JURA EM PROSA E VERSO

CONTOS MISTERIOSOS

Viagem para Teresópolis

Teresópolis é uma cidade na região serrana do Rio de Janeiro; eu "ficava" com uma menina, chamada Anna, cuja família tinha uma casa lá, dentro da Granja Comari, onde é a concentração da Seleção Brasileira.

A família dela (mãe, pai, irmão e irmã e os respectivos namorados) haviam me convidado para viajar com eles.

A Anna resolveu não ir naquele dia (ela era sempre do contra); mas como a mãe, o irmão e a irmã dela me adoravam, me obrigaram a ir sozinho e esperar por ela lá.

Como adoro viajar, aceitei. A casa não é muito grande, mas tem 2 andares com 2 quartos em cada andar.

Os pais dela e a irmã e o namorado ficaram no 1º andar e o irmão dela, a namorada e eu ficamos no 2º; obviamente eles em um quarto e eu em outro.

O quarto em que fiquei tinha duas camas, uma ao lado da janela (quase embaixo dela) e a outra ao lado da porta do outro lado do quarto.

O teto era um pouco baixo e era MUITO escuro, de tal forma que a noite não se enxergava nada dentro dele.

Resolvi ficar na cama perto da janela, pois dali poderia ver todo o quarto e como tenho a mania de dormir com a porta fechada (de tanto ver vultos passando à noite) e encostado na parede (sempre longe da porta se possível), poderia ver qualquer um que entrasse, tal era a diferença de luz entre a escuridão do quarto e o lado de fora (corredor).

Antes de viajar tive o impulso (quase uma obrigação) de levar uma lanterna, coisa que eu NUNCA fizera antes.

Passamos o dia numa boa e na hora de dormir cada um foi para o seu quarto e eu resolvi pôr a lanterna do meu lado no chão. Testei várias vezes o local exato aonde poria a lanterna, para não precisar ficar tateando a esmo no escuro.

Mais tarde comecei a ouvir ao longe tambores como nos filmes de Tarzã e de repente ouvi um barulho DENTRO do quarto! Rapidamente meti a mão aonde tinha deixado a lanterna e ela NÃO ESTAVA LÁ!

Comecei a tatear freneticamente e então alguém falou comigo:

-Não precisa se preocupar querido, sou eu.

A voz era bastante rouca e tentava imitar a voz da mãe da Anna que sempre me chamou assim.

 Eu pensei: - O que D. Sueli está fazendo aqui? O que o marido dela vai pensar?

Então me lembrei que era IMPOSSÍVEL entrar no quarto sem que eu visse por causa da diferença de luz entre o quarto e o corredor!

Quando me lembrei disso, a lanterna apareceu no lugar aonde deveria estar! Quando iluminei o lugar de onde vinha a voz, não havia nada lá!

Apavorado, voei escada abaixo e fiquei sentado na sala esperando o dia clarear. Ainda bem que a Anna resolveu ir no dia seguinte e tivemos uma noite sem nenhuma "visita".

Mas... Quem teria me visitado? Seria algum antepassado de Anna, daí a voz e o falar parecido com a D. Sueli?