JURA EM PROSA E VERSO

RELIGIÕES, IRMANDADES E SISTEMAS FILOSÓFICOS OU POLÍTICOS

HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO JUDAICA

(LEIA TAMBÉM, NESTE DIRETÓRIO, "RELIGIÕES E SISTEMAS FILOSÓFICOS", A PÁGINA SOBRE ISLAMISMO)

A comunidade judaica é uma minoria inserida e integrada na sociedade brasileira, em particular no Rio Grande do Sul, que possui tradição e cultura características, consolidadas há mais de dois mil anos. A religião monoteísta judaica foi criada pelo profeta Abrahão há quatro mil anos e, desde então, o povo judeu vivia em sua terra de Israel. Com a destruição do Segundo Templo pelos romanos e a conseqüente dispersão do povo de Israel, os judeus passaram a ser perseguidos, confinados e discriminados, criando as bases do anti-semitismo.

Como conseqüência das dificuldades econômicas da Europa, no início do século passado, e das perseguições religiosas e sociais sofridas em seus países de origem, muitos judeus vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor.

Em 1891, o Barão Maurice de Hirsch – banqueiro de origem judaica - alemã e radicado na França–, preocupado com a perseguição ao povo judeu, especialmente aos judeus russos, criou a Jewish Colonization Association – ICA - com o objetivo de organizar e instalar colônias agrícolas no Brasil, Argentina e Canadá. O ano de 1904 marca a chegada dos imigrantes judeus ao Brasil, mais precisamente à Colônia de Philippson, próxima a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, primeira colônia judaica, instalada organizadamente no país. A Colônia recebeu esse nome em homenagem a Franz Philippson, então vice-diretor da ICA e presidente da Compagnie Auxiliaire de Chemin de Fer au Brésil, que atuava no RS. Os primeiros imigrantes – cerca de 37 famílias – vieram principalmente da Bessarábia, região russa banhada pelo Mar Negro. Mais tarde, judeus vindos da Polônia, Rússia, Alemanha, Argentina e outros países instalaram-se no Brasil.

A maioria dos imigrantes eram artesãos que se tornaram agricultores por programação da ICA. Na nova terra os imigrantes receberam lotes de 25 a 30 hectares, pequenas casas de madeira, animais, instrumentos agrícolas e sementes, com financiamento em longo prazo. Os judeus que vieram desconheciam a língua, o ofício de agricultor e a geografia do lugar, mas foram acolhidos generosamente pelo povo do Rio Grande do Sul.

Entre 1911 e 1914 mais famílias imigraram para o Rio Grande do Sul, instalando-se na Fazenda Quatro Irmãos, região de Passo Fundo. Muitas famílias continuam na região e alguns de seus descendentes são fazendeiros no local onde seus pais e avós se instalaram inicialmente.

O que os imigrantes mais valorizavam era a educação dos filhos, único bem que não lhes poderia ser tirado. A primeira integração entre a comunidade judaica e os brasileiros veio através da educação. Os imigrantes fundaram uma escola na Colônia de Philippson, cujo ensino era realizado em português e acolhia também os brasileiros, filhos dos colonos e trabalhadores da região. Nos anos 20 começa uma outra etapa no processo de migração: em busca de estudos mais adiantados para os filhos, muitos judeus instalaram-se nas grandes cidades do Estado, tornando-se comerciantes. Eles se dirigiram para Santa Maria, Erechim, etc, e muitos para Porto Alegre, concentrando-se no bairro Bom Fim. Durante a década de 30 predominou a imigração de judeus vindos da Polônia. Artesãos, alfaiates e marceneiros poloneses vieram para o Bom Fim e criaram sua associação, o Poilisher Farband, que prestava assistência e apoio aos novos imigrantes. A partir de 1933, quando Hitler assume o poder na Alemanha, chegam ao Brasil os judeus alemães, entre eles muitos intelectuais e profissionais liberais, que fugiam de seu país ameaçados e perseguidos pelo nazismo.

Na década de 50, no período do governo de Nasser, judeus expulsos do Egito chegam em Porto Alegre. Sua Sinagoga foi construída no Centro Hebraico.

Em 1963, os judeus alemães fundam a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência – SIBRA.

O forte espírito comunitário fez com que os judeus se apoiassem e superassem as dificuldades iniciais; logo passaram a ocupar uma posição de destaque na área cultural e artística, no comércio, na indústria e na construção civil. Seus filhos ingressaram nas universidades, tornando-se intelectuais, professores, profissionais liberais, etc, facilitando o processo de integração da comunidade judaica na sociedade do RS.

Além disso, principalmente as comunidades de Santa Maria, Passo Fundo e Erechim continuam atuantes e harmonicamente integradas na comunidade maior.

Cem anos depois, a comunidade judaica no estado, já totalmente integrada à cultura gaúcha, e sem perder sua identidade, vem cultuando sua sólida tradição, marcada por vínculos de religião, culinária, música, dança e solidariedade social. Hoje os judeus de diversas origens e diferentes costumes vivem uma grande integração, formando uma comunidade dinâmica e harmônica.