JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS

EUSTÁQUIO E GERUZA 

(Este não é do Jura em Prosa e Verso - É do J.Carlos Santtana Cardoso)

Eustáquio e Geruza era um casal a antiga .Desde a época de namoro cumpriram a regra de casar como manda o figurino .Sexo ,só depois depois do casamento ,o máximo que faziam ,era uns amassos no portão na hora da despedida ,longe dos olhares de vigilância de dona Filomena mãe de Geruza .O namoro era no sofá , junto com os futuros sogros assistindo televisão ,de mãozinhas dadas .Quando estava chegando lá pelas vinte e duas horas , seu Abelardo dava dois pigarros ,e Eustáquio já sabia ,que era hora de bater em retirada , pois o futuro sogro ,dava uma indireta que estava na hora .Quando iam ao cinema ,eram sempre acompanhado , ora pela mãe de Geruza ,outras vezes pela tia , uma solteirona ,que mantinha a vigília sobre os dois ,tal um cão de guarda

Eustáquio e Geruza ,casaram se na igreja e no civil , tudo dentro da lei, como os pais da moça queriam .

Já haviam passados quase vinte anos de casados , de uma vida convencional , ela cuidando da casa e dos filhos ,ele trabalhando para o sustento da família . Geruza frequentava um curso de bordadas aos domingos na igreja do bairro ,aonde ouvia de outras frequentadoras histórias sobre vida conjugal , e sobre maridos , idas a motéis nos aniversários de casamento, entre tantas outras novidades para Geruza.

Geruza,estava amadurecendo uma ideia em sua cabeça , ir a um motel com Eustáquio , nas bodas de prata do casal . Eustáquio , jamais havia entrado em um lugar assim , família tradicional , jamais havia passado pela sua cabeça ,entrar em algum lugar parecido , mas como era para agradar a sua amada , resolveu satisfaze la . Não estava disposto a perguntar para nenhum conhecido, como deveria procede , nem como era lá dentro com receio de passar um vexame ,e consequentes gozações

E lá se foi o casalzinho para a festinha particular , naquela data tão feliz ,e importante para ambos .

Geruza toda senhora ,vestindo por baixo do vestido , a camisola comprada especialmente para aquela ocasião , Eustáquio vestido socialmente ,usando um terno preto cheirando a naftalina , que ele não usava desde o batizado do filho caçula , e que já estava meio apertado na região da barriga .

Chegando na portaria do motel , Eustáquio para o carro ,e a recepcionista pergunta o que o casal prefere , ele com cara de bobo e sem nenhuma experiência ,sugere qualquer coisa . A recepcionista com um riso maroto indica o 48 . Meio atrapalhado, e dando tranco no carro, Eustáquio entra por uma passagem estreita que mal cabia o carro , coloca o rosto para fora , tentando enxergar o numero naquele labirinto escuro . Finalmente ele encontra ,e com muita dificuldade consegue entrar com o carro na garagem estreita . Desce , procura uma porta para fechar a garagem , a muito custo vê um toldo e o abaixa , nessas altura já esta completamente suado , a gravata lhe apertando o pescoço cada vez mais . Geruza com o olhar lânguido espera impaciente pelo amante , com o coração batendo qual um bumbo de pagodeiro .

Se amaram ali dentro do carro ,inúmeras vezes como na lua de mel , Eustáquio de cueca,e Geruza com sua camisola florida ...

Na manhã seguinte saem do motel , ele com um baita torcicolo, e Geruza com dores na coluna , não sabiam que a poucos passos ,estava a porta da suíte presidencial ,com frigobar ,hidromassagem , cama redonda e ar condicionado .