JURA EM PROSA E VERSO

MITOLOGIA

MITOLOGIA MESOPOTÂMICA

 

Mesopotâmia - Religião: O politeísmo e o mito do dilúvio

Érica Turci

 


 

Assim como a maioria dos povos da Antiguidade, os mesopotâmicos eram politeístas. Na Mesopotâmia, um incontável panteão de deuses e semideuses fazia parte da religião.

Apesar de a mitologia mesopotâmica ser ampla e complexa, seus deuses se organizavam em uma hierarquia clara, de acordo com a influência de seu poder. Os mais importantes eram: An (deus do céu), Enlil (deus do ar), Enki (deus da água) e Ninhursag (mãe-terra). Foram eles que, através de suas palavras, teriam criado o mundo. Desse mito talvez tenha nascido a crença no poder das palavras divinas.

Os filhos desses deuses estavam um degrau abaixo na escala de poder divino. Eram milhares de divindades, cada uma responsável por um aspecto do mundo, por uma parte do universo, agindo com o intuito de manter em funcionamento o plano iniciado por seus pais.

Os mesopotâmicos acreditavam que esses deuses, principalmente os deuses criadores, estavam muito distantes e muito ocupados com suas tarefas, para dar atenção às necessidades dos homens. Assim, para suprir as carências humanas, também existiam os deuses pessoais, que cuidavam da orientação de cada indivíduo e de sua família.

Os zigurates

Além disso, cada cidade-estado tinha seu deus protetor, que era honrado pelo rei do local e pelos mais importantes sacerdotes. Um templo em forma de pirâmide de degraus, o zigurate, era construído para servir como sua morada. O mais famoso zigurate foi construído para o deus Marduk, localizava-se na Babilônia e também é conhecido por Torre de Babel.

De qualquer forma, todos os deuses tinham características próximas às humanas (o que chamamos de antropomorfismo): casavam-se, tinham filhos, tinham ataques de fúria ou de extremo amor, podiam ser melancólicos, preguiçosos, invejosos ou, também, alegres, caridosos. Embebedavam-se, eram enganados por outros deuses, brigavam entre si por mais poder. Cada aspecto desses deuses foi relatado por uma longa série de mitos.

Segundo a crença da Mesopotâmia, para que toda a existência fosse ordenada, Enlil (deus do ar) criou o me, uma espécie de "lei universal" que governava a tudo e a todos, inclusive aos deuses. Esse me gerava conforto nos mesopotâmicos, pois sabiam que tudo continuaria eternamente funcionando segundo a ordem divina. E, dentro dessa ordem, acreditavam que o homem tinha sido criado com um único propósito: servir aos deuses, que deveriam ser respeitados, alimentados e abrigados em templos, para que não lançassem sua ira sobre os mortais.

O dilúvio

Um mito que foi muito temido e, talvez por isso, compilado diversas vezes, em diferentes épocas na história, foi o mito do dilúvio. Nesse relato contava-se que, em uma época muito remota, os deuses, insatisfeitos com os homens, resolveram destruir a humanidade, fazendo cair uma chuva torrencial, que fez subir as águas dos rios.

No entanto, Enki, o deus das águas, revelou o plano dos deuses a um escolhido, Ziusudra (chamado de Utnapishtim pelos acádios), aconselhando-o a construir uma embarcação gigantesca. Vejam um trecho do relato sumério desse mito, encontrado em Nippur:

"Depois que, durante sete dias [e] sete noites,

O dilúvio se estendeu sobre a terra

[E] o grande barco foi sacudido pelos vendavais sobre as águas

Utu [o deus sol] apareceu, espalhando luz sobre o céu e a terra (...)"

Tal mito também foi compilado, muitos séculos depois, num dos livros que compõem a Bíblia, tendo como principal personagem um homem chamado Noé. Esse fato pode ser explicado, pois os hebreus (povo que deu origem aos judeus) tinham suas raízes ancestrais em Ur, uma importante cidade da Mesopotâmia.

OUTRO ESTUDO SOBRE MITOLOGIA MESOPOTÂMICA

Mitologia Mesopotâmica

Autoria desconhecida

mesopotamia

A Mesopo mundial, trata-se de um platô de origem vulcânica localizado no Oriente Médio, delimitada entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, ocupada pelo atual território do Iraque e terras próximas.

Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos.  A Mesopotâmia é considerada o Berço da Civilização, já que foi na Baixa Mesopotâmia aonde surgiram os primeiros Estados por volta do quarto milênio a.C.

As primeiras cidades foram o resultado culminante do crescimento da população e do aumento da produção agrícola, que se originou da adoção da agricultura como forma de vida, em oposição à caça.   A Mesopotâmia foi uma região por onde passavam muitos povos nômades oriundos de diversas regiões.

