JURA EM PROSA E VERSO

RELIGIÕES, IRMANDADES E SISTEMAS FILOSÓFICOS OU POLÍTICOS

Nova Era

A Nova Era é um movimento filosófico-espiritual que se está espalhando, de forma incontrolável, na sociedade. Os seus adeptos são hoje mais de 200 milhões.

Trata-se de um movimento, sem estrutura definida, que pretende dar respostas às aspirações do coração humano. Podemos encontrar a Nova Era na música, nos livros, lia medicina natural, lia ecologia, etc.

A expressão Nova Era designa uma grande variedade de pessoas, de organizações, de práticas e de idéias que se inspiram no misticismo oriental, no ocultismo ocidental, no neo-paganismo, na ciência e na psicologia modernas.

Definição

Pode-se definir este movimento por uma quádrupla aproximação sociológica:

1. Trata-se, primeiramente, de uma rede complexa de pessoas e de grupos que se ramificam em escala mundial e que trabalham para a realização duma mesma visão do homem e do mundo. Esta visão, fundada no misticismo oriental e no monismo panteísta (Tudo é um e esta Unidade é Deus), anuncia um “milênio” de paz e de luz com a vinda eminente da era astrológica de Aquário (uma das doze constelações do Zodíaco.

2. A Nova Era representa realmente uma força social com objetivos políticos. Transcendendo, embora, os partidos, as associações, os movimentos caritativos ou ecológicos, esta força social visa, sobretudo a partir dos anos 70,uma mudança sensível das consciências, prelúdio da instauração duma nova ordem mundial político-religiosa.

3. A Nova Era é, certamente, urna corrente cultural humanista considerável englobando todas as ciências humanas nesta perspectiva sincrética que tem do homem, da sociedade, do cosmos.

4. Ë, como fenômeno espiritual, um ressurgi­mento moderno da gnose antiga, associada ao misticismo extremo-oriental e ao esotero-ocultismo ocidental.

Os adeptos da Nova Era crêem:

1. No advento duma nova época do mundo, a era do Aquário.

2. Na lei do Karma e na reencarnação.

3. No aperfeiçoamento da pessoa como entidade espiritual.

4. No despertar de cada homem para o princípio-Cristo, princípio da unção do espírito/ consciência/energia, sinônimo de amor e de paz interior.

5. Na divindade do homem.

6. Na função do corpo como lugar de integração do homem no cosmos.

7. Numa antropologia dando lugar aos corpos subtil, etéreo, astral.

8. Numa cosmologia hospitaleira aos anjos, aos espíritos, guias acessíveis por uma técnica moderna do espiritismo, o “channeling”.

9. Na reaparição de mestres da sabedoria manifestando-se entre os homens, na alvorada da era do Aquário, para conduzir a humanidade a uma mutação espiritual indispensável, à instauração de uma idade de ouro.

Não se fala, portanto, de fé, mas “de experiência de um despertar espiritual”, condicionada pelos conceitos de “pensamento positivo”, de “visualização criativa”, de “vibração” com as forças cósmicas; tratar-se-á de tornar consciência que o homem é um microcosmo num macrocosmo, que tem em si um fantástico potencial divino escondido nas faculdades do lóbulo direito do seu cérebro e que lhe é necessário despertá-lo por toda a espécie de técnicas.

A manifestação sociológica da Nova Era

Digamos, sumariamente, que se podem distinguir várias grandes correntes, muitas vezes independentes urnas das outras, mas sobrepondo-se freqüentemente:

1. Os que praticam técnicas de dinamismo de grupo e de comunicação interpessoal para despertar uma melhor consciência de si mesmos.

2. Os que se entregam à exploração e ao desenvolvimento do potencial psíquico pela transformação do lóbulo direito do cérebro.

3. Os que praticam as medicinas paralelas para conseguirem uma saúde total, dita “holista”; os que se comprometem por juramento a seguir uma alimentação vegetariana, mesmo biológica, para “vibrar” em perfeita harmonia com a natureza e o cosmos.

4. Os que militam nas associações humanitárias pela justiça, pela paz, pelos direitos humanos, pela distribuição das riquezas.

5. Os que se inquietam por causa da poluição e se envolvem em grandes cruzadas atuais.

6. Os que se consagram ao “channeling”, ao esoterismo, à astrologia, à numerologia, etc.

7. Enfim, todos os adeptos das religiões orientais que adaptam credos e técnicas (lei do Karrna, meditação transcendental, yoga, etc.) à mentalidade ocidental.

Para além das práticas e dos interesses diversos todos os adeptos da Nova Era partilham toda­via de uma mesma ambição: uma transformação coletiva, uma mutação da humanidade por um “renascimiento” individual, uma “re-criação” para a vida do espírito em si, objetivos que podem confundir-se com os evangelhos de Cristo.

O sucesso da Nova Era: As suas razões

Entre os numerosos fatores que contribuem para o sucesso deste novo evangelho, destacamos sete que parecem significativos:

1. A Nova Era preenche um vazio espiritual criado pela erosão, até mesmo pelo abandono dos valores judaico cristãos.

2. Parte de seu sucesso explica-se pelo malogro do Cristianismo contemporâneo que se apresenta como ultrapassado, comparado com a modernidade “científica” e mística da Nova Era, que está aberta a tudo e a todos, sem condições prévias, porque tudo é ilusão, salvo as realidades espirituais invisíveis com as quais se deve “vibrar” para ser robustecidos com a sua força.

3. A filosofia da Nova Era oferece, também, respostas, muitas vezes pertinentes, para as grandes preocupações dos nossos dias: materialismo, solidão, pobreza, stress, poluição, educação, desenvolvimento pessoal, saúde, etc.

4. Este movimento encontra também o favor popular pela tolerância,pela benevolência, em relação às práticas morais condenadas pelo Cristianismo: o uso de drogas, adultério, homossexualidade (o pecado não existe!).

5. O que faz também a força do evangelho do Aquário é que ele não separa o sagrado do profano pela sua concepção dum deus-energia, animando ao mesmo tempo o cosmos, a natureza e o homem com a mesma força.

6. Não possuindo urna igreja constituída, a espiritualidade da Nova Era dá segurança: na época do “do it yourself” (faça você mesmo), ela apela ao desejo primordial do homem de ser criador dos seus próprios valores sem ser agrupado ou regido por urna instituição ou pessoa.

7. Outro fator de sucesso: a Nova Era mobiliza, nas suas múltiplas atividades “missionárias”, o feminismo contemporâneo. Este feminismo encontra neste movimento um terreno privilegiado de ação e ideal para a conquista e a afirmação dos direitos da mulher. Com efeito, as generosas qualidades de intuição, de criatividade, de emotividade e de imaginação do lóbulo direito do seu cérebro, devem urgentemente reequilibrar um mundo “machista”, decadente devido à sobrevalorização das faculdades lógicas da parte esquerda do cérebro.