JURA EM PROSA E VERSO

RELIGIÕES, IRMANDADES E SISTEMAS FILOSÓFICOS OU POLÍTICOS

ROSA-CRUZ

A Rosa-Cruz surgiu no século XV, e acredita-se ter sido a verdadeira sucessora do movimento templário.

Seu fundador foi Christian Rosenkreuz.

Teve também como membro principal o famoso conde de Saint-Germain, que impressionava dizendo ser mais velho do que parecia, justamente por contar os anos de maneira muito particular: datava seu nascimento do dia em que Jacques de Molay apareceu.

A Rosa-Cruz da época era uma verdadeira sociedade iniciática, e até hoje o movimento é reconhecido como tal, em contrapartida com a Rosa-Cruz instalada na América, que promete a Iniciação em doze lições (e pelo correio).

Permanecendo em segredo, secreta e subterrânea, a Rosa-cruz vê o fim da Idade Média e o início da Renascença, que se mostrava mais permissiva com os "feiticeiros".

Já num processo mais cósmico (com interesses mais voltados à espiritualização) os rosacrucianos passam a se anunciar fundadores de um novo mundo purificado pelo fogo e a pregar também o Paraíso Terrestre.

A sigla INRI (que tem várias significações, mudando de religião para religião) passou a ter uma significação não cristã - Igne Natura Renovatur Integra (a natureza é inteiramente renovada pelo fogo). O poder do fogo, que provinha do Sol, passa a ter tripla significação "é o fogo que destruíra um mundo dominado pelo mal; o fogo místico interior e o fogo para experiências alquimistas".

A partir de então, a alquimia ficou em segundo plano e em primeiro plano o fogo do conhecimento, que era traduzido da seguinte maneira: "Vós próprios sois a pedra filosofal. Vosso próprio coração é a matéria-prima que deve ser transmutada em ouro puro".

A Rosa-Cruz passou a ser então, o elo de ligação entre as associações esotéricas da Idade Média e os tempos modernos.

É na Alemanha que cresce e se desenvolve, e um pastor luterano, Jean-Valentin Andréae é quem pela primeira vez revela a existência da sociedade, através da publicação de um documento intitulado "Les Noces Chymiques de Christian Rosenkreuz", onde desvenda alguns segredos da Ordem.

Apesar do documento ter sido publicado em 1614, já se sabia de algumas pessoas célebres que participavam da Ordem, entre eles Paracelso. E é justamente nesse época que se verifica o desenvolvimento espiritual da seita.

O símbolo Rosa-Cruz é adotado definitivamente : uma rosa vermelha fixa no centro de uma cruz também vermelha "porque foi salpicada pelo sangue místico e divino de Cristo".

Com a ampliação da seita, foram se desenvolvendo tendências que originaram correntes dentro da própria Ordem.

Em 1570 acontecia na Alemanha o nascimento dos Irmãos da Rosa-Cruz de Ouro. No século XVIII, tem aparição a Aurea-Crucis, considerada uma ramificação mais filosófica e menos mística.

Com o passar dos anos, a Rosa-Cruz se tornou cada vez mais secreta.

Podiam invocar espíritos e possuiam o dom da invisibilidade, segundo as histórias contadas.

A finalidade oficial da Ordem era redescobrir os segredos perdidos da ciência, sobretudo da medicina.

Dedicavam-se a fornecer riquezas aos governantes do mundo, de maneira que melhorassem a condição de vida dos seus seguidores.

As exigências para ser admitido na ordem não eram árduas.

Todos os novos adeptos faziam promessa de curar os enfermso confiados a eles, vestir as roupas do país onde residiam e estar presentes pelo menos uma vez por ano a uma reunião da Ordem.

Deveriam ainda, escolher um sucessor antes de morrer e jurar guardar os segredos da Ordem por no mínimo, cem anos.

 Segundo alguns autores, cem anos após sua fundação, a Orem sofreu vários ataques vindos da parte dos maçons, corrompendo o que havia de genuíno na seita e introduzindo costumes daqueles que ridicularizavam a fraternidade.

Durante sua longa história, de ramificações e seitas dissidentes, o movimento rosa-cruz conseguiu sobreviver e se afirmar apesar de tudo.

O culto moderno emancipou-se de vez de sua influência maçônica.

Os principais movimentos da ordem, considerados em conjunto, contam com aproximadamente 100 mil adeptos.

Contudo, graças à propaganda maciça e às diversas publicações, a ordem é uma força poderosa nos tempos de hoje.

Na opinião de estudiosos do assunto, o movimento rosa-cruz é um culto não cristão que utiliza a terminologia do cristianismo em benefício próprio.

Ensina uma religião filosófica tão mística e complexa que até mesmo os adeptos mais esclarecidos encontram dificuldades em explicar detalhadamente sua doutrina secreta.