JURA EM PROSA E VERSO

TEXTOS DE CONTEÚDO MORAL

LUCIANA - AMOR COM AMOR SE PAGA

(Adaptação feita por JOSE JURANDI BRITO DOS SANTOS, o Jura em Prosa e Verso, de um pequeno conto encontrado na Internet))

Era uma vez uma menina chamada Luciana que se casou e foi viver com o marido e a sogra.

Depois de alguns dias, passou a não se entender com a sogra. As personalidades delas eram muito diferentes: A sogra, exigente na arrumação e limpeza, no cumprimento da rotina doméstica, nos horários das refeições; já  Luciana, rebelde por natureza, nunca se submetendo ou se humilhando perante a sogra, sempre agressiva. Com pouco tempo  a relação foi se deteriorando, Luciana  foi se irritando com os hábitos da sogra que freqüentemente a criticava,  passando a cultivar por ela intenso ódio.

Um dia, Luciana, corroída pelo mais profundo  ódio, já não agüentando mais conviver com a sua sogra, foi procurar um velho amigo do seu pai, pessoa em quem confiava, para desabafar e pedir aconselhamento e ajuda. Não era possível continuar a viver daquele jeito.

O ancião, ouviu com atenção todo o desabafo da jovem e após meditar um pouco perguntou-lhe:

- Minha jovem, o ódio que você sente pela sua sogra será tão intenso que você deseje a sua morte? Se eu lhe fornecesse os meios de matá-la sem qualquer perigo para a sua segurança, você seria capaz disso?

Luciana não titubeou e respondeu imediatamente, com firmeza e convicção que, para livrar-se da sogra, seria capaz de matá-la se soubesse como.

O ancião então entrou em um dos quartos, demorou alguns instantes e retornou trazendo uma certa quantidade de pó. Entregou à jovem e disse-lhe:

- Vou lhe dar esse pó, que foi feito com a reunião de várias ervas; ele deve ser administrado lentamente; a cada dois dias você coloca uma pequena colher desse pó na comida da velha. O pó agirá muito lentamente e os efeitos só começarão a aparecer depois de quatro meses, quando ela iniciará a definhar até morrer, sem deixar qualquer vestígio que a incrimine.

- Mas para que não haja qualquer motivo de suspeita, -continuou o velho - você deve modificar o seu comportamento, a partir de hoje, em relação a sua sogra. Tanto ela como todas as outras pessoas devem perceber que você é obediente, que a trata bem, a respeita e admira. Só assim, quando ela morrer, ninguém irá levantar dúvidas nem acusações a você. Eu lhe ajudo, mas você tem que me escutar e seguir fielmente as minhas instruções.

A jovem concordou imediatamente com o ancião, prometeu-lhe fazer exatamente como ele mandara, apanhou o pó e foi para casa dar início à execução do seu plano maligno.

A cada dois dias adicionava à comida da sogra uma colher do pó.

A esse tempo, enquanto executava o seu plano, ela se lembrava dos conselhos do velho, controlava seu temperamento, obedecia à sua sogra, tratava-lhe com deferência e forçava demonstrações de ternura.

Ao completar o primeiro mês de convivência a sogra, recebendo da nora demonstrações de deferência e carinho que ela não sabia serem falsas, abrandou sua demonstração de autoridade, passou a tratar-lhe com amizade, ser paciente com ela, ensinar-lhe as coisas da vida com mais doçura. A jovem, também, acostumou-se com o convívio da velha e, ao completar dois meses já se tratavam mutuamente como mãe e filha.

Ela já havia deixado de colocar o pó na comida da sogra há várias semanas, mas como o ancião havia dito que os efeitos venenosos do pó  só começariam a aparecer depois de quatro meses, e ela havia administrado o pó na comida da sogra por quase um mês, estava preocupadíssima.

Um dia, ela procurou o ancião, tristonha e chorosa, para relatar-lhe a situação da harmonia em que vivia agora, demonstrar seu arrependimento pelo ódio que a havia consumido e pedir ao velho que lhe fornecesse um contra-veneno que eliminasse o efeito do pó.

O velho então, para sua surpresa, disse-lhe:

- Luciana, não precisa se preocupar. Na verdade, o pó que lhe dei eram vitaminas para melhorar a saúde  a sensação de bem-estar e o humor da sua sogra. O veneno que existia estava na sua mente e na sua atitude, mas você conseguiu jogá-lo fora e substituí-lo pelo amor que passou a dar a sua sogra. "Quem ama aos outros, tem muito mais chance de ser também amada".

- Na grande parte das vezes, continuou o ancião - recebemos das outras pessoas o que damos a elas. Por isso, cuidado! Lembre-se sempre:

  O PLANTIO É OPCIONAL... MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA. CUIDADO COM O QUE VOCÊ PLANTA, POIS SERÁ VOCÊ MESMO QUEM COLHERÁ OS FRUTOS.

FIM