JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS - RELACIONAMENTO

SEM IMPOSIÇÃO, OS FILHOS FICAM SEM LIMITES

A FALTA DE LIMITES É UM PROBLEMA DE CUNHO SOCIAL QUE, POR SUA VEZ, TORNOU-SE COMPLEXO E DE DIFÍCIL SOLUÇÃO, PRINCIPALMENTE NAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS E FAMILIARES.

Infelizmente existe uma série de fatores que contribuem para o problema e com o objetivo de desvendá-lo, pergunta-se:

SERÁ QUE OS PAIS SÃO OS ÚNICOS CULPADOS DESTE DILEMA?

SERÁ QUE A MODERNIDADE EXCESSIVA TAMBÉM EXERCE INFLUÊNCIA NEGATIVA NA CRIAÇÃO DOS FILHOS?

OU SERÁ QUE A FALTA DE TEMPO DOS PAIS PARA FICAREM UM POUCO MAIS COM SEUS FILHOS, OS TORNAM MAIS PERMISSÍVEIS A PONTO DE DIZER SIM EM VEZ DE DIZER NÃO?

Segundo a psicóloga e pesquisadora Tânia Zagury "os pais nas maiorias das vezes são os que mais contribuem para o aceleramento deste problema, pois preocupam-se demasiadamente com o emocional, e temem tomar medidas que desagradem o filho e que podem  deixá-lo traumatizado, com complexo de inferioridade e a auto-estima abalada. Por este motivo tornam-se superprotetores."

É lógico que castigar e ridicularizar só tende a complicar a situação. Um tratamento com respeito, amor e carinho certamente não instigará o comportamento agressivo. As negociações e combinações podem e devem ser feitas, porém se houver desobediência, deve-se agir para educar e não para revoltar.

Não se quer com isso proibir as ações corretivas e necessárias, mas orientar. Quanto à negociação, todas as promessas devem ser cumpridas e sem dúvida deve começar pelos pais, porque eles são modelos vivos a serem seguidos. Afinal, é através do convívio com essas fontes de referência que as crianças vão estruturando suas  próprias personalidades, e consequentemente tornando-se adolescentes tranqüilos sem traumas e revoltas.

Portanto, se a criança ou adolescente quebrar o combinado, dialoga-se. Com paciência, pode-se proibir por um período, por exemplo, o vídeo game, a televisão, etc... Neste momento, a palavra dita é ordem dada. Você pode até se arrepender mas, passar a mão pela cabeça, ou seja, permitir o que já havia sido proibido antes, estará estimulando a teimosia e as idéias fixas em vez de desarmar.

A criança que não aprende a ter limite cresce com características de irritabilidade, instabilidade emocional, redução da capacidade de concentração, desinteresse pelos estudos, além da falta de persistência. Se cada família fizer a sua parte será possível reverter o quadro da falta de limites. Terá que ser fruto da consciência de que a responsabilidade  da educação e orientação das crianças e adolescentes deixa de ser exclusividade da escola.  O fato de se trabalhar não exclui responsabilidades com os filhos. É claro que não queremos chamar os pais de acomodados ou irresponsáveis, mas é preciso mais atenção, pois os inúmeros problemas de aprendizagem que vem ocorrendo com adolescentes nas últimas décadas, demonstram claramente a negligência de alguns pais que têm como vilão a falta de tempo.

OS LIMITES NECESSÁRIOS

Afirma a Psicoterapeutica Asha Philips "Nos primeiros meses de vida do bebê, os pais devem estabelecer claramente certos limites. Pois quem se recusa a dizer não, está roubando de seu filho a capacidade de exercitar suas emoções".

Portanto, o que não pode é permitir tudo o que o filho quer, pois mesmo sabendo que é incorreto, alguns pais persistem no erro para não passar a imagem de autoritários. Desta forma cria-se uma imagem fantasiosa e perigosa, fora da vida real, pois frustrações, raivas, disputas e privações fazem parte do aprendizado de uma criança tanto quanto amor, carinho e afeto que ela deve receber dos pais.

Segundo uma psicóloga infantil  " quando a criança começa com birras e escândalos, querendo o que não está ao alcance dos pais, isto é UM PEDIDO DE AJUDA DO FILHO, ou seja, essa é a hora de impor limites. Se os pais cedem elas ficam sem parâmetro para a vida". Essa é a hora de fazer algo pelo filho, antes que seja tarde demais, pois dados revelam que a indisciplina e o excesso de mimo tornam adolescentes extremamente rebeldes.

Felizmente, o que se tem de mais positivo são as mudanças de atitudes e de mentalidades na educação familiar que, apesar de lenta, vem passando por transformações freqüentes, adequando-se ao ritmo dos adolescentes que, apesar da idade, sabem questionar, reivindicar seus direitos e até conseguem fazer uma chantagem para tirar proveito da situação.

Não há dúvida de que os pais estão mais participativos, mais informados de suas obrigações, direitos e deveres assim como os dos seus filhos.