JURA EM PROSA E VERSO

POESIAS E TROVAS POPULARES

A VOZ ROUCA DO VENTO E DO MAR      (OBS:Este título foi arbitrado por Jura em Prosa e Verso, vez que, na fonte de onde foi extraído este poema, o mesmo não estava titulado. Por favor, se alguém souber o título deste poema me informe através E Mail para    jurandi@juraemprosaeverso.com.br)

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o vôo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente.


Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.

(Antero de Quental)