JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS DO JURANDI

O ZÉ E SEU BICHINHO (Jura em Prosa e Verso)

 

 

O Zé sempre foi desses que desconfiava de tudo e de todos, até dos amigos. Se alguém lhe contasse um causo, ou um fato histórico, o que quer que fosse, ele só acreditava depois de ir confirmar nos livros ou com outras pessoas.

Houve um tempo em que o Eu e o Zé andávamos comprometidos com as nossas desconfianças; chegamos a cogitar a possibilidade de só nós existirmos de verdade; os outros eram apenas fruto de nossa imaginação. O tempo passou, percebemos que era muito complicado convencer as outras pessoas e ele abandonamos essa teoria difícil, mas tentadora.   O Zé começou a trabalhar e não pudemos mais ficar juntos todo o tempo, como antes.

Uma vez o Zé armou uma arapuca na sala, pra ver se capturava algum gnomo,(haviam-lhe dito que gnomos existiam e ele pretendia comprovar). A armadilha que ele armou não pegou, é claro, nenhum gnomo, mas pegou um rato gigante que o Zé acabou adotando como seu animal de estimação. Era um excepcional e extraordinário rato gigante. Encontrei meu amigo Zé, em sua casinha ao PE da montanha, por várias vezes, abraçado e enroscado no seu amigo rato gigante. Pareciam um só.

Conto este caso verídico do rato gigante do Zé, empenhando nisso a credibilidade do Jura em Prosa e Verso, pois comprovo ser verdadeiro.

O crescimento do Rato foi anormal e vertiginoso. Sempre que eu ia na casa do meu amigo Zé eu me espantava com o tamanho do rato, que já mais parecia um monstro que um simples rato. Para que se faça uma idéia o Zé era um rapaz alto, tinha 1.75m de altura e o Rato batia na cintura dele, impressionante. Na sua casa não havia problema de gatos, nem de outros bichos, pois todos fugiam com medo do Rato.

Mas o Rato era a paixão da vida do Zé. Ouvi até rumores de que até que rolava algo mais entre eles, mas acredito que era apenas boatos. O Zé tratava o amigo com extrema generosidade e amabilidade, nunca havia feito sequer uma reprimenda no animal amigo. Talvez aí ele tenha errado, em não impor sua liderança, não ensinar obediência ao seu bichinho de estimação, ou melhor sua fera de estimação. O Jura em Prosa e Verso sempre aconselhava:  

- Zé, imponha limites ao seu amigo, pois ele está crescendo demais e isso pode ser perigoso!

Acontece que o Rato era muito folgado , muito inteligente, e o Zé achava que entre eles havia um elo de "amizade" e de confiança. Assim como ele o tratava bem, o seu querido ratinho seria incapaz de traí-lo ou de fazer-lhe mal.

Tudo ia bem entre os dois até o dia em que o Zé foi trabalhar e esqueceu de alimentar o Rato antes de sair.

Isso nunca havia acontecido antes, e com certeza foi o motivo da tragédia. 

Logo que o Zé chegou do trabalho, notou que o Rato estava inquieto, pulando, batendo nas paredes e na porta, parecia estar tremendamente agitado e raivoso. 

Notando tal agitação, meu amigo Zé abriu a porta rapidamente e assim que ele entrou  começou o massacre; uma luta quase inimaginável entre um ser humano e um rato. Luta não, o ser humano não teve chance, como já disse foi um massacre. 

O Rato devorou o Zé. 

Após isso tudo o Rato gigante, que era um ser super inteligente, fugiu para a floresta e nunca mais foi visto.

Quando eu, o Jura em Prosa e Verso, cheguei na casa do meu amigo Zé, para visitá-lo, e vi as marcas da tragédia, sangue por todo lado, imaginei todo o ocorrido e me dispus a escrever estas linhas para informar aos meus leitores visitantes do site www.juraemprosaeverso.com.br.

Tenho dito.

 FIM