JURA EM PROSA E VERSO

Contos eróticos

 Este conto também está em "Pequenos contos e reflexões do Jurandi"

JURA E SUA NORA LUCIANA

Vejam só. A vida, sempre nos traz novidades. As vezes, sem esperar, deparamos com algo que gostamos; não deveríamos gostar, mas naquele momento gostamos. Quem, vai nos condenar? Será que praticamos mesmo um crime ou algo abominável? Será que devemos mesmo enfrentar as consequências? Isso seria justo?

Por favor, leitor do Jura em Prosa e Verso, leia até o fim este conto e só depois responda para si próprio, as indagações acima. Boa leitura.

Jura em Prosa e Verso

 

 

O senhor Jura (aquele que conhecemos como Jura em Prosa e Verso) e sua quase nora Luciana, vibraram com um bruto susto, assim que a porta do quarto abriu e viram Maria chamando por eles.

- Não é o que estás a pensar, Maria -disse Luciana, tentando se justificar, enquanto vestia a calcinha.


- Para Luciana!... não faz sentido dizer nada, eu vi tudo com os meus próprios olhos - disse Maria com a voz embargada e lágrimas nos olhos. - ainda por cima, na casa dos seus pais!!!!

- Vocês não deveriam ter feito isso com o Zé. Luciana, ele te ama muito e não merece isso. -Prosseguiu Maria.


- Eu sinto muito, Ma ( que era como Luciana chamava a Maria, sua melhor amiga). Eu não sei o que deu em mim! Por favor, não fala nada ao Zé. -Disse, angustiadamente triste e tentando prender as lágrimas que martelavam insistentemente a porta dos seus olhos.


O senhor Jura se mantinha calado, ainda não acreditava no que estava acontecendo, era como se estivesse traumatizado, não se movia, seus olhos não pestanejavam, parecia um mudo nato. Limitava-se apenas a ouvir as lamúrias de sua nora e os sermões da Maria.

- E você pai, o que vais me dizer sobre tudo isso que acabei de ver? - perguntou Maria ao senhor Jura.


-  Calma Ma...


- Calma nada - disse Ma  com um tom de voz de revolta e tremenda decepção.

- Vocês têm de contar tudo isso ao Zé ainda hoje, se não eu mesma contarei a ele. O Zé não merece se casar por cima desse mar de falsidade, Luciana, você sabe o quanto ele te ama...

O senhor Jura recuperou-se do trauma momentâneo que lhe tinha atingido sem piedade e dirigiu-se para sala aonde todo mundo estava, como se nada tivesse acontecido.


Depois de mais ou menos cinco minutos, Luciana e Maria entraram pela porta da sala sorrindo serenamente, como se tudo estivesse bem.

-  Oi mor, estava procurando por ti - disse Zé  a sua amada noiva, beijando-a apaixonadamente.


-  Está tudo ótimo, mor - respondeu Luciana, retribuindo o beijo.


Maria olhou-os e em seguida sorriu de mansinho...

A esta altura o condutor do tempo pisoteava fundo o acelerador e o relógio marcava vinte e duas horas e quarenta e cinco minutos. O cenário estava completamente familiar, e todos aparentavam estar felizes.

-  Muito obrigado pela amável forma com que fomos recebidos cá em vossa acolhedora casa, meus compadres - o  senhor Jura fazia o discurso de despedida.


- Não têm que agradecer compadre, a gente agora é uma família, as portas desta casa estarão sempre abertas para vocês. Disse o  pai de Luciana, sorrindo.
- E verdade! - concordou a sua esposa.

Abraços mais abraços e beijos aqui e acolá. Maria abraçou a Luciana e bem no canto da orelha disse-lhe:

- Conta para ele, ele merece saber... Tenha uma ótima noite, Luciana - disse  Maria com um olhar ambíguo.


-Obrigado e igualmente, Maria! - retrucou.

A família de Jura  deixou, enfim, a casa da família de  Luciana.


O Senhor Jura, que estivera ligeiramente bêbado na festa, caiu na real depois do ocorrido e não parava de pensar no que fazer, se contava ou se calava. Em semelhança a Maria, durante todo caminho de regresso a casa, esteve pensando no assunto.

As horas passaram a correr e o dia morreu, mas em contrapartida um novo dia nasceu.

Finalmente, o dia do casamento de Zé e Luciana.

 Um dia que podia vir a ser um dos mais mais felizes; ou talvez um dos mais mais tristes de suas vidas...

Luciana, assim como Jura e Maria, não conseguira pregar os olhos na noite passada.

Na verdade, todos eles não paravam de pensar no que fazer. É certo que eles sabiam o era correto fazer, mas ninguém queria simplesmente aceitar. A solução politicamente correta  seria um desastre, uma catástrofe que despedaçaria por completo todo mundo, e principalmente o Zé e a Luciana.

O relógio marcava onze horas e trinta minutos. Luciana ainda encontrava-se no seu quarto. Luciana sentia como se estivesse sendo estuprada e enxovalhada pelos seus  pensamentos e remorsos.

