JURA EM PROSA E VERSO
RELIGIÕES, IRMANDADES E SISTEMAS FILOSÓFICOS OU POLÍTICOS
Bahá’í
O que é? 
É uma religião mundial, independente, com suas próprias leis e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia, atual Irã em 1844. A Fé Bahá’í foi fundada por Bahá’u’lláh, título de Mirzá Husayn Ali (1817-1892) e não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio. 
Onde está? 
A Comunidade Bahá’í com aproximadamente 6 milhões de adeptos, é a segunda religião mais difundida no mundo, superada apenas pelo Cristianismo, conforme afirma a Enciclopédia Britânica. Os bahá’ís residem em 178 países do mundo, em praticamente todos os territórios e ilhas do globo. 
23 de maio de 1844 - Nasce uma nova civilização! 
Na tarde de 22 de maio de 1844 um viajante encontrava-se diante dos portais de entrada de Shiráz. Viera de Karbilá em uma busca espiritual em sua terra natal, o Irã. Um barco o transportara de Búshihr no Golfo Pérsico. Daquele porto insalubre sua rota continuou através de montanhas de difícil acesso até a renovada cidade de Shiráz. Estava acompanhado do irmão e de um sobrinho, ambos beirando vinte anos de idade, ele próprio com pouco mais de trinta anos. Haviam iniciado essa jornada com um propósito que para muitos parecia algo fantástico. Mas para eles, e para alguns outros como eles, tratava-se de algo bem real e urgente. 
O nome desse viajante era Mullá Husayn-i-Bushrú´í, e estava seguindo o conselho que seu mestre, Siyyid Kázim, deixara para seus discípulos pouco antes de falecer, que deviam deixar seus lares e seus retiros, abandonar seus estudos e seus debates e partir para o mundo a fim de buscar "o Senhor das Eras" (Sáhibu´z-Zamán), cujo advento era a expectativa de milhões de pessoas já há vários séculos. Sua luz superna iria logo se revelar ao mundo, dizia Siyyid Kázim. Mullá Husayn, juntamente com um grupo de discípulos, ficaram em vigília por quarenta dias na antiga mesquita de Kúfih, praticamente em ruínas, e então partiram para diferentes caminhos conforme determinado por seu mestre. 
Mullá Husayn era um homem de profundos conhecimentos e de uma vontade férrea. Nada o intimidava. Agora, tendo chegado à entrada de Shiráz, enviou seus companheiros à cidade para buscar um local onde se alojarem, mas ele mesmo ficou por mais alguns tempo caminhando pelos campos vizinhos. Sua mente estava ocupada com o objetivo de sua busca, uma busca que o trouxera a esta cidade depois de uma cansativa e longa viagem, cidade berço e sepulcro dos dois maiores poetas do Irã. Aqui, cerca de quinhentos anos antes, Háfiz havia composto seus maravilhosos e delicados versos. Aqui, Sa´dí vivera boa parte de sua vida e escrevera sua prosa lúcida e seus radiantes versos. Aqui viveram e morreram uma galáxia de homens de renome tanto em seus próprios dias como para a posteridade. O ar de Shiráz, a planície de Shiráz, as rosas de Shiráz, os ciprestes de Shiráz, todos haviam sido profusamente glorificados. 
Naquela tarde de calor de 22 de maio de 1844, Mullá Husayn estava por demais cansado depois da longa viagem da costa subindo por caminhos cheio de precipícios até a planície de Shiráz. Mas sua mente estava bem alerta e sua alma ansiosa pela paz que encontraria ao ver realizado o objetivo que o trouxera até aqui. Ao caminhar em reflexão, viu-se frente a frente com um Jovem cuja aparência muito o impressionou. Esse Jovem, gracioso e gentil, e cujo turbante verde denotava ser descendente do Profeta Muhammad, saudou-o com grande amabilidade. Mullá Husayn ficou deslumbrado com o calor deste inesperado encontro e das boas vindas recebidas. Foi a cortesia juntamente com a dignidade da aparência desse jovem Siyyed (um descendente do Profeta Muhammad) que o impressionaram particularmente. Então o Jovem convidou-o para ser Seu hóspede e compartilhar com Ele do jantar em Sua casa. Mullá Husayn mencionou que seus companheiros tinham ido à cidade e que estariam esperando por ele, ao que o jovem Siyyid respondeu: "Deixa-os aos cuidados de Deus; Ele com certeza protegerá e cuidará deles." (Alcorão, xv, 46). 
"Em poucos minutos nos encontramos diante do portão de uma casa de aparência modesta," Mullá Husayn recorda. "Ele bateu na porta, a qual foi logo aberta por um servo etíope." "Entre em paz, em segurança" foram Suas palavras ao cruzar o hall de entrada e fazer sinal para eu segui-lo. Seu convite, feito com poder e majestade, penetrou em minha alma. Pensei que seria um bom augúrio ser convidado dessa forma, enquanto permanecia em pé à entrada da primeira casa que visitava em Shiráz, uma cidade cuja própria atmosfera havia me impressionado de forma indescritível." 
Shiráz conseguira lançar seu encantamento sobre Mullá Husayn. Mas ele não imaginava que seu jovem Hospedeiro, cujas palavras demonstravam autoridade, era aquele "Senhor da Era", o "Qá´im da Casa de Muhammad" que ele estava procurando, embora não pudesse deixar de sentir que o encontro inesperado podia de alguma forma levá-lo ao término de sua busca. Ao mesmo tempo, estava apreensivo pelo fato de ter deixado seu irmão e seu sobrinho sem notícias suas. Mais tarde, relembraria: "Extasiado com Seus atos de extrema bondade, levantei-me para sair. ´O tempo da oração da noite está chegando´, mencionei. Prometi aos meus amigos encontrá-los naquela hora no masjid-i-Ílkhání. (uma mesquita muito conhecida de Shiráz) Com extrema cortesia e calma, Ele replicou: "Você deve, com certeza, ter fixado a hora de seu retorno condicionado à vontade de Deus. Parece que Sua vontade decidiu diferente. Não precisa temer ter quebrado sua promessa." Tal assertiva indubitável deve ter feito Mullá Husayn entender que ele estava para passar pelo teste supremo de sua vida. 
