JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS

Minhas reflexões sobre como as mulheres podem superar a infelicidade no casamento

(Autor: José Jurandi Brito dos Santos)

PRÓLOGO:

SABEMOS QUE EXISTE MULHER INFELIZ NO CASAMENTO.  

ESSA INFELICIDADE DECORRE, NA MAIORIA DAS VEZES, POR NÃO TER O DISCERNIMENTO NECESSÁRIO PARA ENFRENTAR OS FATOS QUE CONTRARIAM A SUA VONTADE, ACEITAR O SEU COMPANHEIRO DO JEITO QUE ELE É. AO INVÉS DE CRITICAR SEUS DEFEITOS, APRENDER A CONVIVER COM ELES. 

CONVIVER COM OS CONTRÁRIOS, APESAR DAS DIVERGÊNCIAS DE OPINIÃO É ATITUDE NOBRE E DEMONSTRAÇÃO DE SABEDORIA.

FOI MEDITANDO SOBRE OS TEMAS ACIMA QUE ME DISPUS A ESCREVER ESSA FICÇÃO, COM O OBJETIVO DE AJUDAR ÀS MULHERES INFELIZES NO CASAMENTO.

LEIAM COM ATENÇÃO E DESFRUTEM DOS RICOS ENSINAMENTOS CONTIDOS NA MORAL DA HISTÓRIA.

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LUCIANA

LUCIANA era insossa, sem tempero, sem luz, e essas características faziam com que o seu dia-a-dia não tivesse a menor graça. 

Muito tímida e introspectiva, LUCIANA  tinha dificuldade em se comunicar, coisa que fazia apenas em casos de necessidade. 

Tinha uma beleza apenas comum, pois não era feia, mas também não se podia classificá-la como uma mulher bela. O seu jeito de ser a tornara esquisita. 

Aos 22 anos ainda não terminara seus estudos básicos. 

Talvez fosse um caso de extrema carência, visto que a discriminavam pela sua forma de ser. Queria desesperadamente segurar-se a algo que fosse somente seu. (Este é o maior dos problemas de quem busca com ansiedade soluções práticas para suas deficiências, ao invés de identificá-las e aprender a conviver com elas, se não puder tratá-las).


Por ser de família humilde, o constrangimento era ainda maior e precisava se sobressair de alguma forma para contornar sua fama de mal-sucedida.


Certa vez, numa festa, encontrou o JURA,  um membro da aristocracia e da nobreza, um  cara famoso por suas conquistas. Nesse dia  JURA notou-a achegou-se a ela e a cortejou. LUCIANA sentiu-se, pela primeira vez, privilegiada;  e assim, achou ter encontrado  a solução tão procurada para a realização do seu desejo de ter algo só seu. 

Mas até LUCIANA, com sua mediana inteligência, percebeu que o conquistador apenas  a tratara como a tantas outras.    Frustrou-se profundamente; mas, ainda assim, decidiu que aquela seria a sua salvação. Quem não gostaria de possuir o JURA, um nobre e o homem mais cobiçado da cidade ? Além do mais, o destino pregara-lhe uma peça: ela se apaixonara perdidamente pelo "Don Juan", ou melhor, Don Jura.


Engravidou, então, na desesperada tentativa de segurá-lo, sempre alegando um descuido. Como o JURA não aceitou a sua gravidez, ela só para agradá-lo e não perde-lo, para provar suas boas intenções, resolveu abortar, apesar do trauma que um aborto representa para as mulheres. 

Não adiantou. Jura continuou a trata-la mal e o aborto foi pior, pois ele já se sentia desobrigado dela.

LUCIANA, então, conspirou contra o mesmo, fazendo com que  seu pai soubesse de tudo, pois até então o relacionamento deles era escondido, pois JURA não queria saber de namorar em casa, de família, noivado, etc...  O pai de LUCIANA, homem de moral rígida, tão logo soube, interferiu de fato , com vigor e razão, obrigando o rapaz e sua família a um constrangido compromisso  com ela, o que, de certa forma, era conveniente para a família da moça, posto ser o rapaz de condições financeiras melhores que as suas e talvez, apesar de toda fama de "Dom Juan", lhe garantisse um futuro melhor.


Diante do fato que envolvia as duas famílias (a do rapaz e a dela),e por serem os pais de Jura pessoas de moral ilibada, inclusive ligados à Maçonaria,para evitar escândalo e constrangimentos para sua família Don Jura acabou por sucumbir a pressão e aproveitou um quartinho, onde se encontrava com suas amantes, e lá instalou-se com LUCIANA. 

Foi então que começou nova etapa em sua triste vida. Porque o rapaz sempre a avisara de sua forma de ser, do seu prazer em estar com os amigos e ter liberdade total como dantes.


