JURA EM PROSA E VERSO

MINHAS REFLEXÕES SOBRE UM SONHO: ALGUÉM

 

Na noite de 26/27 de fevereiro de 2018, o Jura em Prosa e Verso sonhou. Eis um resumo do sonho.

 

De repente ele chegou em minha cidade. Não quis se instalar na parte alta, preferindo comprar uma casinha na parte baixa, nas proximidades de onde trabalhadores de uma grandiosa obra estavam construindo uma estrada de ferro, que vinha da capital e se aqui se bifurcava em dois ramais. Um se dirigia ao oeste do Estado, tendo seu final em outra grande cidade, a centenas de quilômetros daqui; e o outro ramal iria até a Capital de outro Estado, nosso vizinho. Além disso, estavam  montando os galpões que seriam a futura Estação de Passageiros e as Oficinas, da ferrovia.

Era trabalhador, organizado, empreendedor.

Construiu um "Coreto" onde instalou um pequeno bar. Mais tarde construiu um prédio que com o passar dos tempos se transformou em uma grande Loja de Departamentos.

De alguns mercadores que vinham de longínquas terras, e vendiam mantimentos, ele comprou algumas mudas de Laranjeiras, plantou e cultivou em seu quintal, produzindo milhares de outras mudas que doou a lavradores do campo. As Laranjeiras se espalharam, se transformaram numa cultura agrícola de natureza econômica e produtiva. Algumas décadas depois, exportando para outros estados, a Laranja era uma das principais fontes de renda da região, transformando a paisagem natural, e esta terra, que passou a ser conhecida como "Terra da Laranja". Ele também tentou promover a plantação, o beneficiamento e a exportação do fumo, chegando a construir alguns trapiches, e a incentivar alguns trabalhadores a se dedicarem a essa atividade.

Como a igreja resolveu construir sua catedral na parte baixa da cidade, próxima a estrada de ferro, ajudou, e muito, no financiamento da monumental obra, que durou alguns anos para estar pronta, tal sua magnitude.

Subiu a elevação, do outro lado da estrada de ferro, e construiu algumas casas, para alugar para  trabalhadores. Estas casas deram origem a um dos mais populosos bairros da cidade.

Era também atencioso, fraterno e caridoso. Estava sempre participando dos movimentos que visavam amparar os menos favorecidos.

Entretanto, não se deixava envolver pela política local, vivia de maneira simples e não se deixava seduzir pela pompa, riqueza e arrogância das principais e tradicionais famílias. Ao contrário, seu grupo de amigos e colaboradores estava entre  os trabalhadores, entre as pessoas que hoje classificaríamos como de classe média.

O único movimento político em que se envolveu foi quando dezenas de famílias resolveram protestar contra a Igreja, que planejava derrubar as ruínas de uma obra, que no passado se destinava a ser a Catedral desta Paróquia, lá na parte alta, e que foi abandonada, quando a Igreja resolveu se transferir para  junto da estrada de ferro, na parte baixa. Ele achava que aquelas ruínas poderiam, um dia, se transformarem em importante e marcante monumento histórico.

Muito discreto no tocante a sua vida pessoal, não deixou notícias dos seus possíveis envolvimentos amorosos, nem se tem conhecimento de filhos.

Sua atuação nesta cidade durou uns 30 anos.

De repente, sofreu um infarto fulminante e morreu.

Poucas pessoas o velaram e o sepultaram.

Não deixou sequer um retrato. Nenhum parente apareceu para reclamar seus bens, que ficaram ao Deus dará, e acabaram por desaparecer com o tempo.

Hoje, muitas décadas depois, poucas pessoas cujos antepassados viveram aqueles tempos, têm informações sobre esse personagem, que tão importante foi, quando do surgimento e crescimento inicial da nossa cidade.

Bem... meus leitores... O personagem e as ações, sendo produtos de um sonho, são fictícios. Mas... se você é de Alagoinhas, na Bahia, será que você reconhece esta história?