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TUDO SOBRE CIRURGIA DE MAMA

Precisa mexer mesmo no tamanho original dos seus peitos?

Você acha que isso vai deixar você realmente mais feliz? A gente não é contra a vaidade nem contra cirurgia plástica, só nos preocupa a obsessão pela felicidade mamária, que não deveria estar diretamente ligada ao tamanho. Para esta edição, chamamos 12 garotas que fotografaram os próprios peitos e dão seu depoimento sobre a polêmica

Mudar o visual e ficar mais bonita é bom. Trocar a cor do cabelo, mexer um pouco no corte, fazer um make mais carregadinho ou colocar um pouco de peito...

Se a última opção passou batida, só prova que existe uma certa banalização de um processo cirúrgico relativamente simples, certamente seguro, mas, ainda assim, um processo cirúrgico. Entrar na faca tem riscos. Envolve muita dor e demanda total comprometimento ao longo do processo do pós-operatório para que a coisa toda dê certo. Está pensando em colocar silicone? Ou tem apenas curiosidade para saber o que está envolvido nesse processo? Elaboramos uma lista bem completa sobre tudo o que se deve levar em conta antes de decidir, ou não, pela operação. Todas temos o direito de pagar pela beleza, que, a gente bem sabe, nem sempre vem da fábrica, e os recursos estão cada vez mais desenvolvidos. Mas devemos fazê-lo com consciência e muito cuidado, afinal nosso corpo é um só.

Anestesia

Pode ser geral ou local, com sedação, suficiente para não ver a cirurgia. A escolha fica por conta do médico e da paciente. A geral é mais segura porque a paciente já está preparada para uma eventual emergência.

Benefícios

Resolver uma insatisfação puramente psicológica com a aparência. O tamanho da mama não interfere em sua função biológica, amamentar. Se a interessada tiver conflitos emocionais mais complexos, ficará eternamente insatisfeita.

Cicatriz

Há três locais possíveis: bem sob a mama (sulco inframamário), na axila ou na aréola (bico). Os cirurgiões preferem sob a mama ou na aréola, mas a escolha é discutida com a paciente. A cicatriz mais discreta é na axila porque não marca a mama. Via aréola também deixa marca quase imperceptível, mas o risco de perda de sensibilidade é maior. Os cortes têm de três a cinco centímetros. Se há muita pele e a prótese não preenche o espaço, deve-se retirar, o que pode deixar uma cicatriz mais extensa.

Dor

Ela aparece firme e forte assim que a mulher acorda. Se a paciente tem mama pequena e a pele é muito justa, a distensão provocada pela colocação da prótese pode aumentar a dor. A colocação sob o músculo gera dor mais forte e persistente. Com os dias, o músculo relaxa, o organismo se adapta à prótese e a dor diminui. A sensibilidade à dor varia para cada mulher. A dor é maior quando a prótese é colocada pela axila.

Época

Sempre na idade adulta. A prótese de silicone deve ser colocada em mulheres que não pretendem engravidar logo porque a mama muda durante a amamentação: aumenta e chega a sofrer alteração na forma. Adolescentes não devem fazer a cirurgia.

Formatos

Há quatro formatos de próteses: perfil alto (pontudo), é a mais comum, atende a maioria das mulheres. Perfil baixo, mais adequada para quem tem tórax mais largo. Em gota (perfil anatômico) ou perfil natural (uma gota mais arredondada). Os dois últimos formatos deixam a cirurgia mais evidente. A escolha do formato considera as medidas do tórax e a base da mama da paciente.

Glândula mamária

É a parte da mama responsável pela produção do leite. Como a prótese fica sempre atrás dela, não há nenhum prejuízo em amamentar usando silicone.

Hospital

O estabelecimento deve ser aprovado pelo Ministério da Saúde. A cirurgia só é indicada em clínicas que tiverem permissão oficial. O ambiente deve contar com equipamento de suporte à anestesia geral e aparelhagem adequada e vistoriada para atender a eventuais emergências

Investimentos

A prótese de silicone importada dos EUA sai por cerca de 2000 reais. Marcas brasileiras custam em torno de 1,9 mil reais. Uma cirurgia pode chegar a 10 mil reais. A internação varia de acordo com o estabelecimento. O Albert Einstein e o Sírio-Libanês, ambos de São Paulo, cobram 3000 reais. Na Santa Casa da Misericórdia (da PUC-RJ), chefiada por Ivo Pintaguy, o procedimento inclui prótese, equipe e internação e custa 5000 reais.

Juventude

A prótese só pode ser colocada em mulheres que atingiram a maturidade da mama, o que acontece por volta dos 18 anos. Não há idade preestabelecida.

K

Vitamina que ajuda a cicatrização. Não deve ser usada sem consultar o médico.

Localização

Quando a prótese de silicone foi lançada, era colocada por cima do músculo peitoral. Uma nova opção, sob o músculo, surgiu como proposta para resolver um problema recorrente: o encapsulamento. O organismo detecta o corpo estranho, a prótese, e para se defender cria uma cápsula de colágeno em torno dela. Isso faz com que a prótese endureça. O método submuscular promoveria uma “massagem natural” na prótese e evitaria o problema. Sem comprovação científica, o método foi abandonado e só é usado se a pele da mama for muito fina e deixar aparecer irregularidades, como dobras da prótese.

