JURA EM PROSA E VERSO

PEQUENOS CONTOS DO JURANDI

EU, JURA EM PROSA E VERSO, O MENINO SUPER-PODEROSO, CONTRA O MONSTRO DO MAL

Autor: José Jurandi Brito dos Santos

 

Quando muito jovem, fui “Menino Super-poderoso”!

Lembro-me, como se estivesse vivendo aqueles momentos agora, que vivi uma grande aventura numa terra estranha e mágica, habitada por incríveis e poderosos feiticeiros, alguns do “bem” e outros “terrivelmente maus”.

É lógico que os maus pretendiam escravizar o nosso planeta e os bons lutavam contra eles.

Como os maus estavam extremamente fortes, criavam monstros cada vez mais terríveis e destruidores, e os bons estavam temendo perder a batalha e terem que entregar o domínio da terra, eu fui chamado para ajudar a combater as forças do mal.

Lutei muito e, é claro, o bem venceu, e por isso a terra hoje é nossa.

Mas... não é essa a aventura que eu quero lhes contar agora. Estas lembranças vivas do meu passado, apenas servem para justificar porque tenho conhecimento de palavras e fórmulas secretas poderosas, que podem operar verdadeiros milagres. Fórmulas mágicas capazes de criar raios, explosões, modificar as leis da natureza agir no interior do corpo humano e outras tantas proezas fantásticas.

Foi quando eu lutei ao lado dos feiticeiros do bem que eu as aprendi.

Nunca fiz uso delas. Jamais as revelei.

 

Hoje, porém, me vi diante de uma situação dramática, que passo a narrar aos meus crédulos leitores.

 

Estava eu com uma linda loira, numa suíte de alto luxo do Motel Estrela (Um Real a hora), quando algo inacreditável aconteceu:

 

Houve um grande estrondo, uma parede do quarto desmoronou e por detrás da nuvem de poeira apareceu um monstro!

Mas, não era um monstro qualquer! Este tinha a altura de mais de dois homens, seus dedos eram do tamanho de bananas, garras de 12 centímetros afiadíssimas se projetando à frente dos dedos, sua cabeça marrom, grande e medonha.

 

A garota correu até um canto do que sobrou do quarto, apavorada, sem ação sequer para gritar.

O monstro parou no meio do quarto, olhou para a mim e depois para a garota.

Quem devorar primeiro? A garota ou eu? Esta era a sua dúvida neste momento de indecisão, que durou pouco, pois acertadamente, optou por devorar a garota, que era carne mais nova, macia e quente. Eu bem sei que ele tinha razão, pois tinha acabado de ter a prova disso.

 

Eu não podia permitir que aquilo acontecesse...

O monstro avançava lentamente contra a moça, ao mesmo tempo em que eu revia mentalmente minhas aventuras passadas e buscava lembrar das palavras mágicas apropriadas àquele momento terrível.

Lembrei-me de SHIVAGINAIAH que criava uma bola de fogo, mas ela não servia porque incineraria também a moça.

Talvez, PICLITORISBU, mas esta também não servia, porque criaria uma nuvem de um  terrível veneno que mataria instantaneamente a todos, o monstro, a mulher, e talvez até eu.

 

Subitamente me ocorreu que poderia usar a fórmula baseada na Telecinésia, com poder para mover objetos e que eu tinha estudado com afinco na terra mágica com os feiticeiros.

E gritei!:

ELEVATCU! No mesmo instante olhei para uma pesada mesa, ela se elevou e voou com velocidade em direção ao monstro, atingindo-o na cabeça. O choque espatifou a mesa em vários pedaços, mas para o monstro foi igual a um leve empurrão. Entretanto, ele parou, virou-se e me encarou com ódio.

Eu estava encrencado agora.

ELEVATCU! –Gritei de novo e outro móvel foi se espatifar contra o monstro que começou a avançar. Abaixei as vistas, olhei para o meu próprio corpo e gritei: ELEVATCU! Deu certo! Senti-me subir, levitando para escapar do monstro, mas antes que eu estivesse suficientemente alto ele me pegou com suas garras que perfuraram minha perna, quebrou os ossos da perna e dos pés e atirou-me ao chão.

 

A garota a tudo assistia, paralisada de medo. Nada havia que ela pudesse fazer.

Eu sabia o que aconteceria agora, conhecia o comportamento dos monstros, pois já havia lutado contra eles.

O monstro iria me morder, perfurar a minha pele e com uma das presas injetaria um poderoso veneno em meu corpo e ainda, com a mordida, quebraria várias costelas e faria grande estrago.

Precisava urgente de uma magia, uma palavra que me salvasse daquela situação. Eu pensava nisso, quando  senti a mais terrível mordida!  A presa gelada do monstro entrou em meu tórax, cortou meu fígado, rasgou o esôfago, perfurou os pulmões e fez estragos em meu coração.

Senti o gosto de sangue na  boca e o calor do veneno ardendo em minhas veias..

