JURA EM PROSA E VERSO

CONTOS MISTERIOSOS

A mal afamada trajetória do Jura Peidão

A NECROSE também é "pura emoção".

Essa é uma história que narra o infortúnio que foi a vida de um pobre mancebo conhecido por Jura Peidão, hoje em dia chamado de Jura em Prosa e Verso. Esse homem, que apesar de sempre procurar agir da melhor maneira possível e procurar fazer o bem ao próximo, sempre foi alvo dos mais sórdidos e desagradáveis caprichos do destino.

Essa história -que é verídica- mostra a todos nós que a vida, citando o filósofo FU MAN CHU, "se resume a grandes pedaços de estrume".

Essa história serve também para aqueles que acham que "a caneta é mais forte que a lâmina". Tudo bem, a caneta é mais forte?...É... É? Então enquanto você escreve um monte de coisas bonitas e sensatas, eu corto a sua jugular com um golpe da minha foice!!!

Jura Peidão começou a deixar a sua "marca negra" nesse mundo antes mesmo de nascer.

No ato da concepção, o pai de Jura Peidão, no auge do ato sexual, começou a gritar o nome de sua amante: Marieta Fim-de-Noite.

É claro que a sua mãe (não a sua, a de você que está lendo, mas a do Jura), ficou muito magoada com o evento, mas como era uma mulher humilde e submissa ao marido, ficou em silêncio, amaldiçoando a futura cria que poderia ser fruto daquele momento.

A merda estava feita!!

No dia de seu nascimento, vários fatos marcaram aquela trágica data.

A mãe do Jura Peidão morreu durante o parto. Ela sofria de uma prisão de ventre que durava 9 meses (terminara exatamente naquele momento).

Jura Peidão nasceu numa pequena cidade do estado do Bahia, chamada Tanquinho (Ex Tanquinho de Feira de Santana) terra do requeijão e da manteiga, terra da fartura pois lá tudo "farta": a água, a comida, a luz e até o ar, numa sexta-feira treze, em agosto.

Reza a lenda que Jura Peidão nasceu pelo pé esquerdo, e que estava rindo quando foi retirado da mãe morta.

É claro que isso não passa de lenda, pois isso seria o suficiente para acusar o menino de "Filho do Tinhoso", ou "Anticristo", ou "Rebento do Capeta"... e atirá-lo ao rio

O menino cresceu forte e sadio, apesar de todas a mazelas que atingiram a família desde a sua chegada.

O irmão mais velho foi atropelado pelo caminhão de leite quando foi pegar o bebê (Jura Peidão com 2 anos) que atravessara a rua sozinho num momento de descuido.

Depois que Jura Peidão (com 8 anos), por maldade, abriu as porteiras da fazenda do patrão de seu pai, durante uma grande enchente, fazendo com que o gado morresse afogado, seu pai nunca mais conseguiu um emprego fixo em uma fazenda.

As irmãs de Jura Peidão se tornaram prostitutas em uma cidade grande depois que seus noivos (rapazes bons e de família) morreram ao cair com a carroça no rio. Dizem as más línguas que os cavalos se assustaram quando Jura Peidão (então com 12 anos) caíra de um pé de manga que ficava na beirada da estrada (Jura não sofrera nenhum arranhão).

O avô materno morrera asfixiado quando Jura Peidão (com 13 anos) retirara de propósito e levara sua máscara de nebulização para escola a fim de mostrar à professora (posso imaginar o pobre velho agonizando com a última gota de ar que tinha em seus pulmões: "d...d...devolve moleque desgraçado!!!").

A amante de seu pai, Marieta Fim-de-Noite, transformou-se em Irmã Beneditina, depois de ver a imagem de Jesus Cristo mexer no altar da Matriz (na verdade, Jura Peidão, então com 15 anos, se escondera atrás da imagem ao fugir do padre após ter deixado as hóstias da missa caírem no galinheiro).

Como o leitor pode ver, o rapaz continha alguma coisa que atraía desgraças à sua família e aos amigos.

O menino cresceu solitário. A única namorada, uma bela moçoila, morreu em virtude de uma febre fulminante que a pegou ao ficar sob uma chuva com Jura Peidão (o guarda-chuva dele emperrou).

O pai de Jura Peidão morreu de alívio (literalmente) quando seu filho decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro ao completar a maior idade. A cidade inteira foi até o ponto do ônibus para ter certeza de que ele iria realmente embora.

Depois de 3 pneus furados e uma égua atropelada; finalmente o ônibus chegou ao Rio de Janeiro.

O rapaz ficou maravilhado com a grandiosidade da cidade, com as praias, as pessoas, os carros, os prédios, as favelas, o lixo...

 Depois de apenas quinze minutos no Rio, foi assaltado. Mas a "estrela negra" de Jura brilhou mais uma vez, quando os pobres delinqüentes fugiam com suas malas, parte de uma obra desmoronou sobre os meliantes, esmagando-os na hora. Jura Peidão pôde assim reaver seus pertences.

Imagine o egrégio leitor: um rapaz humilde, ingênuo, pobre e com um "encosto" deste no caos que é o Rio de Janeiro. Vagou durante horas pelas ruas da "Cidade Maravilhosa" (quem disse isso estava em um avião) até chegar na famigerada Praça 15.

Qualquer pessoa que conheça a Praça 15, sabe que, principalmente a noite, não se trata de um lugar aconselhável para uma reunião de família, muito menos para se formar uma.

