramente, dentro de seu coração, sem qualquer influência externa ou proselitismo, seguir o caminho Wiccaniano.

Devemos nos lembrar que os Deuses são como os sonhos, quando não se acredita neles, eles deixam de existir.

Não se pode apontar a maioria das Bruxas pela maneira como se vestem ou por suas jóias. Pode-se reconhecê-las pela sua Magia.

Um dos segredos das Bruxas é dar nome a todos os seus objetos pessoais. Em magia acredita-se que quando nomeamos alguma coisa estamos na verdade lhe conferindo poder.

Ver o mundo com olhos de Bruxa , é ver muito além do físico e do real.

Para as Bruxas, o universo existe a partir de vibrações. Sua realidade é uma tela de mundos paralelos, penetráveis através de condições diferentes da consciência e cuja linguagem comum é o mito e a visão.

Para as Bruxas, todos os eventos se interligam, pois o "salto" de um mundo para outro só é possível na consciência viva de uma pessoa equilibrada. Todos os mundos paralelos se unem na consciência humana.

Para as Bruxas não é possível viver exclusivamente no plano espiritual, mais o maravilhoso é que não precisamos. Estamos sempre vivendo em ambos os planos. Nunca temos de abandonar o plano espiritual quando nos firmamos no plano material. As Bruxas acreditam quem em última análise, tudo é espírito ou energia.

As Bruxas tem um ditado: "Onde há medo, existe poder".

O Preço Da Liberdde Para As Bruxas

Em Feitiçaria, o "Preço da Liberdade" é acima de tudo, disciplina e responsabilidade. A visão da luz das estrelas (ou seja, o nosso dom natural) é um potencial inerente a cada um de nós, mas muito trabalho é necessário para desenvolvê-la e treiná-la. Poderes e habilidades adquiridos através de uma percepção mais aguçada também devem ser utilizados de maneira responsável, caso contrário eles destruirão os seus possuidores.

Aqueles que desejam libertar-se também devem estar dispostos a se afastarem ligeiramente dos ditames da sociedade, se necessário for (como por exemplo: o consumismo exagerado e as grandes concentrações de pessoas). Mas o preço da liberdade é a disposição de encarar a mais assustadora de todas as coisas " Nós mesmos"!.

Instrumentos Magicos

Os instrumentos da Wicca tem a sua origem perdida no tempo pois os conhecimentos profundos que provêm do inconsciente nem sempre podem ser expressos em palavras; requerem freqüentemente a poesia, o canto e o ritual.

Muitos instrumentos fazem parte da Wicca, como o sino para abrir e fechar rituais, incensórios, castiçais e muitos objetos opcionais.

Muitos Covens tocam instrumentos musicais, isto mostra que devemos usar a nossa imaginação e a nossa intuição para prepararmos os nossos rituais. Eles são importantes focos de concentração e ferramentas para provocar alterações de consciência, mas é preciso que se saiba exatamente o seu significado para que sejam usados corretamente.

A tradição de usar utensílios domésticos como instrumentos rituais remonta a Era das Fogueiras, quando as Bruxas podiam ser perseguidas por ter instrumentos mágicos em casa. Foi então necessário escondermos as nossas ferramentas de trabalho mágico camuflando-as entre objetos domésticos ou simplesmente usando esses objetos. Por exemplo um pau de vassoura servia, assim, como cetro ou vara mágica.

Embora os instrumentos possam dar um toque de beleza e alegria aos rituais, uma verdadeira Bruxa jamais deve ficar dependente deles, porque: Uma verdadeira Bruxa se faz com a mente e com o coração. Na verdade os instrumentos físicos que utilizamos em Feitiçaria, são os representantes palpáveis das forças invisíveis. A mente trabalha a magia e nenhuma faca cuidadosamente forjada ou um bastão elegante pode fazer mais que o poder de uma mente bem treinada. Os instrumentos simplesmente auxiliam na comunicação com o self mais jovem, que responde muito melhor a coisas perceptíveis do que abstratas.

Existem duas escolas de pensamento básicas na Arte: a escola de cerimonial mágico e a escola da "cozinha mágica". Normalmente os cerimonialistas são puristas, que consideram que instrumentos mágicos jamais devem ser manuseados por terceiros ou utilizados para quaisquer propósitos que não os do ritual. objetos podem tornar-se reservatórios de poder psíquico, o qual pode ser desperdiçado, por exemplo, cortando uma fruta com sua athame. Bruxas da cozinha mágica, por outro lado, sentem que a Deusa manifesta-se tanto em tarefas comuns como em círculos mágicos. Quando se corta uma fruta com a athame, consagra-se a fruta e uma tarefa doméstica, torna-se uma tarefa agradável. Qualquer que seja a escola que siga, é considerado desrespeitoso manusear os instrumentos de outra Bruxa sem pedir permissão.