 

Um grito cortou o silêncio, chamando a atenção do monstro. Era a jovem humana que não conseguiu suportar em silêncio o terror daquela cena. Um grito de total desespero e horror.

O monstro deixou-me e virou-se para a jovem, lembrando-se da carne nova, macia e quente que estava lhe esperando para ser devorada.

 

Um dos meus mestres, lá na terra mágica onde vivi a aventura contra os feiticeiros do mal, disse que os feiticeiros sentem-se em paz, quando a morte se aproxima...

 

Eu estava caído no chão, não era mais do que uma massa disforme de carne e sangue, enquanto o monstro avançava, devagar, em direção à jovem humana com suas garras de 12 centímetros esticadas ao máximo e as horríveis presas à mostra.

Uma dor insuportável queimava cada neurônio do meu cérebro com a fúria de mil tochas, mas ainda assim, o superpoder e superconcentração que possuía dos tempos em que era MENINO SUPER-PODEROSO possuíram  a minha mente e mantinham  minha lucidez de pensamento.

 

Um grande feiticeiro da terra da magia, também me disse que uma das características do grande feiticeiro era ser capaz de pensar claramente, não importa a situação.

 

Com rapidez vasculhei meu cérebro em busca de alguma coisa apropriada. A única palavra que encontrei, gritei, numa tentativa desesperada de cura:

ENERPENISVAT!!!

Nada aconteceu! Tornei a gritar desesperado:

ENERPENISVAT!!!

Antes de perder totalmente a consciência, ainda arranjei forças para gritar uma terceira vez:

ENERPENISVAT!!!

 

Dois segundos após, O TEMPO PAROU e a dor que dilacerava meus neurônios começou a minguar, continuou minguando até desaparecer. O terrível frio também se foi e meu corpo se aqueceu. A energia mágica daquela palavra repetida três vezes, chamada pelos feiticeiros como ENERGIA MANA filtrou instantaneamente o meu sangue eliminando até o último traço do terrível veneno; e além disso produziu mais de dois litros de sangue novo para completar o que havia perdido e achava-se espalhado pelo chão. Todos os sangramentos foram estancados. Os ossos foram  consertados e recolocados no lugar, os músculos e ligamentos retornaram às suas posições em torno dos ossos; os órgãos internos  foram curados, o pulmão perfurado começou a inflar de novo, o coração são bombeou o sangue com força, restabelecendo todas as minhas energias; a pele se esticou novamente para recobrir tudo isso e retornar à minha nobre e bela aparência anterior.

 

Quando o curativo terminou e o TEMPO VOLTOU A CORRER, senti-me incrivelmente bem!

 

Pensei: É a hora da grande luta! Tenho de cuidar desse monstro. Retirei um espelho do bolso e olhando para mim mesmo no espelho, gritei:

AHIAHJURAAIHAH!!!

Meu corpo estremeceu ao receber uma super sobrecarga de energia. Iria usar a MAGIA PROIBIDA!

Apontei o dedo indicador em direção do monstro e proferi a primeira das três palavras proibidas de maior poder, que me foram ensinadas pelos mestres, para serem usadas apenas em momentos extremos:

 

IZACVULVANAMIUS!!!

 De meu dedo partiu um poderoso raio, com  uma energia mágica de 143.000 Volts de eletricidade atingindo o monstro, que cambaleou, mas não caiu. Ao contrário, virou-se para mim com seus olhos abobalhados, cheios de fúria. A  carga elétrica, que derrubaria um elefante, não derrubara aquele monstro. Eu tinha que apelar para a segunda palavra:

 

IMPERIUMEJACULATSIC!!!

Com esta palavra eu tentava dominar a mente do monstro para destruí-la e faze-lo ejacular a massa encefálica pelos olhos, nariz, ouvidos e boca, mas não funcionou! O monstro tinha um cérebro primitivo demais para ser alcançado pela força mágica. Enquanto o monstro avançava em minha direção, repeti várias vezes a palavra mágica, sem qualquer resultado.

 

Então eu tomei a decisão extrema . Tinha que apelar para a mais poderosa, mais terrível, mais mortal palavra. A palavra sacrificadora.

 

Peguei o meu pênis, apontei-o para o monstro e gritei:

 

CAENDENGA-SENDENGA-BUATINCANGA-AYLÊ-PATAPATA!!!

Do meu pênis saiu um jato de seiva do bem, combatente do mal, que cobriu todo o monstro sufocando-o instantaneamente. Os olhos do monstro passaram de vermelho vivo para o mais absoluto negro. E ele desabou. Já estava morto antes que seu corpo tocasse o solo e, em seguida, desaparecesse numa fumaça cinza, a parede do quarto se reconstruísse, os móveis fossem recompostos em seus devidos lugares, nenhuma mancha ou sinal permanecendo no local.

 

O bem, mais uma vez, havia vencido.

 

Em seguida, peguei a loira pelo braço, levei-a ao banheiro para tomarmos um bom banho, e depois...

 

F I M