Oraram juntos, após o que sentaram-se para conversar. E subitamente Ele perguntou ao Seu hóspede: "Quem, depois de Siyyid Kázim, você considera como seu sucessor e seu líder." Depois mais, perguntou: "Seu mestre deu a você algumas indicações detalhadas sobre os aspectos distintivos do Prometido?" Mullá Husayn respondeu que Siyyid Kázim havia instruído seus discípulos a se dispersarem depois de sua morte, indo em busca do "Senhor da Era", e que na verdade deu algumas indicações pelas quais podiam reconhecê-Lo. "Ele é de uma estirpe pura, de ilustre ascendência", disse Mullá Husayn, "e da semente de Fátimih. (a filha do Profeta Muhammad e esposa de ´Alí, o primeiro Imame). Quanto à Sua idade, está entre vinte e trinta anos. Ele é dotado de conhecimento inato,não fuma e não tem qualquer deficiência física." 
O silêncio era total - a pausa que precede o romper da alvorada. Mullá Husayn nos disse que o silêncio foi quebrado pela "voz vibrante" de seu Hospedeiro que declarou a ele: 
Observa, todos esses sinais estão manifestos em Mim. 
Mullá Husayn ficou chocado e deslumbrado, momentaneamente. Tentou resistir a tão fantástica afirmativa. Mas a Verdade olhou para ele nos olhos. Tentou buscar argumentos, mas a Verdade é seu próprio argumento. 
Mullá Husayn disse: "Aquele cujo advento esperamos é um Homem de santidade insuperável, e a Causa que Ele irá revelar é uma Causa de um poder grandioso. Muitas e diversas são as exigências que Aquele que reivindicar tal condição deverá cumprir. Muitas foram as vezes em que Siyyid Kázim se referiu à vastidão do conhecimento do Prometido! Freqüentemente dizia: "Meu próprio conhecimento é apenas uma gota comparado com aquele do qual Ele é dotado. Todas as minhas realizações são apenas um grânulo de pó diante da imensidão de Seu conhecimento. Mais ainda, a diferença é incomensurável!" 
O Anfitrião disse a Mullá Husayn: "Agora é o tempo para revelar o comentário sobre o Sura de José." 
"Pegou Sua caneta", relata Mullá Husayn, "e com rapidez incrível revelou por completa o Súrih de Mulk, o primeiro capítulo de Seu comentário sobre o Sura de José. O efeito poderoso da maneira como Ele escreveu foi ainda maior pela entoação suave de Sua voz que acompanhava Sua redação. Nem por um momento interrompeu o fluxo dos versos que fluíam de Sua caneta. Sentei-me, absorto, pela mágica de Sua voz e pela força irresistível de Sua revelação." 
Mas Mullá Husayn estava ansioso para ir ao encontro de seus companheiros. Desde à tarde - que agora parecia ter ocorrido há muito tempo - quando os enviou à cidade e ele próprio ficara à entrada dos portões, não tivera notícias deles. Por isso levantou-se e pediu permissão para partir. Seu Hospedeiro, sorrindo, disse: "Se você sair agora, no estado em que se encontra, quem quer que o veja irá dizer: "Este pobre homem perdeu o juízo." Naquele momento, Mullá Husayn Lhe disse: "o relógio marca duas horas e onze minutos após o pôr do sol." 
Exatamente naquele momento uma nova Dispensação havia nascido. 
"Esta noite", disse Aquele que prenunciou a nova Dispensação, Aquele que foi o arauto de um novo ciclo na vida da humanidade, "esta hora precisa será, em dias futuros, comemorada como um dos maiores e dos mais significativos de todos os festivais.'' Nos dias atuais, aquela noite (23 de maio) e a hora definida são comemoradas com alegria, reverência e gratidão em todo o mundo nas comunidades bahá'ís. 
(textos traduzidos do livro de H.M.Balyuzi, O Báb, o Arauto do Dia dos Dias, pp. 15-20, edição em inglês) 
O que ensina a Fé Bahá'í? 
A Unidade da Humanidade: "... hoje todos os horizontes do mundo estão iluminados com a luz da unidade... fomos criados para levar avante uma civilização em constante evolução..." 
A livre e independente busca da verdade: "A luz é boa, não importa em que lâmpada brilhe... uma flor é bela, não importa em que jardim floresça..." 
A eliminação de todas as formas de preconceitos e discriminação: "...somos as folhas e os ramos de uma mesma árvore... as gotas de um único mar..." 
A igualdade de direitos e oportunidades para o homem e a mulher: "A humanidade assemelha-se a um pássaro, uma asa é o homem e a outra, a mulher. O pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio dessas duas asas..." 
A harmonia essencial entre a religião, a razão e a ciência: "A verdade é uma só e é indivisível... o progresso da humanidade depende desses fatores..." 
Educação compulsória universal "O homem é uma mina rica em jóias de inestimável valor, a educação, tão somente, poderá fazê-la revelar seus tesouros..." 
A revelação divina é progressiva: "Deus é um, a religião é uma, a humanidade é uma... o objetivo da criação humana é conhecer e adorar a Deus... Todas as religiões provêm de um mesmo Deus..." 
(Todas as frases entre aspas citadas nesta página, são Sagradas Escrituras Bahá'ís) 
Mais informações obtenha no site http://www.bahai.org.br/