Ferramentas podem ser compradas, feitas a mão por vocês, dadas como presentes ou encontradas em circunstâncias, às vezes pouco comuns...como dádivas da Mãe Natureza!

O conhecimento que uma Bruxa tem de si mesma, da natureza, do poder divino que transcende o próprio cosmo pode expressar-se melhor através do mito, símbolos, rituais, dramas e cerimônias. Diz-nos Jung que a estrutura da mente resulta da interação de energias arquétipicos que só podem ser conhecidas em imagens e símbolos, e que os sentidos captam em rituais e eventos numerosos. E assim verificamos que, desde os tempos mais remotos, homens e mulheres virtuosos de todas as culturas criaram práticas ricas em símbolos e metáforas que a mente inconsciente reconhece e entende intuitivamente: tambores, gemas, penas, conchas, varas de condão, taças, caldeirões, ferramentas sagradas e vestimentas feitas de plantas sagradas, animais e metais repletos de poder. São estas as imagens que revelam os padrões de conhecimento que estão subjacentes no universo físico. São essas as imagens que nos conduzem ao poder secreto que se oculta no centro das coisas, incluindo os nossos próprios corações. Com estes ritos e imagens podemos, como dizem as Bruxas "Puxar a Lua para baixo".

A Mãe Natureza jamais negará algo aos filhos que souberem como pedir, pois as Bruxas estão ligadas ao universo de um modo especial e o "Todo" sabe do que necessitamos. Assim somos propensas a deixar que os instrumentos venham até nós!

O Altar

Toda Bruxa tem um altar em algum lugar de sua casa, onde são colocados um pentáculo, velas, pedras sagradas, um cetro, um athame, incenso e turíbulo, bem como outros objetos sagrados e pessoais. Muitas Bruxas usam um toucador ou cômoda para ser seu altar principal, e o espelho de qualquer desses móveis torna-se o espelho mágico da Bruxa. Embora o ideal seja ter um altar especial, por vezes num quarto reservado apenas para o ritual, a maioria das Bruxas não dispõe de espaço. Mas qualquer lugar que designe para ser um espaço sagrado assim o será.

O altar, é um lugar de eleição para a divindade: a cada estada, o deus encontra ali a emanação das oferendas. Aos que contatam planos de pura vibração espiritual é dado conhecer a essência do fogo transformador, da energia de libertação que, como um vórtice centrifugo, remove de sua consciência tudo o que não tem afinidade com o caminho que começam a vislumbrar. É este campo de vibração espiritual o altar onde a sagrada cerimônia de reencontro com a verdade interior se realiza.

Sempre que possível, uma bruxa deve ter seu altar, que deverá ser o seu ponto de ligação com os Deuses. Não precisa ser nada complicado ou luxuoso. O altar mudará sua aparência com a mudança das estações, como veremos na Roda do Ano. Em seu altar pode estar qualquer coisa que você deseja, qualquer coisa!

Alguns altares estão fora, alguns estão dentro. Alguns são limpos e ordenados, enquanto outros são bagunçados como qualquer coisa ao redor deles, por isso tome cuidado e lembre-se o seu altar é o símbolo da morada dos Deuses! Abuse da sua criatividade, pois o altar é o seu espaço pessoal, onde deve ser colocado todo o seu amor.

Se por algum motivo, você não puder montar um Altar onde você mora, crie um espaço na sua imaginação, pois o verdadeiro templo está dentro de você, ou vá para a natureza e faça dela o mais lindo de todos os santuários....

Montando O Altar

Se possível, colocar o altar de modo que, quando estamos de pé em frente dele e de frente para ele, nos situemos também de frente para o norte, a direção do mistério e da constância. Algumas Bruxas preferem ficar voltadas para o leste, o lugar da nova luz, do frescor, do renascimento e dos começos. Seja qual for a direção escolhida, cumpre conhecer os poderes e significados que ela contém. É importante firmarmo-nos geograficamente pelo modo como o altar esta posicionado ou construído.

Quer seja redondo, quadrado, retangular, o altar está no centro das quatro direções e cada direção deve estar nele representada.

Todos os elementos e espíritos permanecem em cada direção geograficamente, e as estações do ano e as horas do dia ocorrem também em cada quartel. Lembre-se que tanto num nível subatômico quanto num estado místico de consciência, tempo e espaço não existem conforme os conhecemos; o altar do círculo mágico situa-se fora de tempo e espaço. O importante é que o altar de cada Bruxa consubstancie todos os quatro elementos e as energias espaço temporais que tem importância para ela ou para sua magia pessoal.

Um modo de representar os elementos no altar é com pedra ou óleo para a terra, uma vela para o fogo, incenso ou uma pena para o ar, e uma taça ou cálice de água, naturalmente para a água.