Em contrapartida, Zé encontrava´-se numa piscina algures, felicíssimo da vida e bastante ansioso com a hora do casamento, a hora de ouvir o padre dizer "declaro-vos marido e mulher" e beijar aquela linda mulher como nunca fez antes.

Jura por sua vez, tentava desesperadamente jogar paciência no computador. Achava ele que deste jeito não pensaria no caso, mas não conseguia se concentrar...

O tempo voou, voou, voou e quando todo mundo deu por si, já era dezesseis horas e vinte e cinco minutos.

Na igreja, na "PARÓQUIA DA CASA DA MÃE JOANA" o cenário estava completamente pronto. Decoração espetacular, flores coloridas, gente bem vestida. No estacionamento havia vários carros novos de todas as marcas conhecidas. 

Estava realmente uma maravilha, tudo exatamente como Luciana sonhara.

Maria já se encontrava na igreja,  angustiada e pensativa, pois por quase um dia se distanciou do seu pai, que até então, além de bom pai, era seu melhor amigo, o Jura.

 

Preocupada com a hora que cada vez mais se aproximava, decidiu enviar uma mensagem para Luciana.


-
" Acho melhor contares agora mesmo senão eu conto", boa tarde! - concluiu.

O tempo não parou e a tão aguardada hora chegou. Todo mundo na igreja expectante, aguardava pela chegada da estimada noiva, Luciana...

ZÉ usava um terno de marca, da cor azul escuro, que ganhou como uma das ofertas de casamento do seu pai,  o senhor JURA, comprado na loja "Saramandaia ". Sapatos de cor azul, bem engraxado, e tinha um corte de cabelo manero. Como se costuma dizer: Zé estava indubitavelmente lindo.

Dez minutos além da hora marcada para o começo da cerimônia, e Luciana não chegava. O ambiente começou a se tornar pesado para Zé, e ele estava notavelmente preocupado. Jura, seu pai, dirigiu-se até a ele a fim de conforta-lo, ato este que chamou a atenção de Maria, que mordia as unhas de ansiedade e desespero.

De repente, lá estava aquela mulher alta de pele negra como a noite, com luar imperial, olhos de pitanga e seios firmes como mamões, entrando na igreja ao som de uma melodia da moda. Luciana estava trajada com um vestido de cor branca e miçangas finas, com um véu enorme e enquanto andava, parecia uma onça desfilando nas passarelas da selva. Luciana estava estrondosamente linda.

Chegou até ao altar acompanhada com seu pai, senhor Marques.


Luciana olhou para Zé e sorriu para ele, e Zé retribuiu o sorriso.

Luciana viajou a igreja com os seus olhos e aterrou exatamente no local aonde se encontrava a futura cunhada e sentiu a tempestade que devastava a  alma da sua melhor amiga, a Maria.

 O silêncio apoderou-se da igreja e todas as atenções estavam direcionadas ao padre, que fazia aquele típico discurso...


E chegou o momento que o padre faz aquelas duas famosas perguntas para os convidados e para os noivos.


- Quem aqui presente sabe de algum motivo que impossibilita estes dois jovens de contraírem o matrimônio, que fale agora ou se cale para sempre. -  disse o Padre com sorriso nos lábios.


Luciana olhou para o Zé, olhou para o senhor Jura o seu sogro, e em seguida olhou fixamente para sua cunhada, e melhor amiga, Maria.


O silêncio reinava como um  imperador. Maria até pensou em desencavilhar a granada, mas não teve coragem, manteve-se calada.

JURA, também lhe passou pela cabeça em contar, mas o medo venceu-o.

Luciana até estava decidida, até alguns segundos atrás, a contar toda verdade, mas em seguida imaginou as consequências e calou-se  com o coração apertado.

E o padre prosseguiu:


-  Luciana dos Anjos Marques, aceita Zé Jura Matumona , como seu esposo, para ama-lo e respeita-lo, na pobreza, na riqueza, na saúde e na doença todos os dias da tua vida, até que a morte os separe?


- Sim, aceito. - Respondeu Luciana, depois de se banhar no rio do silêncio, durante alguns segundos.


Maria olhou para Luciana, já com menos raiva que anteriormente, apenas com apreensão..


- Zé Jura Matumona , aceitas Luciana dos Anjos Marques como sua esposa, para amá-la e respeitá-la, na pobreza, na riqueza, na saúde e na doença todos os dias da tua vida, até que a morte os separe?


- Sim, aceito - respondeu apressadamente, com um sorriso largo nos lábios.


- Pelo poder que a igreja me concede, declarou-vos marido e mulher... O noivo pode beijar a noiva.

Ambos beijaram-se como loucos. E depois de alguns minutos quando quase todo mundo estava nos apertos de mão, e parabéns daqui e parabéns acolá, LUCIANA cai desmaiada bem nos pés de Zé, agora o seu esposo.

Roubando a atenção de todo mundo que ali se encontrava.

A emoção foi demais. Segredos demais.