JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS - RELACIONAMENTO

A VERDADEIRA AUTORIDADE

Diferentemente do que se costuma imaginar, a presença da autoridade não está obrigatoriamente assegurada, na relação entre um que manda e outro que obedece sempre.  Porque essa não é característica da verdadeira autoridade. A verdadeira autoridade é uma relação em que aquele que a exerce, deseja, com todo empenho, promover o crescimento do outro.

Assim, a autoridade não é força que subordina, que submete, que modela, que abafa, mas vetor de orientação que mostra caminhos, que promove, que liberta. Ou não cumpriria, absolutamente, sua função essencial, de promotora de crescimento. Transmitir essa convicção é o primeiro resultado buscado com a presente reflexão.

Isto não quer dizer que a autoridade não possa determinar limites. Pode e deve. Deve e precisa. Porque definir limites é também abrir caminhos pelos quais o crescimento se vai processar. Aquele que hoje aprende a conter-se dentro dos limites que lhes são dados, é o que saberá, no futuro, auto-limitar-se, trilhando caminhos sem desmandos, corretos, de uma vida sadia. Esse será capaz de se dirigir no bom uso dos seus direitos, sem esquecer o respeito aos direitos do outro.

O educador que penetra nos segredos da autoridade, entendendo-a como ela precisa ser entendida, respeita o seu educando e o valoriza como pessoa humana, e é exatamente o que - através da sadia convivência que daí nasce - facilita o caminhar do outro em direção à autonomia, à própria realização. É educador quem foge do autoritarismo como da omissão, do comportamento ditatorial como da permissividade. Como verdadeira autoridade, coloca-se na sabedoria do meio termo, do equilíbrio, entre esses extremos prejudiciais.

Tudo isso corresponde a uma maravilhosa caminhada a dois: o educador e o educando, juntos, respeitando mutuamente, numa vida em que a autoridade vai promovendo a autonomia e a autonomia que vai chegando, vai entendendo, e até desejando a permanência da autoridade.

Esse amadurecimento que a autoridade, passo a passo, gradativamente, vai proporcionando ao educando, passa por etapas bem distintas e muito claras, que merecem ser rapidamente lembradas, por sua grande significação. A disciplina inicialmente cobrada é, certamente, a primeira estação desse processo. Mas é preciso entender-se que a disciplina é algo que pode ser vivido naturalmente, e não como agressão. A disciplina agressora é a disciplina castradora que não é absolutamente, geradora de crescimento. A sadia disciplina libertadora visa levar o educando a aprender a auto-disciplinar-se. É a disciplina que vem de fora, mas que progride para se transformar na disciplina que nasce do coração do próprio educando.

Essa passagem, já se entende, corresponde à conquista gradativa da liberdade. Gradativa e valorizada como passos dados e assumidos conscientemente. A disciplina que vai cedendo espaço, para que o treinamento cada vez mais intenso e constante da liberdade se vá instalando. Treina-se para ser livre, para chegar-se a ser livre.

E é esse assumir cada vez mais a própria liberdade, que faz nascer a noção e se firmar a consciência da responsabilidade. Porque quanto mais se é livre, mais se tem de assumir responsabilidade. quanto mais é dado a cada um o poder e o direito da escolha de seus caminhos, tanto mais se cobra dele o dever de responsabilizar-se por suas opções.

O objetivo é possibilitar ao educando, cada vez mais, ser capaz de, sozinho, tomar suas próprias decisões, com liberdade, e responsabilizar-se por elas.

Esse é o caminho conhecido e apontado pela verdadeira autoridade: a disciplina que vem de fora, pouco a pouco se transformando na auto-disciplina; a disciplina e a auto-disciplina irem dando lugar para o treinamento da liberdade, como preparação para o ser livre, a chegada gradativa da liberdade, trazendo o despertar e o assumir da responsabilidade. E esse processo é o caminhar para o livre responsável.

Quem queira se revestir da verdadeira autoridade, terá de conhecer e construir PILARES que a sustentarão. e lembraremos quatro deles, talvez os mais importantes: O DA PRESENÇA, O DO PRESTÍGIO, O DA FIRMEZA, E O DO AMOR

A PRESENÇA

A presença é condição importante para a boa estrutura da autoridade. A autoridade tem de estar presente na vida do educando. Embora se costume admitir que a presença moral forte possa suprir a falta da presença física impossível, tem-se de reconhecer que a presença física mesmo, é que tem de ser buscada com todo empenho e interesse, como componente significativo da autoridade. Até para assegurar com curtos momentos fortes que lhes sejam possíveis a continuidade de uma presença moral permanente. Mas nunca se abrir mão da presença física possível, conformando-se ou justificando-se com a sua alegada substituição pela presença moral.

 

O PRESTÍGIO

O prestígio é outro pilar importante da autoridade. E não se pode impor a ninguém,  reconhecer o prestígio do outro.

O prestígio há de ser conquistado por méritos.

São as qualidades possuídas pelo que se reveste de autoridade, que o fazem merecedor do prestígio.

É fruto de qualidades pessoais cultivada

 

A FIRMEZA

E o terceiro pilar lembrado é o da firmeza. E firmeza não é intransigência. A autoridade firme aceita ponderações e dialoga. Mas não avança e recua sem saber para onde ir.

Não há nada mais perturbador para o educando, do que a variação da autoridade que não sabe o que quer.

 Orientações precisam ser pensadas, estudadas, para serem assumidas e então dadas com firmeza.

 

O AMOR

E, por último, o amor.

O amor é o tempero que não pode faltar no relacionamento da autoridade. É o que vai tornar gostosa a vida à sua volta. a autoridade sem amor possivelmente será despotismo, ou poderá caminhar para isto.

E a autoridade com amor, rompe barreiras, ameniza caminhos, reduz distâncias, asperge a vida com aceitação a compreensão. É do amor mesmo que estamos falando sem pieguice, com admiração e emoção.

Disciplina com amor, liberdade com amor, responsabilidade com amor, presença com amor, prestígio com amor, firmeza com amor.

Eis a receita infalível da autoridade que acerta.

AUTORIDADE COM AMOR.

 

Autor: Manuel Lessa Ribeiro (Engenheiro, fundador da Escola de Pais em Salvador, Vice-Presidente da Escola de Pais Nacional)