JURA EM PROSA E VERSO

MINHAS REFLEXÕES

MINHAS REFLEXÕES SOBRE AS RELIGIÕES

AUTOR: José Jurandi Brito dos Santos

 

Antes de iniciar a exposição sobre as minhas convicções a respeito dos sistemas religiosos, convém definir alguns termos.

Consultei o Dicionário Virtual MICHAELIS/UOL/EDIÇÃO 2001 e encontrei o seguinte:

CATEQUESE: 1. Instrução metódica e oral sobre religião. 2. Doutrinação.

CRENÇA: 1. Ato ou efeito de crer. 2. Fé religiosa. 3. Opiniões que se adotam com fé e convicção.

DEUS: 1. O ser supremo; o espírito infinito e eterno, criador e preservador do universo; divindade. 2. Cada uma das divindades do politeísmo.

DOGMA: 1. Ponto ou princípio de fé definido pela igreja. 2. Fundamento de qualquer sistema ou doutrina. 3. O conjunto das doutrinas fundamentais do cristianismo.

DOUTRINA: 1. Conjunto de princípios em que se baseia um sistema religioso, político ou filosófico. 2. Opinião em assuntos científicos. 3. Catequese cristã.

 

Este trabalho pretende expor minhas convicções pessoais sobre as religiões em geral, não tratando, em nenhum momento, de uma religião em particular. É o fenômeno religioso, que congrega milhares e milhões de seres humanos, irmanados numa só crença, transformados em uma comunidade com identidade própria.

Deus para mim não é um ser com semelhanças ao homem, com super poderes, mágico e milagroso, que desafia as leis naturais. Ao contrário, Deus é a causa e a justificativa das leis naturais que regem o universo. Acredito que Deus  é uma força poderosa, talvez magnética e pulsante,  absolutamente lógica, que coordena com a mais absoluta precisão tudo o que existiu, existe ou existirá na natureza, desde o movimento no interior do mais minúsculo átomo, ao movimento dos gigantescos corpos celestes que povoam o espaço sideral. Está presente esta força no desenvolvimento evolutivo da primeira célula de cada um dos corpos humanos, desde a geração da vida até a velhice e a morte.

É por acreditar nesse Deus impessoal, lógico  que eu o chamo de DEUS, O  GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.

Eu só acredito no bem, pois Deus, o  GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, por ser absolutamente lógico, é a representação natural do bem, do que é justo e perfeito. Não existe oposição a Deus na natureza, portanto não existe o mal como uma força de oposição, nem tão pouco um ser que a represente. O que existe, o que é ruim e representa o mal, são os desvios de conduta do ser humano, que podem ter as mais diversas causas físicas ou  psicológicas, e serem impulsionadas pelos mais variados motivos, desde a falta da educação, até a injustiça social.

Acredito que a evolução natural, coordenada de forma lógica e não milagrosa nem mágica, por Deus, o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, transformou através dos milhões de anos, a matéria bruta em matéria viva . Em algum ponto desse processo, uma centelha de origem desconhecida modificou a estrutura de um átomo qualquer,  dando início à uma célula viva e assim ao processo evolutivo da vida no Planeta. A evolução continuada dessa célula, acontecida aos milhões de anos, culminou por produzir seres com condições de pensar, meditar, interpretar o que viam e sentiam. Esses seres passaram a observar  com mais atenção, os fenômenos da natureza, que não podiam controlar. Passaram a teme-los e associa-los a algo  que deviam cultuar. Criavam lendas sobre tais fenômenos, passavam a acreditar nessas lendas como se verdades fossem e ensinavam oralmente  às novas gerações a respeitarem e cultuarem tais verdades.

Esta é, na minha opinião, a mais remota origem da fé.

Com a evolução do homem, o aprimoramento da sua inteligência, a organização da vida em sociedade, a multiplicação aos milhares e milhões de seres humanos no planeta, a fé individual passa a reunir pessoas que se identificam pelo que acreditam, formando grupos religiosos.

