JURA EM PROSA E VERSO

HISTORIA DAS CIDADES BRASILEIRAS

HISTÓRIA DA CIDADE DE INHAMBUPE/BA

Bicentenário de Inhambupe - Cidade do patriótico ensino secundário - I Por Wellington da Fonseca Ribeiro * Quarta-feira, 18/01/2006 - 00:11

Inhambupe é uma cidade baiana meridiana por onde passa um bom rio caudaloso, gostoso, nas cheias as suas águas singram velozes, inesquecível ribeiro que tem o mesmo nome do município.

A partir da margem esquerda do Rio Inhambupe, na época chamado de Rio Inhambupe de Cima, desenvolveu-se a catequese indígena promovida pelos jesuítas entre 1572 e 1582.

Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito. Posteriormente, os padres jesuítas estabeleceram um colégio em Água Fria e estimularam o povoamento da região. Tudo começou e prosperou a partir de Água Fria, localidade onde se podia ver e beber de suas águas.

Consta no histórico da cidade, situada a 153 quilômetros de Salvador, que a partir de 1624 uma sesmaria foi concedida a um marechal da Casa da Torre dos Garcia d'Ávila, que erigiu uma igreja sob a invocação do Divino Espírito Santo de Inhambupe. Daí foram surgindo casas em derredor do templo, contribuindo para a formação e evolução da comunidade.

Em 1718, o povoado passou a pertencer à freguesia de Água Fria, vila criada em 1710 e notável pelo Colégio dos Jesuítas. Água Fria, na realidade, transformou-se em água-mãe de Inhambupe. Finalmente Inhambupe ganhou foros de cidade em 6 de agosto de 1806, pela lei estadual nº 134.

A Wikipedia, a enciclopédia livre, registra que o município foi instalado em 1728. Polêmica para Cid Teixeira e Consuelo Pondé sempre em cena dos fatos, atos, registros geográficos e históricos. Aliás, a professora tem a ver com a família inhambupense sempre calma, gozadora, esportiva, exportando bom humor, traço prculiar do inhambupense, pelo msnos na fase transitória do rádio para a televisão no final dos anos 50, início e durante a maravilhosa década de 60, em termos da pílula anticoncepcional, Beatles, Jovem Guarda, tropicalismo, cabelos grandes soltos ao vento, calças desbotadas, cores, "ponha um arco-íris em sua moringa", liberalidade comportamental pelo bom e profícuo choque cultural da época em que os hippies pregavam a paz e a liberdade e as primeiras sondas partiam para o espaço sideral dos EUA e da URSS, rivais potências desse período.

Ao lado disso, a guerra que os Estados Unidos perderam ou melhor no que dá no mesmo, foram derrotados pelos pequenos, amarelos e bravos guerreiros do Vietnã do Norte (Hanói), hoje, se não me engano, Ho Chi Min, em homenagem ao grande líder comunista, uma espécie do que Mao Tse Tung foi para os chineses, que são um terço da população mundial.

Oficialmente, Inhambupe tornou-se município em 6 de agosto de 1806, pela lei estadual nº 134, conforme antes citado. Portanto este é um ano muito especial para a cidade e sua população, vale ressaltar, para todos inhambupenses - nos quais incluo-me - por ter laços com a cidade onde meu pai Hermano Ribeiro, ao lado e sob a supervisão do competente e tarimbado engenheiro público Renato Neves da Rocha, do DNOCS, construiu o serviço de abastecimento de água da cidade - eu menino auxiliando-os como apontador da obra - de 1959 a 1965, ano em que deixamos Inhambupe em direção ao Açude Público de Adustina, hoje cidade desmembrada de Paripiranga, serviço também concluído pelo Departamento Nacional de Obras Contra Secas, o DNOCS, hoje um órgão mais morto do que vivo.

2006 é o ano do bicentenário de Inhambupe como município, o que deve merecer especial atenção da prefeita Simone Nery, da Câmara Municipal, autoridades educacionais e religiosas e de todo o povo bom e simples do nosso Inhambupe iluminado pelo Espírito Santo.

Tem uma população superior a 30 mil habitantes. Atualmente, como acontece com todas as cidades, ocorre expressiva expansão urbana em 1.092 km2, nos quais podemos encontrar boas terras produtoras - 2º produtor baiano de maracujá, 6º de abacaxi, 27º de batata doce e 60º produtor baiano de mandioca. Na pecuária destaca-se o rebanho de eqüinos.

O inhambupense geralmente é bem humorado, entre brincalhão e gozador, orgulhoso, porém, solidário, malicioso, simples, pacífico e inteligente.

Por vota do século XIX, a cidade gozava na Bahia de status urbano relevante, englobando Alagoinhas - Alagodé, desde os anos 60 centro comercial forte, o mais bem equipado dentre os atuais municípios a região.

Inhaumbupe tinha seu coronelato rural e urbano, os poderosos da terra em dinheiro e poder político.

A cidade é conhecida pelas lendas do lobisomem e do poço encantado. Poço encantado existe e não existe e é encantado mesmo a depender do momento que alguém mentalizar um poço encantado, tipo os cenários dos clips de Madonna ou os cenários da Xuxa com seus meninos e meninas. Lobisomem é o homem, segundo a crendice popular, que em certas situações ou ocasiões se transforma em lobo ou outro animal e aí começa a aprontar.

Água Fria, vila criada em 1710, entretanto, é um marco especialíssimo na história dessa cidade baiana. Água Fria teve a sorte de sediar o Colégio dos Jesuítas, melhor educação da época, e isso certametne estimulou a povoação regional. É uma história verde, leve, imaginativa, lendária e sobretudo alegre, literária e folclórica a história do bom Inhambupe da Bahia - terra da competentíssima professora Ivone Maria Neves da Rocha Ferreira, admirada grande mestra de Inglês, Francês, Canto Orfeônico, filha do ilustre servidor público Mário Neves da Rocha - amigo do meu pai Hermano Ribeiro, o "Velho Macho Guerreiro" - e de dona Helena Nogueira Neves da Rocha, 101 anos, irmã do ministro do STF, Adalício Nogueira, ex-presidente do TJ-Ba, sogro de Juracy Junior, deputado conceituado como orador brilhante, inteligente, não muito dentro da ortodoxia social e comportamental da época, que, comparando-se com a de hoje, era muito hipócrita e preconceituosa. Tudo era mais encubado.

Dona Ivone e Socorro Alencar, entre outras, eram as professoras mais admiradas pelos alunos dos cursos primário e secundário - o ginasial anterior ao científico e ao clássico - da Escola Sátiro Dias e do Ginásio Doutor Luiz Coelho, dois centros de educação pública de ótima qualidade, ensino pulsante, palpitante, emocionante, patriótico.

Na Sátiro Dias e no Luiz Coelho aprendi a amar a Bahia - forever o azul, vermelho e branco da nossa bandeira - e o Brasil, rezando e cantando os maravilhosos hinos da Terra Brasilis, pátria querida na vida e depois da morte. Hinos de louvor aos nossos campos, às riquezas naturais que temos, do nosso céu azul, sol brilhante, potência natural, quinto maior país do mundo.

* Wellington da Fonseca Ribeiro é jornalista, professor e bacharel em Direito pela USCal em 1987. É Campoalegrense-Remansense (BA).