JURA EM PROSA E VERSO

RELIGIÕES, IRMANDADES E SISTEMAS FILOSÓFICOS OU POLÍTICOS

CANDOMBLÉ...

 

Vários cultos até hoje praticados no Brasil começaram na África, muito antes do nascimento de Cristo; após o século X predominavam basicamente três religiões: cristianismo, islamismo e religiões tribais ou primais.

Na realidade, os cultos afro-brasileiros vêm da prática religiosa das tribos. Por isso, cada uma tem a sua forma peculiar de chamar o nome de Deus, promover seus cultos, estruturar sua organização, celebrar seus rituais, contar sua história e expressar as suas concepções através dos símbolos, a isso chamamos de nações.

Os cultos afros inicialmente eram ritos de preservação cultural dos grupos étnicos.

No Brasil eles associam-se à vinda de escravos negros trazidos de lugares como Nigéria, Benin e Togo. E também estão profundamente ligados à preservação da cultura, da arte e da religião dos negros.

Em diferentes momentos da história, aos poucos, as religiões afro-brasileiras foram se formando nas mais diversas regiões e estados. É justamente por isso que elas adotam diferentes formas e rituais, diferentes versões de cultos, conforme a nação ou região que a originou.

O Candomblé é uma religião musical e culturalmente rica, pois sua dança tem papel muito importante nos rituais. É através da dança que o povo de santo cultua e homenageia seus Orixás.

Diferente do que muitos pensam, o Candomblé é uma religião fundamentada e estruturada, e principalmente monoteísta, o povo de santo crê em um ser superior, criador do céu e da terra, Olorum, o senhor do sopro vital.

O Candomblé é o culto afro que mais preserva as origens africanas em sua integridade, procurando evitar o sincretismo religioso.

Nações do Candomblé:

Gegimarri

Keto

Angola

Ijexá

Efon

Xambá

Nagô

Jêje

Cada uma destas nações vai puxando outras.

A estrutura administrativa do Candomblé é totalmente descentralizada. Cada local tem a sua própria estrutura baseada na função que cada membro exerce no barracão, (casa onde se desenvolvem os rituais) são sacerdotes, pais e mães de santo, iniciados, etc.

Num barracão de Candomblé as tarefas são muito bem definidas, bem como os cargos que são dados pelo pai ou mãe de santo ou diretamente pelo orixá no jogo de búzios. Os participantes iniciados são distribuídos hierarquicamente pelo seu conhecimento, rituais ao qual se submeteu e tempo que freqüenta a casa, ainda respeitando sua condição de possessão pelo orixá (em rituais) ou não, o caso dos

O povo de santo possui um sistema nacional e regional muito bem organizado, que promove a inter-relação dos terreiros. Este sistema compreende uma adaptação pelos escravos da sociedade brasileira no Império.

Entidades

União Umbandista dos Cultos Afro-brasileiros – Entidade coordenadora que organiza, registra os terreiros de Umbanda e Candomblé no Rio de Janeiro. Além disso, presta serviços de assistência social aos associados. Sua sede fica no bairro de Madureira, Zona Norte, à rua Dagmar da Fonseca, 37/grupo 205.

Federação de Umbanda e Candomblé - São Paulo (Capital) - fornece orientação jurídica para os templos religiosos e assessora registrando atas, estatutos sociais e abrindo oficialmente os terreiros.

Oferece também orientação espiritual.

A sede da Federação de Umbanda e Candomblé é na Praça General Costa Barreto, 111 - bairro do Tatuapé, Capital Paulista. Telefone 0xx-21-6673741

Fundamentação Doutrinária

Candomblé é uma palavra africana que significa dança. Propriamente, é uma dança religiosa na qual se reza para os orixás.

Esta dança é uma invocação feita em roda e praticada por mulheres chamadas de sambas, daí o nome tão comum em nosso Brasil a roda de samba.

Todos os seguidores das religiões afro-brasileiras têm seu orixá. Acreditam que todos os seres humanos nascem da Natureza, em um determinado dia, lugar e hora sob o comando de um orixá que será seu protetor por toda a vida.

No Candomblé, o orixá é uma força da criação divina, manifestação de Olorum, o criador de tudo (Deus).

Orixá é energia, é força, é a própria natureza em suas variações, nuances de beleza e devastação, assim é correto dizer que o candomblé é uma dança ritual que culta a natureza em suas mais diversas formas.

