JURA EM PROSA E VERSO

TEXTOS DE CONTEÚDO MORAL OU EDUCATIVO

O Negrinho do Pastoreio

(Conto do folclore brasileiro)

         Escravo humilde, o pobre pequeno era propriedade de um estancieiro rico e avaro. Este e um filho dele, tão malvado como o pai, maltratavam o servo, sobrecarregando-o de trabalho, mirrando-o de fome, desesperando-o e martirizando-o.

       Recebera o encargo de pastorear, por trinta dias, trinta tordilhos negros.Devido ao cansaço, depois de alguns dias o Negrinho adormecera. 

       Ladrões então, roubaram  a cavalhada: o pequeno pastor perdeu o pastoreio e, espancado e pisado, foi mandado a “ campear o perdido”.Valeu-lhe a Virgem, sua madrinha, que apareceu-lhe numa noite e fez reaparecer o rebanho.

       Mas, o filho do fazendeiro, perverso, enxotou os cavalos de novo, e o mísero perdeu de novo o seu rebanho.

        Exacerbado pela cólera o senhor amarrou o desgraçado retalhou-o a relho e atirou-o   morto, transformado em uma posta de carne e sangue, ao fundo de um formigueiro.

        Passaram-se três dias e três noites. Na manhã do quarto dia, o algoz foi visitar a cova em que jazia o negrinho: e viu-o vivo, de pé, nimbado de sobre-humana luz,  lindo e sereno no meio da tropa dos tordilhos negros; e sobre ele pairava no céu a Virgem que o abençoava...

       Diz o povo que o Negrinho do pastoreio ainda vive por aí, em campos e restingas, em banhados e rios. É um gênio generoso, um anjo bom, perpetuando-se em bondade e generosidade. É ele quem acha, e descobre os animais extraviados. Os objetos perdidos, as posses roubadas.

Assim o infeliz pastorzinho paga, depois da morte, em benefícios, os sofrimentos que recebeu durante a vida..