JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS DO JURANDI

LUCIANA - AVENTURA NA FLORESTA

(Autor: Jura em Prosa e Verso - Escrito em 01 de novembro de 2008)


Era uma noite de lua, mas as copas das árvores não deixava passar muita claridade. Eu havia acordado no meio da noite e passeava pela floresta, apreciando o frescor da noite, os ruídos naturais, os aromas e o ar de mistério que envolve o ambiente.


Passeava com passo lento, despreocupada, sem ocupar minha mente com problemas de nenhuma espécie. Estava indo na direção de um lago, onde costumava banhar-me, quando estava sem sono, como nesta noite.


Os ruídos dos animais eu já os conhecia todos e  eles também já me conheciam, pois naquela minha minha floresta todos me reverenciavam, quando eu passava. Os macacos me ofereciam flores e frutos, os castores nozes, os elefantes me ofereciam carona, os leões ficavam atentos me dando proteção, as corujas me saudavam piando à minha passagem, e fazendo as caretas próprias das corujas. Alguns animais até me seguiam, como alguns coelhos, cágados e jacarés. (Bem, eu sei que estes animais, tirando as corujas, à noite deveriam estar entocados ou agasalhados em seus ninhos ou casas, dormindo, mas deixa pra lá, isto é só um conto mesmo... tudo pode acontecer... até isto, por favor, não me incomodem, nem interrompam minha narrativa).


De repente, senti um tremor no corpo e meus membros ficaram adormecidos, paralisados. Praticamente virei estátua. Um vento gelado encheu o ar. Todos os animais apavorados trataram de se esconder e emudecer, deixando a floresta com aquele silêncio pesado que parece dizer a você que o terror está pra chegar.


O que estaria acontecendo?´- pensei. Nada de bom seria. O medo do desconhecido apoderou-se de mim.


Tentava virar a cabeça e perscrutar em volta, mas não conseguia me mexer. O vento aumentou, redemoinhos começaram a se formar à minha volta.


Então tudo parou, todos os sons, os ventos, não se via uma folha se mexer na minha floresta.

No meio deste ambiente, surgiu uma luz no caminho, como se alguém estivesse se aproximando segurando uma vela ou um candeeiro. Um vulto indistinto se formou em minha retina e foi se aperfeiçoando, à medida que se aproximava, foi crescendo, tomando forma... e eu o vi. Um negrinho, que andava aos pulos, com uma perna só, um cachimbo na boca, e uma touca vermelha, com pontas compridas, que lhe caíam sobre os ombros. Ele era jovem, cabelos carapinhos cortados curto sob a touca e deslocava-se com desenvoltura e elegância, apesar de ter uma perna só. (- Epa! como pode alguém, com uma perna só, deslocar-se com essa elegância toda?  - Já falei que isto é só um conto, e que aqui tudo pode acontecer... Não interrompa minha narrativa, pô!)


Quem seria?


O negrinho aproximou-se de mim, notou que eu estava paralisada, e fez um movimento de estalar os dedos , enquanto gritava em um idioma que não identifiquei de pronto, mas que compreendi perfeitamente:


- BUCETILDES INFERNALIS!!!


Imediatamente senti que recuperava minha capacidade de falar. No entanto, quis gritar, mas o terror era tanto que mesmo podendo, não consegui articular nenhum som, continuando como se muda estivesse, perante aquele negrinho que devia ser um poderoso mágico ou feiticeiro, para conseguir estes efeitos em meu corpo.


Ele chegou perto de mim e enquanto me circulava observando cada detalhe de meu corpo, exalava um agradável cheiro de banana nanica (ou seria jaca madura?). Encostou sua boca em meu ouvido e bem baixinho perguntou naquele idioma desconhecido, mas que para minha surpresa, não só eu entendia, como também, não sei como, nem porque, eu sabia falar:


- Cadê o Tarzan, seu marido?


- Saiu ontem para caçar e expulsar da nossa floresta uns mineiros maus, que invadiram este nosso recanto sagrado, em busca de minerais preciosos que dizem existir nos rios e lagos desta floresta. Provavelmente não voltará antes de três sóis. - Respondi, e minhas cordas vocais articularam automaticamente os sons no idioma misterioso.


- Então você ganhou um grande prêmio na loteria. Vou liberar seus movimentos, mas você terá que tirar essa pele de onça que a cobre, e em seguida ouvir-me em silêncio. Não reaja, porque eu às vezes sou bonzinho, mas em outras posso ser muito mau. Qualquer reação de sua parte e eu direi uma única palavra e você poderá sofrer horríveis dores ou obter defeitos físicos que a deformarão o corpo pelo resto da sua vida. Fique pois quieta, de pé e em silêncio.

O que seria aquilo? Quem seria aquele ser misterioso e tão poderoso?

A essa altura consegui virar um pouco o rosto e olhar a face do negrinho... e até que era bem apessoado.