Os Orixás

 

Exu:

Mensageiro, guardião, guerreiro.

Senhor dos caminhos, da comunicação, da inteligência, do bom humor e da sexualidade.

Exu está presente em todos os lugares e mantém contato com todos os orixás e ancestrais. Sua personalidade assemelha-se ao perfil humano. É amante dos prazeres da vida, das cores e odores.

Ferramenta: objeto fálico de madeira – (apaogó)

Comida: farofa de dendê com muita bebida, de preferência aguardente (padê); acarajé; xinxim; (acassé) com azeite de dendê.

Cor da roupa: vermelho e preto. Usa colar com contas vermelhas e pretas.

Animal: bode

Animais de sacrifício: boi, cabra, galo, galinha sempre de cor preta.

Vestes para o ritual: capas majestosas em vermelho e preto.

Local de culto: encruzilhadas – para simbolizar os vários lados de cada caminho.

Dia consagrado: segunda feira (mas pode atuar se solicitado em outros dias).

Ogum:

Deus da guerra, da metalurgia, da tecnologia.

Orixá inventor, grande explorador de caminhos e general dos demais orixás.

Ogum é o filho primogênito da família dos Orixás Caçadores, foi encarregado por Olorum (criador do Universo) para abrir o caminho para todos os orixás e é o guerreiro que nunca é vencido. É Ogum quem abre todos os caminhos da vida. Seu perfil é valente, sério e justo. Sua morada é na floresta.

Elemento: terra

Metal: ferro

Cor: verde e azul (simbolizando a mata e o céu)

Ferramenta: Espada

Comida: milho amarelo cozido, com coco – (axoxó)

Animal: Cachorro

Local de culto: Estradas, principalmente em

estradas de ferro.

Animais de sacrifício: Bode, galo de cor avermelhada.

Vestes: saiotes de cor azul marinho e branco, capacetes de pano bordados com penacho das mesmas cores e uma corrente pendente do penacho.

Dia consagrado: Terça feira.

Oxóssi:

Deus da fauna, da caça, da fartura.

Senhor da Ecologia e patrono dos animais, rei das florestas.

É esposo de Oxum, pai de Logum Edé e pai adotivo de Oiá Iansã. Oxossi é o irmão mais novo de Ogum, e responsável por toda a comida que chega até a nossa mesa. Seu nome significa: “caçador de uma só flecha”.

Devido à popularidade de seu culto, é patrono em muitos terreiros da Bahia.

Elemento: terra

Ferramenta: arco e flecha.

Comida: milho amarelo cozido com coco; feijão fradinho torrado.

Animal: Cavalo.

Cor: Azul turquesa.

Animais de sacrifício: boi, bode, porco, galo mariscado (carijó) galinha d’angola.

Vestes: deve predominar o verde, saiotes de plumas, penacho e capacetes verdes. Nas mãos arcos e flechas podem acrescentar troféus de caça.

Dia: quinta-feira.

Ossaim:

Deus das folhas e vegetação.

Olorum deu aos orixás suas folhas, fundamental para qualquer ritual, mas deu a Ossaim o segredo de todas elas. Ossaim é portanto o senhor das folhas, do verde da vegetação o orixá que conhece o encantamento que permite às folhas liberar seu Axé.

Animais de sacrifício: bode e galo desde que não sejam pretos.

Vestes: cor verde claro, o cetro é um galho de árvore, geralmente de café com seus frutos.

Dia: quinta-feira.

Local: a mata, a floresta.

Oxumarê:

Deus do arco-íris.

Filho da cobra Dã que envolve toda a terra, metade do tempo é masculino outra metade é feminio (meta-meta) está ligado as artes e a beleza desta, também as riquezas da terra.

Animais de sacrifício: carneiro, cágado, galo avermelhado.

Vestes: bem coloridas, verdes e amarelos predominam, um torso colorido na cabeça com uma trança descendo pelas costas, até o chão. Por cima do torso uma coroa com imagem de uma cobra.

Dias: terça-feira e sábado.

Xapanã - Omulú - Obaluaiê

Tem duas formas:

Obaluaiê e Omulu.

Obaluaiê é o Xapanã jovem, das pragas e doenças, da cura. Esta ligado às epidemias e suas curas, representa as impurezas que devem ser expelidas, as fístulas; é o orixá da renovação, é severo e exigente de respeito.