 Jura Peidão procurou muito entre Cabarés, Botequins, Boites e "Suadouros", um Hotel para repousar. Existem vários estabelecimentos na região que não podem ser considerados hotéis; não por pessoas de visão curta como nós. São hotéis que prezam amizade sem compromisso, o encargos não são diários, e sim horários. Esses hotéis possuem uma pastoral que prega a relação íntima entre homens e mulheres com mulheres e homens com outros homens, todos de uma vez ou fazendo fila, um atrás do outro...essas coisas!

Jura Peidão, que era muito religioso, escolheu um hotel pelo belo nome Bíblico: "Madalena de Sodoma". Ao adentrar pelo Saguão do Hotel, Jura Peidão levou um choque. Toda a escória da sociedade estava presente ao saguão: prostitutas, traficantes, ladrões, cafetinas, estelionatários, advogados, músicos de Reagge, fanáticos religiosos, despachantes, escritores de contos de terror e políticos. Jura Peidão tentou ignorar aquele ambiente e se dirigiu ao balcão.

Um imigrante coreano, que parecia ser o dono do Mafuá lhe atendeu com um sotaque carregado:

_Pagamento adiantado! Disse o coreano.

_Tudo bem meu bom homem! Onde assino? Jura disse com benevolência.

_Aqui! O coreano que se chamava Li Bo Tei apontou com o dedo na linha pontilhada do grande livro de registros do Hotel Madalena Sodoma.

Mas ao assinar o documento, a "estrela negra" de Jura Peidão fudeu novamente.

Um enxame de políciais civis entraram no "suvaco de cobra" atirando e perguntando depois.

Foi uma balbúrdia, um pandemônio.

Pessoas correndo e gritando por todos os lados, alguns traficantes e advogados revidaram os tiros, a polícia subia as escadas atirando em tudo que se movia, o cacete "descia" sem cerimônia, uma freira que estava no saguão tentando converter algumas das "funcionárias" do hotel levou um tiro de escopeta da nunca.

Cenas de violência e morte por todos os lados. Um traficante teve sua parte inferior da unha perfurada por uma frepa de madeira. Jura Peidão só teve tempo de pular o balcão e se esconder com o coreano.

Não demorou muito para tudo se acalmar. Logo todos foram levados para a delegacia (alguns para o IML), inclusive o pobre Jura Peidão.

Jura Peidão estava desolado. Estava no Rio a apenas algumas horas e já assistira várias cenas de violência explícita. E agora estava a caminho da Delegacia...O que o seu pai diria disso?

 Com certeza diria: "Coitados dos Policiais".

No Distrito Policial, Jura Peidão conheceu um homem que julgava existir apenas nos livros de terror. O Delegado Lobinho Quiquito se aproximou da torpe que chegava e disse:

_Caralha!!! O que esse ralé está fazendo aqui no meu Distrito?

_Doutor Delegado, nós não fizemos nada!! Disse uma das mundanas.

_Lúcio!!! Lúcio!!! Tira esse pessoal daqui!!! Leva todo mundo pra gaiola!!! Afinal? Quem senta na cadeira que gira aqui??? Eu!!!!!

_Mas seu Quiquito!!! Tentou argumentar o coreano dono do Hotel.

_Caceta!!! Cale-se, senão serei Brutal, Bruno Brutal com você!! Vociferou o Delegado.

Jura Peidão assistiu aquilo tudo com muita tristeza. Não quis se meter em mais nenhuma encrenca e foi pacificamente para o xadrez.

Mas o incauto Delegado Lobinho Bananinha (outro apelido) não poderia imaginar que estaria assinando sua sentença.

Assim que Jura Peidão pisou na cela, uma bomba explodiu Delegacia!!! Era uma rebelião de presos (mais uma) que estava sendo preparada a vários meses e que escolheram aquele exato momento para começar.

Vários corpos de policias foram despedaçados com a explosão.

 Na confusão, muitos presos agarraram os guardas e começou o tiroteiro.

Outro inferno começara!!

Pessoas que passavam na rua entraram correndo para dentro da Delegacia para participar da carnificina. Tiros, bombas de gás, cacetetes, mordida na orelha!! Tudo valia.

Algumas viaturas da polícia chegaram e começaram a atirar.

As cenas seguintes ultrapassaram o limite da violência.

O Carandiru perto daquilo que virou o Distrito Policial do Delegado Quiquito, pareceu com uma colônia de férias.

Pilhas de mortos e feridos eram arremessados pelas janelas.

No meio da confusão, Jura Peidão fugiu.

O pobre coreano Li Bo Tei foi confundido com um cadáver e foi defenestrado do 3º andar (agora sim era um cadáver).

O Delegado Baby conseguiu fugir vestido de mulher pela portas dos fundos. Só com a chegada do Esquadrão de Extermínio da Polícia Militar, a rebelião foi contida.

Jura Peidão sabia que todas aquelas desgraças eram frutos de seu "encosto".

Jura Peidão (que recebeu esse apelido depois de matar involuntariamente um homem em um elevador, ao qual ficaram presos juntos), resolvido a dar um basta nessa loucura, cansado de levar desgraça e sofrimento à todos que cruzam seu caminho, resolveu voltar pra Bahia e fazer um site, publicando-o na Internet.

Mudou de nome para Jura em Prosa e Verso (o "P" de Peidão permanece  até hoje), mudou de cara com uma plástica (o cirurgião morreu de câncer) e com a nova cara resolveu levar uma vida incógnita, só editando seu site e também escrevendo histórias imbecis para agradar outros imbecis, como você que acabou de ler.

Que tal? Desculpe a brincadeira. A palavra "imbecil" aí é só gozação, tá?

Há... Há... Há...