JURA EM PROSA E VERSO

HISTÓRIA DAS CIDADES BRASILEIRAS

HISTÓRIA DA CIDADE DE PETROLINA/PE

Uma homenagem a Petrolina
Pelo Fotógrafo Francisco Lopes Filho
f.lopesfilho@uol.com.br























Em 1841 não era povoada ainda, e chamava-se "Passagem de Juazeiro", porque era nesse ponto que os viajantes de Ouricuri, PE, dos sertões do Piauí e do Ceará, e mesmo de Pernambuco faziam a travessia do Rio São Francisco para o Estado da Bahia no sítio que fica em frente à hoje cidade de Juazeiro, no Estado da Bahia. O capuchinho italiano Frei Henrique, abrindo aí prédicas missionárias, a pedido do então vigário da cidade de Boa Vista, padre Manoel Joaquim da Silva, tratou, em 1858, de erigir uma capela no local. Feita a bênção do local escolhido, assentou-se a primeira pedra de uma igreja cujo patrocínio foi dado à Santa Maria Rainha dos Anjos, e a mesma somente pôde ficar terminada em 1860. Em breve tempo, na região viu-se uma florescente povoação. Por solicitação do vigário local, foi elevada à categoria de freguesia, dando-se à localidade a denominação de Petrolina em homenagem ao monarca - o imperador D. Pedro II - tendo invocação de Santa Maria Rainha dos Anjos, à sede da mesma. Há quem diga também, que no local as água do rio São Francisco descobria, nas épocas de vazante uma "pedra linda" que chamava a atenção pela sua beleza. O conjunto das palavras pedra e linda teria, então, inspirado o nome do pequeno núcleo urbano. O pequeno núcleo tornou-se vila pela lei provincial nº 1444 de 5 de junho de 1879, sendo instalada em 1881 pelo seu primeiro juiz de direito Dr. Manoel Barreto Dantas. Após a Proclamada a República, tornou-se município autônomo em 25 de abril de 1893, sendo seu primeiro Prefeito Manoel Francisco de Souza Júnior. Pela lei estadual nº 130, de 28 de junho de 1895, foi elevada solenemente à categoria de cidade, no dia 25 de setembro do mesmo ano. Afirma-se que a história de Petrolina obedece a dois períodos: antes e após Dom Malan. Italiano, filho de pais franceses, Dom Antonio Maria Malan era dono de um espírito empreendedor e de uma cultura com a fluência do francês, italiano, espanhol, português e do idioma Bororó, que aprendeu durante trabalho de catequese no interior do Estado do MatoGrosso. Dom Malan chegou a Petrolina e escreveu seu nome na história da cidade por ter sido o primeiro bispo a deixar para a posteridade uma obra fundamental e marcante nas áreas religiosa, educacional e de saúde. Foi dele a idéia de construir o Palácio Episcopal, os colégios Dom Bosco e Maria Auxiliadora, além de ter inaugurado o Hospital de Nossa da
Piedade que, atualmente leva o seu nome. Mas foi na construção da Catedral de estilo neo-gótico que o religioso deixou mais viva na memória do povo, o seu exemplo de determinação e fé. Outro nome importante na história de Petrolina e considerado por muita gente como o gigante do São Francisco, profeta e mesmo mágico do Sertão pernambucano, foi Clementino de Souza Coelho - o "seu Quelê" - que devido a sua história, a cidade já foi chamada de Petrolina dos Quelês. Seu Quelê construiu um império econômico com ramificações em praticamente todos os estados nordestino, além de consolidar o sobrenome da família na política nacional. Dos filhos de seu Quelê - Nilo de Souza Coelho - foi um dos maiores nome da história política de Petrolina. Antes de Nilo Coelho, nenhum outro sertanejo se projetou tão alto no cenário político. A sua visão aguçada indicou o caminho das mudanças - caminho das águas, com labirintos de canais de irrigação rasgando o solo seco da região semi-árida. Muitos anos atrás, Nilo Coelho já sabia que era possível mudar o destino de milhares de sertanejos nordestinos. Na época, era impossível antever o futuro da região como um grande exportador de frutas do País. Mas Nilo, como todo grande líder, era um visionário e não sabiam os incrédulos que ele, também, era filho de Petrolina, terra dos impossíveis. A utopia de Nilo Coelho é hoje realidade. As sua idéias serviram para fincar sólidas bases e alavancar um surpreendente progresso para a região do Submédio São Francisco. As áreas irrigadas que hoje cobrem os campos do sertão semi-árido, foram incentivadas por ele quando era governador do Estado de Pernambuco. Hoje, Petrolina é a cidade do interior pernambucano que mais cresce e é um extraordinário pólo produtor de frutas e hortaliças. É também entre os municípios pernambucanos, o que possui a maior extensão territorial , com uma área aproximada de 4.701 km, onde residem cerca de 220 mil habitantes - 76% deles na área urbana. A cidade está localizada do lado esquerdo do rio São Francisco e fica ligada à cidade de Juazeiro, no Estado da Bahia pela ponte Presidente Dutra. É uma cidade moderna e cosmopolita, mas que respeita as tradições e características de seu povo sertanejo , nas danças, artesanato e comidas típicas à base de frutas tropicais, do bode assado e do peixe nobre surubim. A cidade é passagem obrigatória para os grandes centros comerciais, permitindo aos visitantes descobrirem as riquezas naturais deste Oásis do Sertão Nordestino.