Animais de sacrifício: porco, bode, galo, galinha d’angola nas cores preta e branca.

Comida: pipoca estourada na areia.

Vestes: feitas nas cores das guias, pretas e brancas, recobertas de palha- da- costa, que tapa o rosto e todo corpo.

Dia: segunda-feira.

Omolu é o Xapanã velho, médico dos pobres.

Animais de sacrifício: bode, cabra, galo, galinha d’angola nas cores branca e preta.

Vestes: as mesmas de Xapanã Abaluaê tendo um cetro chamado xaxará.

Xangô: Deus da justiça e do trovão.

Patrono da política, diplomacia, sedução e articulação. Senhor da vida, é o grande Rei dentre os orixás. Iansã, Obá e Oxum são suas esposas. Xangô controla o fogo, porém seu poder só tem efeito se praticado junto com Iansã, de quem Xangô não pode se separar.

Elemento: fogo

Metal: cobre

Comida: guisado de quiabo picado, temperado com dendê, camarão seco, cebola e pimenta.

Cor: vermelha e branca.

Animal: Leopardo

Local de culto: pedreiras

Animais de sacrifício: galo, boi, bode, carneiro todos avermelhados.

Vestes para o ritual: vermelhas e brancas, na cabeça coroa de latão ou cobre, na mão um cetro de latão em forma de machado.

Dia: quarta-feira.

Iansã:

dona dos espíritos dos mortos e dos relâmpagos.

Senhora da alegria e protetora das mulheres, dos ventos e tempestades ganhou de Olorum o poder de controlar os mortos (Eguns).

Seu nome significa “rápida, ligeira”. Filha adotiva de Oxossi, casou-se com Ogum e Xangô.

Junto com Xangô, ela controla o poder do fogo.

Elemento: ar - vento.

Metal: cobre

Comida: acarajé

Ferramenta: espada e uma espécie de cedro feito com rabo de boi.

Animal: búfalo e borboleta.

Local de culto: montanhas e lugares altos.

Cor: vermelho.

Animais de sacrifício: cabra que não seja preta e galinha avermelhada.

Vestes: são coloridas predominando a cor coral, usam muitos colares e enfeites, e na cabeça uma coroa bordada com imbé, franja de pérolas que caem sobre a face.

Dia: quarta-feira.

Oxum:

Deusa das águas, do poder da mulher e do trabalho doméstico.

Oxum: Deusa do amor e da fertilidade, das águas doces e do ouro.

Olorum, criador do Universo, enviou seus orixás até a terra. No entanto, ele esqueceu de enviar Oxum. A terra se tornou seca, sem água e sem vida. Percebendo o engano, Oxum foi enviada à terra para trazer beleza e fertilidade.

Oxum casou-se com Oxóssi e logo em seguida com Xangô. Mãe de Iansã e Logum Edé. Vaidosa e bela, Deusa do ouro, ela adora braceletes, coroas e espelhos.

Metal: ouro

Comida: feijão fradinho com camarão seco, cebola e dendê.

Ferramenta: leque com espelhos (abebé)

Animal: pássaro

Local de culto: águas doce.

Animais de sacrifício: boi, cabra, galinha amarela.

Vestes: Amarelas com enfeites coloridos de azul, branco e rosa.

Dia: sábado.

Yemanjá:

Senhora dos Mares.

Yemanjá: É a Grande Mãe dos Orixás, a deusa da maternidade, das grandes águas, mares e oceanos. A palavra “Yemanjá” quer dizer “Grande Mãe cujos filhos são peixes”.

Aprecia pratos preparados com milho branco, azeite de dendê, cebola e camarão seco. Iemanjá é uma mulher sensual que encanta os navegantes.

Elemento: água

Metal: prata

Animais de sacrifício: cabra, ovelha. Pata de galinha toda branca.

Vestes: cor branca prateada, podendo ser adornada com azul claro ou rosa. Na cabeça uma coroa de cor branca.

Oferendas: flores, perfumes, jóias, bonecas, sabonetes, sendo que em todos os presentes oferecidos devem predominar cores claras, como a água.

Ferramenta: alforje de prata e o Bebé – leque prateado com pedras azuis, verdes e brancas transparentes.

Dia: sábado.

Animal: peixe

Nanã (Nanã Baruquê)

Orixá da lama e do fundo das águas.