Ele riu para mim e, levantando os braços para os céus, exclamou com energia, no estranho idioma:

-ARRIBUNDIS PICOLIS!

Recuperei todos os meus movimentos. O negrinho imediatamente fez um gesto para que eu tirasse minha pele de onça. Como não queria ficar com defeito físico, nem sofrer as dores atrozes que ele ameaçara, obedeci imediatamente, ficando inteiramente nua, à sua disposição.

O negrinho, a partir daí, mostrou-se um perfeito e legítimo cavalheiro e fino galanteador. Seus modos, linguagem e gestos  eram de pessoa culta e civilizada. Passou a cortejar-me com a elegância de um experimentado e virtuoso amante.

Tocou-me com suavidade, e suas mãos eram macias e me causaram suaves sensações de arrepios. Seus dedos acariciaram-me o colo e o pescoço antes de enterrarem-se em meus cabelos cor de fogo, procurando libertá-los. Os grampos se soltaram e a massa de fios sedosos que  adornavam a  minha cabeça deslizou por suas mãos. Fechei os olhos e joguei a cabeça para trás. O som suave que escapou involuntariamente dos meus lábios entreabertos, atingiu-o com a força de uma espada.

Ele excitou-se. Notei que a rigidez do seu desejo pulsava por sob a fina pele de pantera, única veste que o cobria. Ele abraçou-me e eu extasiei-me com a sensação dos meus seios apertados contra seu peito vigoroso, e senti seu músculo rígido, sob a pele, pressionando-me.

Eu já me sentia enfeitiçada, fascinada, perdendo o controle das minhas ações, desejando entregar-me sem reservas àquele abraço afetuoso, àquelas carícias. O negrinho beijou-me vorazmente e eu enlacei-o pelo pescoço, com igual urgência. A forma inconsciente, porém voluptuosa,  com que eu reagi ao seu beijo, foi o meu fim. A sua boca era quente, impetuosa e faminta.

Estranha sensação de felicidade me atingiu ao perceber que aquele  homem precisava de mim.

Os lábios daquele macho se moveram para o meu pescoço, para o colo, para os ombros até sua língua explorar sensualmente as curvas da minha orelha. Em seguida ele tocou suavemente em meus seios e eu reagi apenas com um gemido baixinho: - Oh!  (Que não era um protesto, era apenas uma exclamação causada pelo prazer sensual que seu toque em meus seios fizeram-me externar).

Encostamos em uma árvore e fui pressionada suavemente contra o tronco, enquanto ele se desfazia da sua pela de pantera e me pressionava com seu corpo. O tronco da árvore estava frio em minhas costas enquanto os lábios dele, quentes, sugavam novamente meus mamilos e eu, ao invés de protestar, agarrava-me a ele puxando-o com força para junto de mim.

Minhas mãos e as suas mãos invadiram nossa privacidade num ritmo impiedoso e prazeroso. Era uma invasão rude e pecaminosa. Eu sabia que aquilo era errado, eu devia protestar. Mas... porque não  fazia isto? Porque me entregava tão totalmente e deliciava-me com aquela mutua caricia, arrebatadora e cruel?

Uma parte de mim estava horrorizada pelo fato de não estar... horrorizada com a situação. A outra parte explodia em espasmos de prazer que sufocavam os últimos resquícios de lucidez.

Não me importei em gritar de prazer. Não me importei se seus dedos e os meus dedos se misturavam explorando nossas intimidades. Não me importei se ele deixava marcas de dentes em meus seios, nem se meus mamilos estavam inchados, enrijecidos e ávidos pelos seus lábios famintos. Nada mais existia naquele momento, além do prazer, da liberdade, de mim e ele.

De repente, quando eu já estava totalmente entregue, ansiosa, aguardando o feliz e já ansiosamente esperado desfecho daquele momento, quando nossos corpos finalmente se tornariam um só corpo, na magna plenitude do prazer, inexplicavelmente voltamos à razão.

Ele ainda fortemente abraçado comigo, disse-me ao ouvido:

- Minha querida. Há muito venho acompanhando, de longe, seus movimentos nesta floresta. O desejo de ter o seu corpo tem sido o meu maior tormento. Mas agora que a tenho nos meus braços, sei que não tenho o direito de usá-la tão cruelmente. Você não me verá mais. Tome tranquilamente o seu banho e retorne para sua casa, no alto da sua árvore, aguardando lá o seu amado Tarzan, que em breves dias voltará para você.
 
Ele beijou-me, desta vez suavemente, afastou-se de mim, assobiou para chamar seu potentoso cavalo árabe que o aguardava nas proximidades, (- Cavalo árabe? ... - Repito. Deixa prá lá, que isto é só um conto. Você já está me irritando.  Não interrompa minha narração...pô!!!), de um pulo só saltou para cima do cavalo e desapareceu na floresta.


E aí eu, Luciana, acordei no meu quarto, abraçada ao meu querido marido.