JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS - RELACIONAMENTO

AOS PAIS SEMPRE OCUPADOS (Dramático depoimento, para nossa reflexão )

O pai moderno, muitas vezes perplexo e angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro e esquece o agora.  Cada novo bem custa dias, semanas, meses de luta. Mas ele está "realizando" o futuro de sua família. Não se contenta com um emprego só. -"é preciso ter dois, ou três"; vender parte de suas férias; trabalhar, trabalhar, trabalhar....

Esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens está em outra página do formulário do Imposto de Renda - naquelas "modestas"  linhas, quase escondidas, onde se lê : DECLARAÇÃO DE DEPENDENTES. São os filhos que colocou no mundo, a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Novos demais, eles não estão interessados no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver, dialogar, brincar.

Mas o pai, porque se entregou de tal forma à construção do futuro, não os levou ou buscou no Colégio; nunca foi a uma festa infantil; não teve tempo para assistir à coroação de sua filha como rainha da primavera.

Há filhos órfãos de pais vivos.

Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos. Só se encontram de passagem, em casa. E, para ver os pais, é quase preciso marcar hora.

Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar, a mensagem que tenho para dar é: NÃO HÁ TEMPO MELHOR APLICADO DO QUE AQUELE DESTINADO AOS FILHOS!

Dos 18 anos de casado, passei quinze absorvido pela construção do futuro para três filhos e minha mulher.

Isso me custou longos afastamentos de casa: viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão...  uma vida sempre agitada, tormentosa e apaixonante, na dedicação à profissão - que foi, na verdade, mais importante do que minha família.

Agora estou aqui com o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda de OTÁVIO e PRISCILA.

De que vale tudo que juntei, se esses filhos não estão mais aqui para aproveitar?

Se o dinheiro não foi capaz de comprar a vida do meu filho amado que se drogou e morreu; se não foi capaz de evitar a fuga de minha filhinha, que saiu de casa e prostituiu-se, e dela não tenho mais notícias há anos, para que serve? Para que escrevo dele?

Eu trocaria - explodindo de felicidade - todas as linhas da declaração de bens por duas únicas que tive de tirar da Relação de Dependentes: os nomes de LUIZ OTÁVIO e PRISCILA. e, COMO DOEU RETIRAR ESSAS LINHAS ...

(Depoimento de um jornalista famoso)