JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS - RELACIONAMENTO

LIMITES: SIM OU NÃO

Desde a mais tenra idade o indivíduo procura definir sua identidade, quer saber quem é, pois este é o ponto de partida para orientar sua vida. Busca seus limites, quer delimitar-se. Nesta busca a criança começa a decifrar mensagens explícitas, implícitas, subentendidas, etc... dos seus pais e do meio ambiente, pois o indivíduo saudável e meio-ambiente são interdependentes.

Grande parte das mensagens enviadas à criança, não são para ela, e sim para a pessoa que ela encarna na cena familiar. Cabe aos pais tomar conhecimento, e saber quais são e como essas projeções acontecem e trabalhá-las.

Se viverem sob projeção, estarão atuando sobre o irreal (você é o que EU imagino), cobrarão da criança o que eles não foram preparados para ser, ou não são capazes de ser. Esse tipo de ação causa nela o sentimento de frustração, raiva, além da sensação de não ser amada e de estar sendo sempre vigiada. É o chamado amor condicional.

Porém se os pais puderem ver e compreender esta criança como alguém diferente deles mesmos, com direito a ser feliz e de buscar o seu jeito de sê-lo; se puderem  entender a importância dos impulsos instintivos, às vezes perversos ou socialmente inadequados, como parte constitutiva deste ser, estarão estabelecendo as bases da saúde e do equilíbrio mental, do desenvolvimento intelectual. É o chamado amor incondicional.

Alguns pais passam mensagens negativas aos seus filhos. Com freqüência estão tensos, irritados e impacientes , como que mostrando a eles que estão sempre dando trabalho. Com muita raiva não se educa ninguém saudável. Os filhos acabam supondo que não merecem a atenção dos pais e passam a desacreditar de sua capacidade de amar e de realizar-se enquanto pessoas.

Se uma criança apresenta algum problema de limite é um momento para seus pais se perguntarem conjunta e individualmente:

       - Como lidamos com nosso filho ou nossa filha?

- Acatamos regras?

- Aceitamos o "não" ou recorremos a saídas outras para reconquistarmos aquilo que representa "sim"?

- O que nós fazemos que se parece com o que o (a) nosso(a) filho(a) demonstra na ação presente?

Geralmente, a rebeldia na criança, apesar de parecer "negativa", é um sintoma positivo: significa que ela ainda tem esperanças, é um pedido de socorro!

Muitas vezes, esse comportamento taxado de rebelde faz parte a que a criança tem direito, se tiver sido cuidada, com pais que lhe permitam existir, manifestar-se. É dessa rebeldia, da irresponsabilidade, da imaturidade inerentes à maioria das crianças e adolescentes que se organiza a riqueza e a originalidade do pensamento criativo.

Maturidade, no adulto, significa, entre ostras coisas "suportar" a ingenuidade, a ludicidade, e a credulidade do jovem, sem transferir responsabilidades prematuras para ele, dentro de sua etapa de desenvolvimento, a fim de assegurar-lhe um crescimento para uma vida adulta sadia e feliz.

Cito aqui alguns jeitos interessantes de educar filhos com relação aos limites:

1. Os filhos necessitam de que seus pais desenvolvam confiança neles e uma certeza interior de que eles se sairão bem na vida. a criança precisa que acreditemos nela, em sua capacidade de governar a própria vida, a fim de adquirir segurança necessária para efetivamente fazê-lo.

2. Saber criar uma "estrutura de proteção", incluindo preservação da saúde, alimentação, repouso, aprendizado e resoluções de crises. Para isso são criadas regras, que atuarão como instrumentos estruturantes e disciplinadores desse filho(a).

VALE LEMBRAR QUE ESTA ESTRUTURA NADA TEM A VER COM RIGIDEZ,  QUE ESTÁ A SERVIÇO DA DOMINAÇÃO, PROCURANDO MOLDAR OS FILHOS À VONTADE DOS PAIS.