JURA EM PROSA E VERSO

POESIAS E TROVAS POPULARES

A ZONA DE CONFORTO (Rogério Beça)

É lá, onde a recta beija a curva,
a água cristalina fica mais turva,
onde o direito nasceu torto,
a vida o alter-ego do aborto
é aí mesmo à beira do nada,
na água parada, a minha zona de conforto.

É lá, que aqui se torna
onde o caldo mais obscuro se entorna
onde reinam os vis os porcos e maus,
nesta pedra que é dura e caos,
o que nasce já vem sempre morto,
na água parada, a minha zona de conforto.

Até o medo, credo, anda de escolta,
e respirar é um meio de revolta,
para puta há sempre puta e meia.
a tempestade é o que se semeia
com ventos à mistura e barcos sem porto,
na água parada, a minha zona de conforto.

Rogério Beça