De repente, o surgimento de um líder carismático arrebanha seguidores e deixa, após sua passagem, um movimento de continuidade da sua pregação. A história da vida desses líderes, então, é escrita e reescrita de modo fantástica, fantasiosa, milagrosa, e  em alguns casos até o nascimento e a morte passa a ser narrada como se tivesse acontecido de modo milagroso, desafiando as leis naturais, e não do modo como nascem e morrem todos os mortais.

São essas histórias fantásticas, escritas quase sempre muito tempo após a morte dos líderes, pelos seus adeptos e continuadores da sua obra, que dão origem aos livros ditos sagrados, que são as doutrinas das principais religiões existentes no planeta.

Entretanto, para convencer os estudantes das diversas doutrinas, é necessário que não haja possibilidade de qualquer contestação.

A doutrina tem que ser imutável, tida como absolutamente verdadeira e de seguimento obrigatório. Só se pode estudar dentro desses princípios. A catequese, ou ensino da religião anda por trilha única e estreita, e não permite qualquer desvio. É uma verdadeira lavagem cerebral que é feita na mente do estudante, em alguns casos desde o seu nascimento.

Daí o surgimento dos DOGMAS religiosos. Tudo o que contém uma doutrina religiosa, seja qual for a religião, e não puder ser explicado pelas leis naturais, é imposto como DOGMA e como tal tem que ser aceito.

Para não dar nenhuma margem a qualquer discussão, são inventadas expressões definitivas, como por exemplo: “É A PALAVRA DE DEUS”! Pronto. Se tal escrito é a “PALAVRA DE DEUS” não pode haver contestação. E, até a “Palavra de Deus” é interpretada de modo diverso entre uma e outra denominação religiosa. Sempre há um ou vários pontos de discordância entre as religiões. E cada grupo, cada religião exige obediência e fé cega ao que acreditam serem o caminho certo.

Ponto final.

Ou acredita ou é um infiel.

Como o DEUS religioso é milagroso, as narrativas dos livros ditos sagrados não têm que se preocupar com lógica nem com leis naturais. DEUS é um ser superpoderoso, e por isso, pode tudo. Não acreditar nisso é pecado e, em algumas ocasiões, já foi a causa da morte de incalculável número de seres humanos.

Entretanto, de acordo com o que eu acredito, Deus não fala, portanto, não pode existir a “palavra de Deus”. Nós, sim, nos comunicamos com Deus quando estudamos as leis que regem o Universo! E como Deus está presente em nós, inclusive no interior da mais minúscula célula do nosso corpo, nós nos comunicamos com essa Força Divina quando meditamos, quando geramos fluidos benéficos com nossos bons e edificantes pensamentos ou quando, ao fazermos um exame de consciência admitimos que erramos e nos dispomos a corrigir nossos erros.  

Nas religiões, quando acontecem divergências sérias dentro da cúpula que domina a comunidade religiosa, quase sempre vinculadas à luta pelo poder, os dissidentes têm que abandonar a religião, e sempre levam consigo vários seguidores e fundam novas religiões, parecidas com a original, mas com outros ensinamentos e incluindo como dogmas as opiniões objeto da cisão.

Quando isso acontece, os itens dos livros dito sagrados que estiverem em dasacordo com as novas idéias, são reescritos sob a ótica da nova fé. Expressões são modificadas, incluídas ou excluídas.

As traduções para outros idiomas são sempre feitas à luz da fé de quem traduz. Todos os livros, até os mais sagrados, foram escritos pelos homens de acordo com a sua fé e os mesmos homens os modificam, quando acham necessário, também de acordo com o que naquele momento, acreditam.

Assim nascem as religiões. Mais tarde, estas mesmas novas religiões talvez sofram cisões, com o conseqüente afastamento de líderes e o surgimento de novas denominações religiosas.

Isto é a fé.

