JURA EM PROSA E VERSO

CONTOS MISTERIOSOS

O Gato Preto da Meia-Noite

Durante uma noite inteira de inverno, erma e sombria, caminhava eu pelas ruas da cidade sem vida.

O véu negro da escuridão noturna cobria os céus, mas não a lua, que iluminava o caminho.

Pensamentos tristes oprimiam-me o espírito, juntamente com a solidão sepulcral da noite profunda.

O silêncio parecia eterno, quando o ressoar dos sinos chegaram-me aos ouvidos, anunciando a meia-noite.

No mesmo instante, revelou-se ao meu lado o vulto negro de um gato. Enorme, de soleníssima beleza, com pêlo negro brilhante ao luar, veio à mim fazer companhia.

Olhava-me ele com olhos brilhantes, parecendo lançar-me um feitiço, parecendo querer se apossar de meu espírito e de meus sentimentos mais obscuros.

Caminhava ele em passos lentos, como eu. Caminhava ele em imortal solidão. Seguia-me os passos, ele, o lúgubre gato, em uma caminhada incessante, que muito me irritava o espírito só.

Assim, continuei caminhando e, assim, continuou vagando o gato durante horas, como eu. Até certo ponto em que me cansei daquela companhia monótona.

Retirei um canivete que trago comigo no bolso; em seguida, ergui o gato com uma das mãos e cravei-lhe minha arma em seu coração; este caiu morto no chão.

Como eu.