Coloque um pentáculo no altar para definir o centro. A ponta deve estar direcionada para cima, apontando o norte. Acima do pentáculo coloque um turíbulo para queimar incenso. Ponha uma vela preta à esquerda e uma vela branca à direita. O altar é um local de poder, um condutor ou circuito em contato com energias para dirigir energia. As Bruxas acreditam que a energia entra pela esquerda, e sai pela direita. Isso tanto é verdadeiro para o corpo humano quanto para um altar – a energia entra pela mão esquerda por exemplo, e sai pela mão direita. Uma vela preta atrai energia, tal como absorve em todas as cores da luz. Uma vela branca reflete todas as cores da energia luminosa e funcionará assim como um transmissor irradiando a energia oriunda do altar.

Pedras, ervas, cores e talismãs sobre o altar também devem refletir esse circuito básico esquerda e direita. Cada item corresponde aos fins para os quais estamos trabalhando. Carregue-os para captar ou emitir energia e coloque-os para a esquerda ou para a direita do altar. Por exemplo: se está trabalhando um sortilégio para progredir em sua carreira ou conseguir um melhor emprego, poderá carregar lápis-lazúli, canela ou cravo-da-índia para este fim e colocá-lo do lado esquerdo. Esses ingredientes estão associados a Júpiter, o planeta que rege carreiras e empregos. Do lado direito estaria turquesa ou ametista, carregadas para enviar o seu sortilégio através do mundo onde a energia cumprirá suas ordens.

Colocar itens de proteção de cada lado do altar, como coral negro ou sal marinho. A necessidade de proteção em torno de uma altar é freqüentemente mal interpretada. Não estamos preocupadas com monstros ou demônios que tentem interferir na nossa magia. A magia nunca é realizada num estado de medo, mas alegremente e com uma sensação de prodígio. Pelo contrário, protegemos o nosso trabalho de energias e forças que possam ser conflitantes com nossas intenções, como as influências astrológicas que não estão em sincronia com nosso sortilégio ou outros trabalhos de magia em curso na área cujo propósito divirja do nosso. Por vezes, nós próprias trazemos estados de ânimo ou intenções contrárias (usualmente na forma de distrações mentais) para o nosso círculo ou altar, e usamos itens de proteção para neutralizar também suas influências.

Consagrando O Altar

Primeiro ache o lugar onde você deseja montar o altar. Este lugar não deve ser perturbado, porque assumirá energias sagradas e santas, e você não vai querer que nada de mal aconteça nessa área. Use um pouco de música meditacional se tiver.

Lembre-se, quanto mais energia e trabalho você investir em seu altar, mais energia mágica obterá.

Você pode usar um sino de energia ou sino do Tibet, até mesmo para significar que você está começando a chamar esses guias espirituais para o ajudarem com seu atual trabalho. Ação é a chave!

Se concentre: Uma vez escolhido o lugar, ilumine e começa a clarear o ar ao redor do altar. Constantemente, mantenha Amor e Luz em sua consciência. Agora, invoque aos quatro elementos e peça a presença deles.

Use uma bússola se precisar achar as direções formais na terra: Norte (terra); Sul (Fogo); Leste(Ar); Oeste(Água); Ao redor(Espírito). Também é comum se colocarem símbolos para os quatro elementos, como uma pena para o ar, uma planta para a terra, uma vela vermelha ou enxofre para o fogo, e, logicamente água para esse mesmo elemento.

Peça também a presença e ajuda do Deus e da Deusa, para que eles protejam e o auxiliem em seus rituais. Muitas pessoas colocam um símbolo para a Deusa e o Deus, como uma concha e um chifre, ou mesmo estátuas e gravuras dos Deuses ou até mesmo flores (o Copo-de-Leite para a Deusa e o Girassol para o Deus). Você pode usar também se quiser, duas velas de sete dias para representar a presença do Deus e Deusa em sua vida. Negra para Deus e Branca para Deusa.

Peça as suas benções e ajuda. Logo, comece a montar o altar e coloque o que você desejar com suavidade e reverência sobre o altar e use o Ritual de Consagração se você precisar consagrar qualquer ferramenta.

Assim, você tem que manter este lugar sagrado, honrado ao Deus e Deusa. Uma vez montado o seu altar, passe alguns momentos meditando e descobrindo o que ele significa para você. Agora, permita que o altar se encha de energia e magia.

Sinta a mágica ao seu redor, inspire o Amor e a Luz do Deus e da Deusa. Envie vibrações positivas a outros, alguém que você sequer conhece. Envie vibrações curativas.

Quando você terminar sua dedicação e a consagração do seu altar, soe o sino uma vez mais e agradeça a todos os elementos por sua presença e ajuda. Os mande de volta para seu domicílio sem prejudicar ninguém. Agora, agradeça o Deus e a Deusa pela presença deles em sua vida. Respire profundamente e repita: "Assim seja!"