E a fé, princípio que une milhões de fiéis, em alguns casos, pode dar origem a desvios monstruosos de conduta individual e coletiva, com sérios prejuízos para a humanidade, como por exemplo, as Guerras religiosas, onde em nome da fé, na defesa dos interesses da fé, seguindo o que as religiões ensinam sobre Deus, destroem milhares e milhões de vidas humanas. Essas Guerras, sempre existiram,  continuam a existir e não terão fim nesta etapa da evolução humana.

Representam o lado negro e maléfico de algumas doutrinas religiosas. Nestas, a vida não tem valor, tem que ser dedicada à causa religiosa.

O soldado fanático religioso é o pior inimigo que pode existir, pois ele se considerará feliz se morrer combatendo. Por isso, não tem a mínima preocupação com a sua segurança, nem com a dos outros. Em alguns casos, o inimigo nem é especificado, podendo ser qualquer um, sejam crianças, mulheres, velhos, civis alheios à guerra ou combatentes.

Explodir um carro-bomba, detonar uma bomba no próprio corpo, lançar aviões cheios de passageiros inocentes, sobre prédios lotados de pessoas também inocentes, matando-se mas destruindo os que a religião considera  inimigos, é um momento glorioso. Devido a sua fé cega ele acredita que será recompensado após a sua morte e que está agindo obedecendo à vontade de Deus.

Como negativo, nas religiões, eu vejo: A INTOLERÂNCIA, O FANATISMO , O PRECONCEITO  E OS DOGMAS.

Mas não existe apenas o lado negro nas religiões.

As religiões, em sua maioria, prestam relevante serviço à organização da humanidade, quando ao ensinar sobre o bem e o mal, ajudam o homem a educar-se quanto ao uso dos seus instintos naturais, a controlar os ímpetos de violência e fazer com que o homem conheça limites, saiba o que pode e o que não pode fazer. Ao congregar seres humanos, ajuda a aperfeiçoar valores importantes, como FRATERNIDADE,  VIDA EM COMUNIDADE, CARIDADE, AMOR AO PRÓXIMO. Ao conviver com as comunidades e com os governos, dão sua contribuição no aperfeiçoamento das instituições.

Quando uma Religião conquista milhões de adeptos e se espalha por vários países, ganha uma estrutura de governo gigantesca, quase sempre baseada numa hierarquia rígida. O poder político e econômico então se manifesta através da intromissão  da religião nos governos. Temos casos de religiões com estrutura política e econômica tão poderosa que chegam a dominar países, seus governantes, e seu povo, impondo de maneira ditatorial  seus princípios e até perseguindo os que não professem esta mesma fé.

Se a terra viver uma nova guerra de proporções mundiais, acredito que ela terá origem religiosa. Os princípios religiosos com seus dogmas são o mais iminente perigo que ameaça a humanidade hoje em dia.

Na minha opinião, as religiões são uma fatalidade que teria que acontecer.

 Faz parte do processo evolutivo do ser humano.

A evolução do homem se dá aos milhares e milhões de anos.

 A vida do homem é muito curta e não pode acompanhar a sua própria evolução. Enquanto as etapas da evolução natural do homem podem durar centenas de milhares ou até milhões de anos, os registros escritos, a memória que temos de fatos passados,  datam de apenas centenas ou, no máximo, alguns poucos milhares de anos.

Acredito que a evolução é uma realidade constante, e pode acontecer que o homem, ao passar mais algumas dezenas ou centenas de séculos, pode vir a ter um grau de perfeição tal que possa conviver em perfeita harmonia com Deus, o Grande Arquiteto do Universo.

Aí então, não haverá divisões físicas na terra, nem divisões ideológicas como as provocadas pelas religiões, nem guerras, nem ódios. A terra terá um só povo, evoluído físico, mental e culturalmente, vivendo em perfeita harmonia com a terra, com o cosmos, e com Deus.

 

F I M