A terra fértil fez com que alguns desses povos aí se estabelecessem. Do convívio entre muitas dessas culturas floresceram as sociedades mesopotâmicas. Os povos que ocuparam a Mesopotâmia foram os sumérios, os acádios, os amoritas ou antigos babilônios, os assírios, os elamitas e os caldeus ou novos babilônios.

Como raramente esses Estados atingiam grandes dimensões territoriais, conclui-se que apesar identidade econômica, social e cultural entre essas civilizações, nunca houve um Estado mesopotâmico, mas Estados Mesopotâmicos.

textomesopotamiaOs Sumérios e Acadianos (antes de 2000 a.C.)
Os sumérios foram provavelmente os primeiros a habitar o sul da Mesopotâmia. A região foi ocupada em 5000 a.C. pelo povo sumério, que ali construiu as primeiras cidades de que a humanidade tem conhecimento, como Ur, Uruk e Lagash.

As cidades foram erigidas sobre colinas e fortificadas para que pudessem ser defendidas da invasão de outros povos que buscavam um melhor lugar para viver. Desde o quarto milênio a.C., realizavam obras de irrigação e utilizavam técnicas de metalurgia do bronze e utilizavam uma escrita cuneiforme.

Sua organização social influenciou muitos povos que os sucederam na região.  Após um período de domínio dos reis elamitas (viviam no sudoeste do atual Irã), os sumerianos voltaram a gozar de independência.

Grupos de nômades, vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumerianas. Conhecidos como acadianos, dominaram as cidades-estados da Suméria por volta de 2550 a.C.

Os Amoritas (2000 a.C.-1750 a.C.)
amoritas
No início do segundo milênio a.C., a região da Mesopotâmia constitui-se em um grande e unificado império que tinha como centro administrativo a cidade da Babilônia, situada nas margens do rio Eufrates.

O soberano que mais se destacou foi Hamurabi, elaborando leis que ficaram conhecidas como Código de Hamurabi. Após sua morte, a Mesopotâmia foi abalada por sucessivas invasões, até a chegada dos assírios.

Assírios (1300 a.C.-612 a.C.)
De origem semita, os assírios viviam do pastoreio e habitavam as margens do rio Tigre. A partir do final do segundoassirios milênio a.C., passaram a se organizar como sociedade altamente militar e expansionista.

Realizaram diversas conquistas e expandiram seu domínio para além da própria Mesopotâmia, chegando ao Egito. O centro administrativo do império assírio era Nínive.

Caldeus (612 a.C.-539 a.C.)
caldeus
Povo de origem semita que se estabeleceu na Mesopotâmia no início do primeiro milênio a.C., os caldeus foram os principais responsáveis pela derrota dos assírios e pela organização do novo império babilônico.

Nabucodonosor foi o soberano mais conhecido dos caldeus. Governou por quase sessenta anos e após sua morte os persas dominaram o novo império babilônico.

Em linhas gerais podemos dizer que a forma de produção predominante na Mesopotâmia baseou-se na propriedade coletiva das terras administrada pelos templos e palácios. Os indivíduos só usufruíam da terra enquanto membros dessas comunidades.

Acredita-se que quase todos os meios de produção estavam sobre o controle do déspota, personificação do Estado, e dos templos. O templo era o centro que recebia toda a produção, distribuindo-a de acordo com as necessidades, alem de proprietário de boa parte das terras: é o que se denomina cidade-templo.

Estudos recentes mostram que, além do setor da economia dos templos e do palácio, havia um setor privado que participava, também, da economia da cidade-estado.  Administradas por uma corporação de sacerdotes, as terras, que teoricamente eram dos deuses, eram entregues aos camponeses.

Cada família recebia um lote de terra e devia entregar ao templo uma parte da colheita como pagamento pelo uso útil da terra. Já as propriedades particulares eram cultivadas por assalariados ou arrendatários.

Entre os sumerianos havia a escravidão, porém o número de escravos era relativamente pequeno. Tinham como principal atividades econômicas:

  • A Agricultura, a criação de animais e o comércio.agricultura-mesopotamia1
  • A Astronomia. Entre os babilônicos, foi a principal ciência.A Matemática. Entre os caldeus, alcançou grande progresso.
  • A Medicina, cuja profissão era bastante considerada, não acreditavam que todos os males tinham origem sobrenatural, já que utilizavam medicamentos à base de plantas e faziam tratamentos cirúrgicos.

A escrita cuneiforme, grande realização sumeriana, usada pelos sírios, hebreus e persas, surgiu ligada às necessidades de contabilização dos templos. Era uma escrita ideográfica, na qual o objeto representado expressava uma idéia.

Os sumérios – e, mais tarde os babilônicos e os assírios, que falavam acadiano – fizeram uso extensivo da escrita cuneiforme. Mais tarde, os sacerdotes e escribas começaram a utilizar uma escrita convencional, que não tinha nenhuma relação com o objeto representado.

As convenções eram conhecidas por eles, os encarregados da linguagem culta, e procuravam representar os sons da fala humana, isto é, cada sinal representava um som. Surgia assim a escrita fonética, que pelo menos no segundo milênio a.C., já era utilizado nos registros de contabilidade, rituais mágicos e textos religiosos.

Quem decifrou a escrita cuneiforme foi Henry C. Rawlinson. A chave dessa façanha ele obteve nas inscrições da Rocha de Behistun, na qual estava gravada uma gigantesca mensagem de 20 metros de comprimento por 7 de Altura.

A mensagem fora talhada na pedra pelo rei Dario, e Rawlinson identificou três tipos diferentes de escrita (antigo persa, elamita e acádio – também chamado de assírio ou babilônico).

O alemão Georg Friederich Grotefend e o francês Jules Oppent também se destacaram nos estudos da escrita sumeriana. A Literatura, era pobre, destacando-se apenas o Mito da Criação e a Epopeia de Gilgamesh.

337O Direito. O Código de Hamurábi.

A Arquitetura. A mais desenvolvida das artes, porem não era tão notável quanto a egípcia, caracterizando-se pelo exibicionismo e pelo luxo. Construíram templos e palácios, que eram considerados cópias dos existentes nos céus, de tijolos, por ser escassa a pedra na região. O zigurate, torre de vários andares, foi a construção característica das cidade-estados sumerianas. .

Escultura e a pintura. Tanto a escultura quanto a pintura eram fundamentalmente decorativas. A música na Mesopotâmia, principalmente entre os babilônicos, estava ligada à religião e quando reunidos cantavam hinos em louvor aos deuses.

Nas cerimônias de penitência, os hinos eram de lamentação: “aí de nós”, exclamavam eles, relembrando os sofrimentos de tal ou qual deus ou apiedando-se das desditas que desabam sobre a cidade.

Instrumentos sem dúvida de sons surdos, acompanhavam essa recitação e no corpo desses salmos, vê-se o texto interromper-se e as onomatopeias “ua”, “ui”, “ua”, sucederem-se em toda uma linha.

A massa dos fiéis devia interromper a recitação e não retomá-la senão quando todos, zigurate (1)em coro tivessem gemido bastante. O canto também tinha ligações com a magia. Há cantos a favor ou contra um nascimento feliz, cantos de amor, de ódio, de guerra, cantos de caça, de evocação dos mortos, cantos para favorecer, entre os viajantes, o estado de transe.

A dança, que é o gesto, o ato reforçado, se apóia em magia sobre leis da semelhança. Ela é mímica, aplica-se a todas as coisas:- há danças para fazer chover, para guerra, de caça, de amor etc.

A religião. Os deuses, extremamente numerosos, eram representados à imagem e semelhança dos seres humanos. O sol, a lua, os rios, outros elementos da natureza e entidades sobrenaturais, também eram cultuadas. Embora cada cidade possuísse seu próprio deus, havia entre os sumérios algumas divindades aceitas por todos. Na Mesopotâmia, os deuses representavam o bem e o mal, tanto que adotavam castigos contra quem, não cumpria com as obrigações.

A concepção de uma vida além-túmulo era confusa. Acreditavam que os mortos iam para junto de Nergal, o deus que guardava um reino de onde não se poderia voltar.

Cosmologia
gilgamesh
O universo surgiu quando Nammu, um abismo sem forma, enrolou-se em si mesmo num ato de auto-procriação, gerando An, deus do céu, e Antu , deusa da Terra. A união de An e Antu produziu Enlil, senhor dos ventos, que tornou-se líder do panteão dos deuses.

Após o banimento de Enlil de Dilmun (a morada dos deuses) por violentar Ninlil, a deusa teve um filho, Nanna, o deus da lua (mais tarde chamado de Sin ou Sinnu. Da união posterior entre Sin e Ningal nasceram Inanna (deusa do amor e da guerra) e Utu (deus do sol, depois chamado de Shamash).

Também durante o banimento de Enlil, o deus tornou-se pai de três divindades do submundo junto a Ninlil. O mais famoso foi Nergal.   Nammu também teve um filho, chamado Enki, deus do abismo aquático ou Absu. Enki controlava também os Me, decretos sagrados que governavam coisas básicas como a física, e complexas como a ordem social e a lei.

NinlilEnki2-Ereshkigal1ereshkigalEtanaNergal

 

 

 

 

 

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Hamurabi