Médico

O profissional deve ter formação em cirurgia plástica e ser especialista reconhecido pelo Conselho Regional de Medicina (órgão que regulamenta a atuação dos médicos, subordinado ao Ministério da Saúde) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Também é bom levar em conta a questão da disponibilidade: consultas mais longas proporcionam conhecimento mais detalhado da expectativa da paciente, o que ajuda a evitar eventuais frustrações. O acompanhamento pós-operatório também é importante. Certifique-se de que o médico tem tempo para isso. O médico pode e deve se recusar a realizar a cirurgia, se perceber um comprometimento psicológico mais grave de sua paciente.

Neoplasia (câncer)

Não há comprovação científica de que a prótese provoque câncer, mas nos EUA o silicone continua proibido. Alguns radiologistas orientam a colocação da prótese atrás do músculo peitoral para melhorar a qualidade da mamografia, mas não há consenso sobre isso. A mamografia ainda é o exame mais adequado para diagnosticar câncer de mama. A ressonância magnética ajuda na detecção e, nesse exame, a posição da prótese não interfere. Como a prótese sempre fica atrás da glândula, a palpação médica de rotina ou o auto-exame, sempre recomendáveis para detecção de nódulos, não sofrem prejuízo.

Operação

É uma cirurgia de médio porte, com duração que varia de 50 minutos a duas horas e meia (em geral, dura uma hora), dependendo do médico e do caso. É possível voltar para casa no mesmo dia. Nunca banalize uma operação porque cada organismo e cada pessoa reage de um jeito ao processo, que, apesar de seguro, é invasivo. Desde que realizada em ambiente adequado, tem risco considerado baixo.

Pré-operatório

Alguns exames de praxe são pedidos antes de qualquer operação, como os de sangue. Quem tem menos de 30 anos deve fazer ultra-sonografia, e quem já passou dessa idade, mamografia para detectar eventuais problemas, como nódulos, por exemplo. Problemas de coagulação devem ser comunicados ao médico. Se a mulher tiver algum problema clínico, como pressão alta ou alteração de tireóide, é preciso consultar especialistas das respectivas áreas e fazer testes complementares. Quem usa pílula anticoncepcional e percebe aumento de mama deve suspender o tratamento para ter o tamanho real como parâmetro.

Qualidade

A prótese de silicone é usada há mais de 40 anos. Há seis anos, sua tecnologia evoluiu e o material, antes liso (que provocava irregularidades), foi substituído por um outro (rugoso, também de silicone) e pode ainda ser substituído por poliuretano. O gel interno antes era líquido e se escapasse podia se espalhar pelos órgãos e se misturar à corrente sanguínea, o que causaria infecções graves. Agora a prótese é recheada de gel, que não se mistura à corrente, em caso (raro) de vazamento. As próteses re-gistradas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) seguem as determinações obrigatórias e estão aprovadas para uso. O FDA (Food and Drug Administration), órgão que regulamenta os medicamentos nos EUA, suspendeu o uso de silicone no país em 1992 e mantém a proibição até hoje. O objetivo é pesquisar se há relação entre silicone e câncer. Não há comprovação científica de que exista alguma.

Recuperação

A paciente pode fazer caminhadas. Por dois ou três meses, não deve fazer exercícios em que levante o braço ou que exijam saltos. O sutiã mais indicado é o que deixa os seios leves com sustentação. Relações sexuais são permitidas, com cuidado. Durma de barriga para cima nos primeiros dois meses. Mantenha o braço apoiado para usar o computador. Quando a prótese é colocada sob o músculo não se deve dirigir antes de 30 dias. Se colocada na frente, pode-se guiar em duas ou três semanas.

Sensibilidade

Varia de pessoa para pessoa. Pode haver diminuição ou perda da sensibilidade na mama. Essa perda pode atingir a aréola, o ponto mais sensível. Pode haver retorno progressivo da sensibilidade. O estiramento do órgão pode aumentar a sensibilidade no local por algum tempo (três semanas).

Tamanho

Os volumes mais procurados no Brasil variam entre 235 ml e 350 ml. Nos EUA, chegam a 650 ml. O ideal é medir a proporção da base da mama e a largura do tórax para definir o tamanho.

Utilidade

A prótese é indicada para o aumento da mama e gera, por causa da consistência do silicone, um certo endurecimento. Se a idéia é o enrijecimento, o mais indicado é retirar a pele que sobra.

Validade

As próteses atuais têm uma membrana mais grossa e garantias mais extensas do que as antigas. Ainda não se sabe quanto tempo elas duram porque começaram a ser usadas há cerca de sete anos. Estima-se que fiquem mais tempo do que as anteriores.

Xeque-mate

É preciso tomar cuidado com a síndrome de “quero mais”, que é quando a paciente pede para aumentar mais o tamanho do peito em novas cirurgias. Cabe ao médico avaliar as motivações de cada paciente para não alimentar vícios de preocupação com a aparência. Trocas são necessárias porque não existe prótese definitiva.

Ziquiziras

O médico deve explicar todos os riscos envolvidos e responder às dúvidas da paciente. Ela deve perguntar tudo. O médico tem obrigação de responder. Problemas podem acontecer e não são considerados erros: perda de sensibilidade, encapsulamento e a insatisfação com o tamanho final depois da cirurgia.

Fontes: dr. José Yoshikazu Tariki, secretário-geral da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), dr. Antônio Graziosi, presidente regional de São Paulo da SBCP, e dr. Ricardo Marujo, membro da SBCP