Luciana submetia-se a tudo. Ele chegava em casa com roupas sujas de batom. As vezes saía a noite e só voltava no dia seguinte. Normalmente não a apresentava para os amigos, visto ser ela era tão introspectiva que  causava-lhe vergonha;  e ela foi agüentando o que podia, só para ter a sensação de uma conquista, para auto afirmar-se, além do que, cometera o maior pecado, que foi não lutar para controlar a sua paixão. Luciana estava a cada dia, e a cada maior sofrimento, mais apaixonada pelo marido. Porém,  ela ainda não se conformava com o fato de que ele nunca fora seu. Ele, apesar dos defeitos, era um homem justo e  tinha , isto sim, um sentimento de pena e culpa por ela e era isso que o mantinha ao seu lado, mas ela fingia não perceber este fato. Agora estava casada e certamente, mais cedo ou mais tarde, conquistaria o amor e a fidelidade total do  marido, pensava ela.


Além dos traumas de ordem sentimental, LUCIANA tinha também problemas de ordem psico-emocional, que se agravavam com o descaso  e a falta de interesse do marido por ela. De tempos em tempos, tinha uma crise nervosa que a deixava até impossibilitada de falar. Ficava muda  por uma semana ou mais, parecia um zumbi, e às vezes, nem comia, sendo necessário força-la a alimentar-se.


Don Jura certa vez, sabendo que aquela relação forçada não teria futuro, resolveu devolvê-la a seus pais, mas no dia seguinte, sob a alegação de que o pai a expulsara de casa, ela voltou para o seu homem e este penalizado, e por ser um homem justo, novamente a acolheu.


LUCIANA tentava a todo custo engravidar novamente para ficar mais segura com o marido , mesmo não sendo bem quista por ninguém, porque tanto o marido, como os sogros, cunhados e demais familiares dele ignoravam-na solenemente. Tentou engravidar até que conseguiu, ainda que contrariando seu  marido, mas sabendo que o marido não poderia mais livrar-se dela depois do filho, o que  de fato aconteceu. 

A obrigação legal de cuidar do filho foi mais forte e ele resolveu deixar tudo como estava, não falando mais em ir embora, nem em mandá-la embora.

LUCIANA teve seu filho e durante algum tempo continuou a sentir-se cada vez mais infeliz. 

Entretanto, um dia ela percebeu que tudo pelo que lutara, agora se concretizara. Ela tinha algo que era totalmente seu , que satisfazia finalmente o  seu desejo de felicidade. A sua felicidade tinha vindo com o filho e ela nem percebera;  antes ela só se prendia ao fato de que a gravidez e o filho tinham  sido um artifício para prender o marido, portanto, um ato anti-ético que nela provocava sentimento de culpa. 

Mas finalmente, dentro das limitações da sua vida, na verdade ela tinha conseguido uma estupenda vitória. Tinha conseguido, ao menos uma vez, satisfazer sua vontade. 

Ao compreender isso, transformou-se por completo. Ficou radiante, recuperou o vigor da juventude e dedicou-se completamente à sua própria vida e a do seu filho.

Não estava mais só, não precisava mais arquitetar planos que a tornavam cada vez mais infeliz. Não precisava mais estar triste, esperar, brigar, chorar, ser infeliz. 

Agora vivia de apreciar seu grande e único feito  que foi capaz de produzir. Seu lindo e vigoroso filho, razão de ser da sua vida e do seu renascimento moral, físico e espiritual.

PASSOU A IGNORAR SOLENEMENTE O MARIDO, QUE ADOROU ESSA ATITUDE, POIS COMPREENDEU QUE A ESPOSA HAVIA APRENDIDO A VIVER COM ELE DO JEITO QUE ELE ERA, SUAS AUSÊNCIAS NÃO MAIS A MACHUCAVA, SUA VIDA INDEPENDENTE DE AVENTURAS, FARRAS, FESTAS, MULHERES E TUDO MAIS NÃO MAIS A ABORRECIA, NEM A FAZIA SOFRER.

VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE, AMBOS VIVENDO A SUA PRÓPRIA VIDA E COMPARTILHANDO, APENAS, A CAMA,  A RESIDÊNCIA, E SEUS PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS.

A MATERNIDADE A SALVOU DE UMA VIDA TRISTE E INFELIZ.

MULHERES DO BRASIL QUE ESTEJAM INFELIZES COM SEUS CASAMENTOS!!! 

SIGAM ESTE EXEMPLO. ENGRAVIDEM E PASSEM A VIVER PARA SEUS FILHOS. DEIXEM SEUS MARIDOS EM PAZ QUE ELES TAMBÉM A DEIXARÃO EM PAZ, E TODOS VIVERÃO FELIZES E SATISFEITOS.

FIM.