JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS DO JURANDI

LUCIANA - O CONVITE

(Adaptação de José Jurandi Brito dos Santos, o Jura em prosa e Verso, de um pequeno conto encontrado na Internet, de autor anônimo)

LUCIANA já estava casada há quase sete anos.

O marido era até razoável, mas sentia um certo tédio, carente que estava de emoções fortes. Achava que a vida tinha mais a oferecer do que almoços nos fins de semana em churrascarias, férias esquiando nas Montanhas de Gelo do Palácio de Jeremoabo e sexo repetitivo com duração semelhante a uma viagem de trem Calçada a Paripe, no máximo Periperi  se bem que às vezes tudo acabava antes de chegar no Lobato.

 Sentia-se descontente, só não sabia o que fazer para mudar. Com este estado de espírito, ela, às 8 da noite, atende o telefone:

- Lucinha?

- Sim.

- O negócio será hoje depois das 11. Você não pode deixar de ir. Vá de preto, de preferência...

- Quem esta falando?

- Aqui é o Basílio. Quem pediu para convidar você foi a Célia.

- Quem?

- A Celinha Meia-Taça, a dos peitinhos miúdos. Ela falou que você se amarra nestas coisas. Eu estou levando aquilo.

- Mas escute aqui, eu não sei ...

O interlocutor  a interrompeu, no entusiasmo com que estava falando. Ela era LUCIANA mas certamente não era a Lucinha de que ele falava, nem conhecia as pessoas que estavam sendo citadas. Tudo só podia ser uma ligação errada, mas ela continuou escutando.

- O pessoal vai estar todo lá: o Serjão, o Serginho, o Espanador, a Paulete, que foi caso do Raposão. Você soube que eles romperam, não?

- Não, não soube. Para dizer a verdade, eu nem ...

- Pois é, o Raposão talvez vá, não deu certeza. A Paulete estará "alone". Ah, vão também a Mariúcha e o Braga. Vai pintar o maior lance.

Nisto, por uma armadilha do acaso, entra no quarto o marido.

- Tudo bem, daqui à meia hora me ligue, tchau.

- Com quem você estava falando?

- Com um colega da época da faculdade. Estava me convidando para um jantar de confraternização da turma. Ficou de me telefonar mais tarde para dar o endereço do restaurante.

- Ah, sei.

Apesar de entediada, ela era criativa. Raciocinava rápido.

 Em frente à TV, LUCIANA, ansiosa, não consegue se concentrar. Tenta entender o convite e o que está se passando.

Não podia ser a Célia da faculdade. Ela mora na Europa e não tem peitos pequenos. Terá voltado de lá e feito plástica? 

A festa, sim, só podia ser uma festa, deverá ser uma loucura. Vão estar lá o Serjão e o Serginho - um dos dois deve ser parecido com o Charles Bronson, o Espanador - na certa, jornalista, a Paulete, agora sozinha e também o Braga com a Mariúcha, um casal de mente aberta, sexualmente falando. (Nestes créditos quem lhe despertou mais interesse foi o Raposão, que, infelizmente, segundo o Basílio, não deu certeza se iria.) 

Sua imaginação estava a mil. Já é tarde. O Basílio não ligou de volta. LUCIANA pensa no pessoal que vai estar todo lá... as mulheres de roupas pretas... o negócio vai começar daqui a pouco e ele levará aquilo... 

O marido, de pijama amarrotado, já esta roncando. 

Ela desperta de um cochilo. 

Acabara de sonhar que estava sendo possuída pelo tal Raposão. 

Pensa no pessoal todo lá - vestidos pretos pelo chão, na Celina Meia-Taça, de peitos miúdos, no Basílio e principalmente, naquilo!!! 

Poxa, ele vai levar aquilo! Do que será que ela esta deixando de participar? 

Decide que é melhor tratar urgente da sua separação. Estes acontecimentos são imperdíveis, ainda mais com a possibilidade da presença do Raposão.

FIM