É a mãe dos mortos, controla o portal entre Aye e Orum é a representação da lama, da chuva fina que forma o lodo. É o poder controlador das mulheres idosas que castiga para educar, é grave e severa não tolerando descasos e esquecimentos.

Promove a purificação da atmosfera e a limpeza.

Animais de sacrifício: cabras, galinhas e patas brancas.

Vestes: Roupas brancas com aplicações em roxo claro.

Cor: lilás.

Dias: domingo e terça-feira.

Sincretismo: Santa Ana.

Oxalá

É o Senhor da Sabedoria de dois mundos: Orum (o céu) e Ayê (terra).

Manifestação cósmica do céu, da terra, da luz, da paz e do amor. Foi incumbido por Olorum, criador do Universo, para criar todos os seres da Terra.

É esposo de Nana (a Anciã). Usa um cajado para separar os dois mundos. Seu cajado era feito da madeira da árvore dos orixás, (os irocos), uma árvore mística que ligava a terra ao céu através das suas raízes e galhos. Nos dias de hoje esse cajado é feito de prata. O mundo é dividido em duas partes: Oxalá é o princípio masculino da criação e Ododua o princípio feminino. Ambos se completam e não vivem separados.

Oxalá se apresenta de duas maneiras:

Como ancião – Abauxorô

Como guerreiro – Oxoriã

Tem duas formas de manifestação. Oxaguiã e Obatalá.

Oxaguiã: (nascer do sol) Deus da sobrevivência da criação, da cultura material.

Obatalá ou Oxalufã: (pôr do sol) Deus da criação e da humanidade.É o pai de todos os orixás.

Senhor do ar, do branco, da fala, símbolo da paz.

Chamado por muitos o Velhão.

Metal: prata

Animal: caramujo

Comida: massa de milho cozido colocado numa casca de banana, canjica branca com azeite doce.

Símbolo de proteção: grande pano branco.

Animais de sacrifício: boi pequeno, novilho, bode, cabra, carneiro, galinha e pombo sempre de cor branca. O pombo nunca deve ser sacrificado, é simplesmente oferecido e posto em liberdade, todos os animais devem ser brancos ou claro e sempre fêmea, com exceção do pombo que em alguns casos pode ser o casal.

Vestes: brancas com braceletes desenhados com búzios e opaxorô prateados tendo na sua extremidade superior uma esfera encimada por uma pomba de asas abertas.

Dia: sexta-feira.

Erê ou Ibêji:

Mediador entre Iaô e Babalaô.

Ao Erê não existe dia especialmente consagrado, pois atua às vezes antes da vinda dos orixás (transmite ordens recebidas dos orixás, vibrações).

É o Deus das guloseimas.

Nas manifestações de Erê, o Iaô sob a sua vibração se comporta como criança.

Ifá:

Protetor do jogo de búzios, das artes divinatórias, de cola de dendê.

Este orixá jamais se incorpora, mas atua de outras maneiras.

Dia consagrado: domingo.

Danças e ritmos

Durante os cultos, no Candomblé, predominam sempre, ritmos empolgantes e sons de instrumentos de percussão, num compasso bem marcado.

Por causa de seu rito, o candomblé se tornou conhecido como uma dança religiosa, de origem africana, na qual os iniciados reverenciam seus orixás. Esta dança é praticada principalmente por pessoas do sexo feminino, chamadas sambas.

Em seus ritos, a palavra orixá tem o peso de designar as forças cósmicas e vivas da Natureza, numa tradição que remonta aos homens primitivos.

Cerimônias

São várias as cerimônias no Candomblé. Quando um orixá está sendo homenageado, com os atabaques batendo e os iniciados e participantes cantando e dançando, pode acontecer que um dos presentes não iniciado receba a vibração do orixá que se homenageia. Com essa vibração, o participante entra em estado de inconsciência, em transe, caindo ao solo, num fenômeno chamado internamente de “bolar para o santo” ou “virar no santo”, se já for um iniciado. A pessoa em transe é levada para o roncó, onde ficará aguardando as determinações do babalaô, que mais tarde confirma o orixá manifestado, através da consulta ao Ifá (jogo dos Búzios). Depois disso ele realiza a cerimônia de feitura do orixá na cabeça.

Jogo dos Búzios

É uma das formas de se consultar o orixá Ifá, o orixá da adivinhação.

