JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS - RELACIONAMENTO

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA - UM PROBLEMA MÉDICO E SOCIAL

(Dra. Isabel Freitas -Jornal A Tarde de 05 Set 05)

 

A gravidez na adolescência é um problema médico e social, sendo considerado pela Organização Mundial de Saúde, em particular, quando ela ocorre em jovens com menos de dois anos de vida menstrual. A multiplicação de adolescentes grávidas é um fenômeno universal e acomete países desenvolvidos e em desenvolvimento, o que preocupa os especialistas da área.

Os EUA possuem as mais altas taxas de gravidez na adolescência entre os países desenvolvidos.

No Brasil, admite-se que cerca de 27 dos partos realizados no SUS sejam de mães adolescentes (10-19 anos). Esta ocorrência é ainda maior nas populações de baixa renda e vem aumentando na faixa etária dos 10-14 anos. a gravidez em menores de 14 anos pode associar-se a: infecções sexualmente transmissíveis, anemia, desnutrição, hipertensão, um maior número de abortos espontâneos e partos prematuros, com maior risco de morte dos recém-nascidos.

Além das complicações biológicas, existem as psicossociais. As mais preocupantes são a depressão, evasão escolar e o abandono dos projetos de vida, o que dificulta a profissionalização e inserção no mercado de trabalho, favorecendo a perpetuação da pobreza. Esta situação torna-se mais complicada quando o pai também é adolescente. O apoio familiar r o envolvimento do companheiro são de fundamental importância para minimizar os efeitos negativos do problema.

O aborto representa uma complicação da gravidez e, nesta faixa etária, está associado a um maior risco infeccioso, em particular quando se consideram as técnicas utilizadas para provocá-lo. O atraso no diagnóstico do aborto incompleto pode favorecer a morte da jovem. As infecções associadas, se não adequadamente tratadas, podem levar a doença inflamatória pélvica, situação que pode contribuir para a infertilidade no futuro.

Diante de tudo isso é necessário a colaboração de todos os segmentos da sociedade, para a prevenção da gravidez na adolescência.

O Estado deve prover serviços que contemplem a saúde reprodutiva das jovens. A mídia deve difundir informações corretas sobre uso de preservativo e contracepção, inclusive de emergência, o que deve ser reforçado pelos profissionais de saúde.

A educação sexual deve ser vista não só como um meio de prevenção de gravidez mas, acima de tudo, reconhecida como um ato de cidadania, em defesa da melhoria das condições de vida dos nossos adolescentes.

(Isabel Freitas é médica e professora de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública)