JURA EM PROSA E VERSO

HISTÓRIAS DAS CIDADES BRASILEIRAS

HISTORIA DA CIDADE DE RIBEIRÃO PIRES - SP

História

A história de Ribeirão Pires está ligada a sua posição geográfica. A cidade foi passagem obrigatória àqueles que vinham da região portuária de Santos e pretendiam chegar aos campos de Piratininga (em tupi, "peixe seco"). A partir de 1558, o território do atual município de Ribeirão Pires foi incorporado a São Paulo de Piratininga, formando uma vasta área territorial.

Nos limites da Vila de Mogi, em 1663, havia uma estrada chamada “Guaió”, caminho para aqueles que pretendiam sair de São Paulo rumo a Mogi das Cruzes ou vice-versa, bem como daqueles que se dirigiam a Santos. Com a invasão das terras da Aldeia do Ururaí, depois São Miguel, muitas pessoas espalharam-se por este território alcançando a região de Ribeirão Pires nos fins do século XV. Ribeirão Pires, que se chamava Caaguaçu (mata grande ou mata virgem), mantinha uma integração com os moradores de São Miguel. No decorrer dos anos, esses caminhos foram aperfeiçoados por bandeirantes, garimpeiros e milícias.

No século XVII, as terras nas proximidades da Serra do Mourão passaram a ser cobiçadas. Um novo processo de povoamento passou a acontecer baseado na exploração das minas de ouro. Caaguaçu, que estava no caminho para essas minas, passou a ser conhecida, pois até então era quase inexplorada. Houve a formação de um núcleo de povoamento na região decorrente da exploração do ouro, mas que não durou muito tempo.

Povoamento da cidade - A partir do dia 25 de março de 1714, com a construção da Igreja Nossa Senhora do Pilar, o povoamento de Ribeirão Pires ganhou novo impulso. Famílias que chegavam passaram a construir casas, igrejas e a dinamizar o comércio, até antão incipiente. Contribuiu para esse processo o fato da região ser passagem entre São Bernardo e Mogi das Cruzes.

Durante o século XIX, a produção cafeeira expandia-se pelo Estado, exigindo a implantação de uma ferrovia que ligasse as áreas produtoras ao Porto de Santos. A estação trem de Ribeirão Pires, bem tombado como patrimônio histórico e cultural da cidade, foi inaugurada em 1885. Às margens da ferrovia cresciam núcleos de povoamento e comércio, desenvolvendo a região.

A presença da cultura italiana na região também foi marcante. A criação da colônia italiana em 1887 superou a ocupação em torno da Igreja do Pilar. A demarcação da área central ocorreu em 1893, contando com 149 famílias, a maior parte em lotes urbanos. Na parte alta da cidade, onde se localiza a Igreja de São José (1895), foi traçada a sede do núcleo. Nas áreas próximas à ferrovia também foram implantados lotes.

Na segunda metade do século XIX, a São Paulo Railway & Co impulsionou o crescimento e desenvolvimento da extração de madeiras destinadas à produção de dormentes e à fornalha, além da produção de tijolos e telhas em olarias, produto cuja matéria-prima é farta na região, devido à presença de solo argiloso.

Na década de 40, ocorreu uma nova fase de expansão, com a implantação de chácaras de veraneio para moradores provenientes da Baixada Santista, em busca de áreas de lazer.

Emancipação e crescimento - Em 19 de março de 1953, Ribeirão Pires, possuindo cerca de 15 mil habitantes, foi emancipada de Santo André, o que provocou uma onda especulativa imobiliária. A abertura de loteamentos destituídos de infraestrutura e cuidados urbanísticos teve como resultado a rápida expansão da mancha urbana. Muitos desses lotes não chegaram a alcançar ocupação efetiva. A maior parte dos lotes foi implantada ao longo das várzeas, com dimensão média de 300m², em áreas de topografia favorável.

Em 1963 foi aberta a Rodovia Índio-Tibiriçá (SP-31), via de ligação regional entre a Baixada Santista e o Vale do Paraíba, que passou a se configurar em fator de expansão urbana na medida em que ocasionou melhoria da ligação municipal. Na década de 70, enquanto o desenvolvimento das técnicas construtivas provocava a decadência das olarias, o ABC foi palco de expansão do parque automobilístico, provocando um crescimento urbano desordenado.

Esse desenvolvimento pouco afetou o perfil econômico do município, tendo em vista sua localização até então afastada e a topografia acidentada. Na época, foram instaladas poucas indústrias nas proximidades da rodovia, que tinha como característica a não ligação direta com os pólos industriais da região. Em Ribeirão Pires e proximidades predominava o setor de produção de móveis, alimentos e componentes eletrônicos.

Os efeitos do crescimento regional no município foram sentidos apenas posteriormente, através do aumento da população de trabalhadores das indústrias da região, que passaram a ocupar loteamentos precários implantados anteriormente ao redor do centro histórico, transformando Ribeirão Pires em cidade-dormitório. Esses assentamentos exigiram maiores investimentos públicos em infraestrutura para atender demandas crescentes.

Em 1976 foi aprovada a Lei Estadual de Proteção aos Mananciais, que transformou todo o território municipal em área de interesse para a manutenção dos recursos hídricos necessários ao abastecimento da região metropolitana. Esse instrumento tinha por objetivo garantir a qualidade das águas, através, principalmente, da ocupação pouco intensiva do solo. Com mais exigências legais, houve a desaceleração do crescimento industrial.

Essas mesmas restrições, aliadas à melhoria das condições de acessibilidade do município, resultaram no aumento da taxa de crescimento populacional. Nas décadas de 70 e 80, este crescimento foi superior à média metropolitana.

Nas décadas seguintes, 80 e 90, o sistema de transporte ferroviário foi incrementado com a ampliação do número de composições ao longo do dia. Ao longo dos anos 70 até os 90, foram ocupados imóveis através da autoconstrução, de maneira precária, em áreas mais distantes do centro histórico e em sítios desfavoráveis. Esses lotes passam a se configurar em áreas críticas para a administração pública, seja pela dificuldade de implantação de infraestrutura, seja pela situação de risco.

A Lei de Proteção aos Mananciais passou a exercer papel fundamental na gestão municipal, uma vez que os fatores de desenvolvimento estão necessariamente ligados à apropriação do solo. Em julho de 2011, a Estância se colocou em posição de vanguarda no quesito sustentabilidade, com a aprovação da Lei de Compatibilização do Plano Diretor com a Lei Específica da Billings. A Lei tem por objetivo estabelecer o crescimento econômico com equilíbrio de todo o território em área de proteção aos mananciais.

As regras valem para aproximadamente 70% dos bairros de Ribeirão Pires que se encontram na Bacia da Billings. As principais mudanças para as novas construções estão nos índices de permeabilidade do solo e no tamanho da área construída. Com isso, a partir da lei, ficou estabelecido: o tamanho da construção, o total de pavimentos e o percentual de preservação de cada terreno. Tornou-se permitido o número máximo de cinco andares para os locais onde está liberada a construção de prédios, desde que respeitado o potencial construtivo de cada área.

Base econômica: Industria metalúrgica, de móveis, plásticos, artefatos de cimento, cerâmica e alimentos. Comércio e serviços diversos.

Brasão:

Lei Municipal Nº 143, de 5 de setembro de 1957. Institui o Brasão de Armas do Município de Ribeirão Pires.

- Escudo redondo, partido e cortado, tradicionalmente usado no Brasil.

- No primeiro o vermelho simboliza a luta de todos aqueles que fizeram a Ribeirão Pires de hoje.

- A flor Liz de prata, símbolo de pureza, evoca o seu Santo Padroeiro - São José - e por analogia, a crença religiosa dos munícipes.

- O azul no segundo representa o céu e o clima ameno da Cidade. A cruz de Santo André de ouro lembra o berço onde nasceu Ribeirão Pires; desde a tradicional Vila de Santo André da Borda do Campo, hoje São Bernardo do Campo.

- No terceiro, o verde põe em evidência as terras de cultura da orla municipal, representando ainda a esperança dos munícipes em elevar ainda mais a cidade.

- A faixa prata, em forma de onda, evidencia o tradicional Ribeirão Pires que serpenteia graciosamente dentro do perímetro municipal, e, que emprestando o nome a cidade, dá ao escudo a graça que caracteriza o lendário fio de água.

- A coroa de ouro em cima do escudo é o símbolo universal de emancipação política dos Municípios.

- As chaminés em cor natural que ladeiam o escudo representam o que foi a maior fonte de progresso do Município – as olarias.

- Na listra prata, as datas 1896 e 1953 representam: o ano em que o povoado foi elevado a distrito e o ano em que o distrito foi elevado à categoria de Município, respectivamente.

- A palavra Ribeirão Pires é a própria denominação da cidade, identificando também o escudo.

Brasão:

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