OUTRO TEXTO SOBRE O CANDOMBLÉ

Candomblé

O Candomblé foi introduzido no Brasil pelos negros ioruba, na Bahia. Basicamente, é uma religião que cultua os orixás, deuses associados às forças da natureza, e sua liturigia é realizada no interior dos terreiros, também conhecidos como roças. Da Bahia, o Candomblé se disseminou por muitos outros estados brasileiros - aliás, tornou-se uma presença marcante no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, o Candomblé é chamado de Xangô, nome de um dos orixás mais cultuados na tradição afro-brasileira.

Os orixás

Euá

Filha de Oxalá e Iemanjá, é uma deusa casta, que tem o poder de se tornar invisível e de penetrar nos mistérios de Ifá (o deus da adivinhação). Seus domínios são as ilhas e penínsulas, o céu estrelado, a chuva e a faixa branca do arco-íris. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Neves.

Exu

Filho primogênito de Oxalá e Iemanjá, Exu é aquele que abre os caminhos. Por isso, é sempre o primeiro orixá a ser invocado nas aberturas dos trabalhos, nas oferendas e na leitura do oráculo de búzios. Simboliza a energia dinâmica, o impulso sexual, o fluido vital. Também está associado à comunicação, por ser o intermediador entre os homens e os orixás.

Iansã

Filha de Oxalá e Iemanjá, Iansã tem os atributos da sensualidade, do dinamismo e da coragem. É uma deusa guerreira, representada sempre como uma mulher forte, que porta uma espada e um iruexim (espécie de chicote). Também é senhora dos eguns, os espíritos dos mortos. Seus domínios são os ventos, as tempestades, os raios e o fogo. No sincretismo religioso, está associada à católica Santa Bárbara.

Ibejis

São os orixás crianças, filhos gêmeos de Iemanjá e Oxalá. Simbolizam a dualidade: o quente e o frio, a luz e a escuridão, o masculino e o feminino, o divino e o humano, o início e o fim. No sincretismo religioso, estão associados a Cosme e Damião.

Iemanjá

Esposa de Oxalá e mãe de quase todos os orixás, Iemanjá tem diferentes manifestações, nas quais recebe os nomes de Inaê, Janaína e Oloxum. Seus atributos são a feminilidade, a generosidade, a abundância e a maternidade. No sincretismo religioso, está associada à Virgem Maria.

Ifá

Deus da advinhação, Ifá é o "dono" do jogo de búzios. Seu principal atributo é o conhecimento: ele sabe o que espera cada divindade e cada ser humano, pois é o senhor dos segredos do destino.

Logum

Filho de Oxóssi e Oxum, tem os atributos da elegência, da beleza e da sedução. Durante seis meses do ano, ele assume a forma masculina e caminha pelas matas, domínios de seu pai caçador. Nos outros seis meses, assume forma feminina e parte para as águas doces, que pertencem à sua mãe. É sempre representado como um adolescente, e também é chamado de Logunedê ou Logun-Edé. No sincretismo religioso, está associado a São Miguel Arcanjo e a Santo Expedito.

Nanã

Também chamada de Nanã Burukê, esta é uma orixá muito antiga, que em diversos mitos aparece como co-criadora do mundo (no mesmo patamar de Oxalá e de Olorum). É uma das esposas de Oxalá (ao lado de Iemanjá) e em muitas regiões brasileiras recebe o carinhoso apelido de Vovó. Tem como atributos a fecundidade, a riqueza e o ciclo de morte e renascimento. Seu domínio é a lama, mistura de terra e água que simboliza a origem da vida. No sincretismo religioso, está associada a Santa Ana, mãe de Maria.

Obá

Filha de Oxalá e Iemanjá, deusa guerreira das águas revoltas, Obá é uma sofredora. Conta a lenda que ela era uma das esposas de Xangô, mas sofria por ver que o marido só tinha olhos para a bela e ciumenta Oxum. Inocentemente, foi se aconselhar com a favorita do esposo, e perguntou-lhe qual o segredo para conquistar o coração de Xangô. Astuta, Oxum sugeriu que Obá cortasse a própria orelha e a servisse como um quitute sangrento para o marido - diante desse gesto, ele ficaria louco de paixão! No entanto, Oxum sabia muito bem que Xangô não tolerava ver sangue, e depois que Obá seguiu o maquiavélico conselho, o deus guerreiro criou verdadeira repulsa por ela! No sincretismo religioso, Obá está associada a Santa Catarina, Santa Joana D´Arc e Santa Marta.

