JURA EM PROSA E VERSO

POESIAS E TROVAS POPULARES

TROVAS DO QUOTIDIANO

Nestas festas de Verão

andam todos a dançar

uns são ricos outros não

pois a alma é popular.

 

Em aldeias ou cidades

vale tudo, pois então,

o brio não ‘scolhe idades

nem despreza a tradição.

 

Seja noite, seja dia,

cada hora é preciosa,

procissão ou romaria,

festa brava deliciosa.

 

Há feiras e diversões

cabeçudos pauliteiros

em cada canto foliões

e moças de ares brejeiros.

 

Tambores e cornetadas

ouvem-se por todo o lado

há foguetes de alvoradas

e fogo preso anunciado.

 

Andam ranchos e folclore

pelas ruas desfilando

o Reitor prega de cor

e a banda vai alegrando.

 

Enfeitando as janelas

os vaidosos manjericos

trazem flores nas lapelas

tanto pobres como ricos.

 

As crianças mais traquinas

vão pedindo uns tostões

p’ras cascatas das esquinas

de volta com arranhões.

 

Estendem mão ao turista

e o barrete ao sacristão

piscam o olho ao fadista

de guitarra ou violão.

 

Sabem dizer cantilenas

lançam fitas em harmônio

e nestas noites amenas

são os fãs de Sto. António.

 

De noite não têm medo

junto à fogueira bravia

pedem meças a São Pedro

e foliam até ser dia.

 

Cheira a febras e a chouriça

anda vinho na caneca

p’ra folia não há preguiça

todos são levados da breca.

 

Até os velhos e as velhas

não têm vergonha, não,

andam p’las escuras quelhas

a cantar o São João.

 

E quando o calor aperta

e a sede a boca incendeia

há torcida pela certa

ainda antes da ceia.

 

E quando cai a noitinha

o aroma é de matar

há pimentos e sardinha

e pão fresco a estalar.

 

Porta aberta p’ra quem passa

manda Deus assim fazer

que não haja mais devassa

quem não tinha passe a ter !

 

Frassino Machado

In TROVAS DO QUOTIDIANO