JURA EM PROSA E VERSO

PAIS E FILHOS- RELACIONAMENTO

AIDS - EDUCAÇÃO SEXUAL E FAMÍLIA

(CASAL: Cecília e Ildefonso do Espírito Santo -Seccional de Salvador/BA)

OBSERVAÇÃO DO JURA EM PROSA E VERSO:

Este texto foi inserido pelo casal Cecília/Ildefonso na Revista da Escola de Pais nº 8, que circulou em Outubro de 1987. Estamos hoje, quando  incluo o trabalho neste site, em 2013, portanto, 26 anos se passaram. Leiam e releiam com atenção. O TEXTO PARECE ATUAL?

A educação sexual é um tema que vem sendo discutido há algum tempo entre educadores, pais, sexólogos e dirigentes de colégios.

Os debates giram principalmente em torno de haver ou não necessidade de uma educação sexual formal; se ela deve ser responsabilidade dos pais ou dos colégios; e em torno da metodologia a ser empregada, seja pelos pais, seja pelos colégios.

Entre os que opinam há pessoas que vêem risco no atribuir tal encargo aos colégios, alegando entre outros motivos a dificuldade de se conseguir mestres com a qualificação necessária para ministrar a disciplina, face à possibilidade de distorções. Há também os que dizem faltar preparo aos pais, acrescentando que muitos deles se encontram ainda presos a preconceitos e aos velhos tabus que os inibem e tiram a naturalidade necessária ao mister. E ainda há os que dizem ser ela dispensável, pois as coisas do sexo se aprendem com a própria vida.

Como se vê, o assunto é complexo. E nos últimos tempos ele tem se tornado mais grave em função de novos fatores, como a propaganda indiscriminada de fatos e coisas relacionados com o sexo, a publicação exagerada em torno de crimes e contravenções sexuais, a exacerbação do erotismo através dos mais variados artifícios, o incentivo, pelos meios de comunicação, de práticas sexuais, antes consideradas anômalas ou patológicas e hoje aceitas e toleradas como se fossem normais. Por tudo isso os jovens, principalmente os adolescentes, estão envolvidos num clima emocional em que o exercício da função sexual aparece como uma grande meta a ser atingida, muito mais pelo prazer do que pela sua razão básica que é a reprodução.

Em conseqüência, cada vez é maior o número de mães que concebem ainda no período infantil da vida, sem ter maturidade física e psíquica para o desempenho da importante função da maternidade.

O grande número de mães solteiras, os filhos de pais não identificados, os desentendimentos familiares, o surgimento de formas sofisticadas de prostituição e o aumento progressivo do número de casos de doenças sexualmente transmissíveis são outras tantas situações resultantes da falta de uma adequada orientação sexual.

Neste cenário, já bastante preocupante, surge a AIDS que, se por um lado tende a se constituir num freio aos abusos sexuais, por outro oferece um panorama aterrorizador, pelas dimensões a que poderá atingir, de todo imprevisível. Sua incurabilidade e a falta de recursos efetivos para combate-la transforma-a num grave problema de saúde pública, de caráter mundial, exigindo dos governos uma atenção especial.

No caso do Brasil, os órgãos governamentais se lançam numa intensa campanha publicitária, visando diminuir sua propagação e promover o controle. É um trabalho típico de educação sanitária, que orienta e tranqüiliza a população.

Contudo, para os pais surge um outro problema. O envolvimento das crianças, a partir das advertências e dos esclarecimentos veiculados nas peças publicitárias. Perguntas são dirigidas pelos filhos aos pais, comentários são feitos, deixando transparecer um grande interesse para as coisas do sexo.

Muitos pais sentem-se não só embaraçados, como preocupados.

Os filhos reclamam informações sobre "camisinha", "sexo oral", "sexo anal", etc...

É possível que essas crianças sejam levadas a uma iniciação sexual precoce, o que certamente será danosa ao seu desenvolvimento, físico e psíquico, trazendo conseqüências imprevisíveis para seu futuro.

Os planejadores da campanha devem atinar para o aspecto educacional de forma mais abrangente. Não basta combater apenas a doença. é necessário também induzir-se a um novo comportamento sexual, com disciplina, sem desregramentos, dentro de padrões éticos adequados à preservação da saúde. Há de se respeitar o corpo, esse patrimônio legado por Deus ao homem como instrumento de evolução do espírito.

O assunto merece ser debatido dentro e fora da família, na busca da orientação que os pais precisam.

A Escola de Pais que ao longo de sua existência tem se preocupado com a família e colaborado significativamente para o encaminhamento de seus problemas, não poderá estar ausente.

Portanto, o tema educação sexual deverá continuar em discussão. Agora considerando-se os fundamentos básicos da sexualidade, sua importância para a prática sexual e a necessidade de um entendimento racional de suas finalidades.

Não se trata de ser moralista, conservador ou contrário à modernização dos costumes, porém de usar a faculdade da razão, da qual o homem não deve abdicar. Não se pode admitir a continuação do uso indiscriminado de práticas antinaturais, a pretexto de ser uma opção pessoal e ser o prazer um direito de cada um.

Não há dúvida de que o medo da AIDS vai forçar a sociedade a uma revisão dos costumes. Provavelmente a tônica será um parceiro único e a prática sexual comedida. Porém isto não basta. É necessária uma ação conjunta de pais e educadores, colégios e da sociedade para promover-se a educação global, que inclua a orientação sexual.