Obaluaiê

Filho de Oxalá e Nanã, esse orixá, que também é conhecido pelos nomes de Omulu e Xapanã, é o senhor da morte e da vida, da doença e da cura. Seu rosto se oculta sob uma vestimenta de palha, material empregado nos ritos fúnebres africanos. Conta a lenda que, ao nascer, Obaluaiê era tão feio que sua mãe não suportou olhá-lo, e quem o criou foi a doce e maternal Iemanjá. No sincretismo religioso, está associado a São Lázaro e a São Roque.

Ogum

Filho de Oxalá e Iemanjá, Ogum é o desbravador de todos os caminhos. Tem a coragem, a força e a impetuosidade como atributos. Segundo os africanos, foi o criador do ferro e da metalurgia, tendo aberto novas perspectivas para a civilização humana. No sincretismo religioso, está associado a Santo Antonio e a São Jorge.

Olorum

É o orixá que simboliza o céu. Não é representado sob nenhuma forma material, e seus atributos são a totalidade, a perfeição e a universalidade.

Ossaim

Filho de Oxalá e Iemanjá, este orixá, que também recebe o nome de Ossanha, tem como atributos a cura e a magia. É o orixá das folhas, e portanto, das ervas medicinais. De acordo com os mitos africanos, ele é muito respeitado por todos os outros deuses, pois até os orixás dependem do poder das folhas para se revigorarem. As palavras que ativam o poder curativo das plantas é um mistério dominado exclusivamente pelos sacerdotes de Ossaim.

Oxalá

É o pai supremo, que separou o mundo material do mundo espiritual, criou os seres vivos e gerou os orixás. Tem o poder de reger a vida e a morte, e ao mesmo tempo em que é bondoso e tolerante, também pode tornar-se firme e severo. No entanto, Oxalá prefere sempre seguir o caminho do amor. Suas esposas são Nanã e Iemanjá, e o único orixá que se encontra acima dele é Olorum (o céu). Quando representado em sua forma jovem, Oxalá recebe o nome de Oxaguiã. No sincretismo religioso, está associado a Jesus.

Oxóssi

Filho de Oxalá e Iemanjá, é o orixá provedor, cuja habilidade em caçar garante a alimentação de todos os outros deuses. Seus atributos são a fartura e a perseverança (afinal, é preciso saber a hora certa para atirar a flecha!). Seus domínios são as matas. É considerado como o guardião da agricultura e da natureza. No sincretismo religioso, está associado a São Jorge e a São Sebastião.

Oxum

Filha de Oxalá e Iemanjá, Oxum tem como atributos a beleza, a fertilidade, a riqueza e o poder de gestação. É uma deusa vaidosa e sensual, que personifica a feminilidade. Seus domínios são as águas doces (que irrigam e fertilizam os campos) e o ouro. No sincretismo religioso, está associada a Nossa Senhora das Candeias e a Nossa Senhora Aparecida.

Oxumaré

Filho de Oxalá e Nanã, ele é o arco-íris que liga o céu e a terra, a serpente que fecunda o solo e gera riquezas. Feminino e masculino ao mesmo tempo, simboliza a interação das energias. Além disso, é senhor da dualidade, do movimento, do girar incessante da vida, da perpétua renovação. Em forma de serpente, Oxumaré morde a própria cauda e assume uma forma circular que lhe permite manter em equilíbrio os corpos celestes. No sincretismo religioso, está associado a São Bartolomeu.

Xangô

Senhor dos raios, do fogo e das pedras, Xangô é um dos orixás mais populares do Brasil. Seus atributos são a firmeza de caráter, o senso de justiça, o amor à verdade, o orgulho e a autoridade. No sincretismo religioso, está associado São Francisco de Assis, São Jerônimo, São João Batista e São Pedro.

Os preceitos

Cerimônias Privadas: São os ritos realizados pelos membros do terreiro sem presença do público. Normalmente acontecem como preparação para os cultos abertos. Destas cerimônias, fazem parte a preparação e a oferenda de comidas para os santos e os sacrifícios ritualísticos.

Ebós: Oferendas para os orixás. Geralmente são comidas, nas quais se incluem os animais sacrificados para esse fim.

Incorporação: Durante os rituais, são entoados cânticos de louvor aos orixás. Geralmente, as letras dessas cantigas ressaltam as características de cada divindade, e destinam-se a invocá-las. Costuma-se entoar de três a sete cânticos para cada uma delas. Quando a entidade finalmente "desce", incorpora-se nas filhas-de-santo a ela consagradas. Assim, as filhas de Iansã "recebem" Iansã, as de Oxalá, incorporam o próprio, e assim por diante. Depois de todas as filhas (e filhos) de santo estarem incorporadas e devidamente paramentadas, elas dançam em roda no barracão, ao som as cantigas e dos atabaques, e dessa maneira os orixás asseguram sua proteção a seus descendentes.

Jogo de Búzios: Oráculo usado como canal de comunicação entre os homens e os deuses. É comandado por Ifá, o orixá da adivinhação.

Quizilas: Coisas que desagradam aos orixás. Nesse grupo, se incluem certos tipos de alimentos, além de cores, perfumes e uma infinidade de elementos. Por exemplo: O sangue é a quizila de Xangô.

Obrigações: De tempos em tempos, o adepto do Candomblé tem o dever de prestar certas homenagens e de fazer oferendas para seus orixás, de modo que possa contar sempre com seus favores e sua proteção.

Raspagem: É a Iniciação efetuada no Candomblé. O aspirante é submetido a uma série de processos ritualísticos, entre os quais se inclui a completa raspagem de sua cabeça e seu recolhimento à camarinha, onde permanecerá durante um período preparatório. No dia de sua saída, é dada uma festa (a chamada "Saída de Santo"), e a partir dessa ocasião o filho (ou filha) de santo torna-se capacitado a incorporar seu orixá durante os trabalhos.

Elementos que fazem parte de um terreiro

Agogô: Sineta de ferro dupla, que é acionada pelo alabê para dar início à cerimônia.

Atabaques (rum, rumpi e lé): Instrumentos musicais tocados durante as cerimônias por filhos de santo designados especificamente para essa função. Barracão: Grande sala, onde ocorrem os rituais, inclusive as cerimônias abertas ao público.

Camarinha: Pequenos "quartinhos" espalhados pelo terreiro, dentro dos quais os filhos e filhas de santo se recolhem por ocasião de sua iniciação.

Peji: Altares das Divindades. Nos pejis são depositadas as oferendas.

Alabê: Responsável pelos atabaques e pelo toque do agogô, que marca o início dos trabalhos.

Axoguns: São os filhos-de-santo encarregados de executar os serviços sacrificiais. Trabalham sempre sob a supervisão do babalorixá ou da ialorixá responsável pela casa.

Babalorixá: Chamado também de zelador do terreiro ou pai-de-santo, é o dirigente dos trabalhos. É sobre ele que recai a responsabilidade pelos trabalhos espirituais realizados na casa. Aplica-se essa expressão somente para o sexo masculino. Ekede: É uma espécie de "monitora". Durante os rituais, ela conduz as iaôs incorporadas até seus respectivos pejis, e as paramenta com as roupas e as armas correspondentes ao orixá incorporado.

Ialorixá: Exatamente a mesma coisa que babalorixá, só que neste caso, trata-se de alguém do sexo feminino. Também é chamada de "mãe-de-santo" ou zeladora.

Iaôs: Filhas-de-santo, que entoam os cânticos de louvor aos orixás e dançam em roda, durante os trabalhos. Em geral, são entoadas de três a sete cantigas para cada orixá. Quando este "desce", incorpora-se nas iaôs correspondentes. Vale ressaltar que as iaôs dividem todas as atividades realizadas no terreiro, inclusive limpeza, preparação das oferendas, etc.

Ogans: Filhos-de-santo encarregados de garantir a manutenção do terreiro, por meio de contribuição financeira ou de algum benefício obtido por meio de seu prestígio pessoal. São sempre designados pelo responsável da casa. Cabe ao Conselho de Ogans garantir a subsistência material do terreiro.

Pai-pequeno (ou mãe-pequena): Assistente direto do babalorixá ou da ialorixá. Existem ainda os "Candomblés de Caboclo", típicos dos cultos trazidos pelos negros de Angola. Nessas cerimônias, as filhas e os filhos de santo incorporam não apenas os orixás (que jamais conversam com os presentes), mas também os espíritos de "caboclos", que seriam entidades de luz da corrente indígena.