Hugo Chávez

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Hugo Chávez
Hugo Chávez
Presidente da  Venezuela
Mandato: 2 de fevereiro de 1999
à atualidade
Precedido por: Rafael Caldera
Data de nascimento: 28 de Julho de 1954 (53 anos)
Local de nascimento: Sabaneta, Barinas
Primeira-dama: Nancy Colmenares (div.)
Marisabel Rodríguez (div.)
Partido político: Partido Socialista Unido
Profissão: militar

Hugo Rafael Chávez Frías (Sabaneta, 28 de Julho de 1954) é um político e militar venezuelano. É o 53º e atual presidente da Venezuela.

Dados biográficos

Chávez é o segundo de seis filhos de Hugo de los Reyes Chávez e de Elena Frías de Chávez, ambos professores de carreira. Hugo e o seu irmão mais velho foram viver com a avó paterna Rosa Inés a pedido do pai, ainda durante a infância.

Frequentou a escola primária no Grupo Escolar Julián Pino, em Sabaneta. O ensino secundário foi cursado no Liceu Daniel Florencio O' Leary, na cidade de Barinas. Desde a sua juventude, Chávez é um apreciador de atividades esportivas, em particular do baseball.

Aos dezessete anos, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, graduando-se, em 1975, em Ciências e Artes Militares, ramo de Engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingido o posto de tenente-coronel

Chávez casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com que teve três filhos (Rosa Virginia, María Gabriela e Hugo Rafael) e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha, Rosinés. Além disso, Chávez também manteve uma relação amorosa por cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.

 

Trajetória política

No dia 4 de Fevereiro de 1992, o então tenente-coronel Hugo Chávez, comandando cerca de 300 efetivos, protagonizou um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez, da Acción Democrática (1974-1979 e 1989-1993).

Os partidários de Chávez justificam essa ruptura constitucional como uma reação à crise econômica venezuelana, marcada por inflação e desemprego decorrentes de medidas econômicas adotadas por Pérez, logo após a sua posse face as grave situação econômica que o país estava passando. A Venezuela era um dos poucos países da américa latina que nunca tivera sofrido um golpe de estado.

De fato, violentas manifestações populares já há tempo vinham ocorrendo. A maior delas foi o chamado "Caracazo", uma revolta espontânea[2] motivada pelo aumento do preço das passagens de ônibus, que ocorreu em 27 de fevereiro de 1989, em Caracas.

Durante o "Caracazo", ônibus eram apedrejados e queimados em todo o país, e lojas, supermercados, shopping centers, pequenos comércios, nada escaparia aos saques de uma turbulência em que já não se podia discernir o que eram trabalhadores em protesto ou simples miseráveis famintos. Gangues urbanas se juntaram à confusão para promover vandalismo, roubos e invasões de estabelecimentos".[3]

Embora fracassada, a tentativa de golpe em 1992 serviu para catapultar Hugo Chávez ao cenário nacional.[4], depois de amargar dois anos de cadeia. Após o fim do mandato de Carlos Andrés Pérez, graças a uma amnistia do novo presidente, Rafael Caldera Rodríguez, Chávez abandona a vida militar e passa a se dedicar à política. O agravamento da crise social e o crescente descrédito nas instituições políticas tradicionais o favorecem.[5]

Em 1997, fundou o Movimiento V República (MVR) e, nas eleições presidenciais de 6 de Dezembro de 1998, apoiado por uma coligação de esquerda e centro-esquerda - o Polo Patriótico - organizada em torno do MVR, Chávez foi eleito com 56% dos votos.[5][1]

Assumiu a presidência da Venezuela em 1999, para um mandato inicialmente previsto de cinco anos, pondo fim a quatro décadas de domínio dos chamados partidos tradicionais - Acción Democrática (AD) e Comité de Organización Política Electoral Independiente (COPEI).[6]

Ao tomar posse, em 2 de fevereiro de 1999, decretou a realização de um referendo sobre a convocação de uma nova Assembléia Constituinte.[7] Em 25 de abril de 1999, atendendo ao plebiscito, 70% dos venezuelanos manifestam-se favoráveis[7] à instalação da Constituinte.[7].

Nas eleições para a Constituinte, realizadas em Julho de 1999, os apoiadores de Chávez - a coligação Pólo Patriótico - conquistam 120 dos 131 lugares. A nova constituição foi redigida e, após submetida a plebiscito, é aprovada por 71,21% dos eleitores.[8]

Do ponto de vista da estrutura de poder político, a Constituição da Quinta República (mais tarde denominada República Bolivariana de Venezuela) outorgou maiores poderes ao presidente, ampliando as prerrogativas do executivo em detrimento dos demais poderes. O parlamento torna-se unicameral, com a extinção do Senado.[7] A nova Constituição também aumentou o espaço de intervenção do Estado. Por outro lado, houve avanços no tocante ao reconhecimento de direitos culturais e lingüísticos das comunidades indígenas.[9]

Em razão da nova ordem constitucional, foram realizadas novas eleições presidenciais e legislativas em 30 de Julho de 2000, nas quais Chávez foi reeleito presidente da República, com 59,7% dos votos[7] e o Polo Patriótico conquistou a maioria dos lugares na Assembleia Nacional.

Desempenho presidencial

Hugo Chávez no Fórum Social Mundial 2003. Victor Soares/ABr.
 
Hugo Chávez no Fórum Social Mundial 2003. Victor Soares/ABr.

Em Novembro de 2000 a Assembleia Nacional tinha aprovado a denominada Ley Habilitante, por meio da qual o presidente poderia governar por decreto durante o período de um ano, sem necessitar da Assembleia Nacional para aprovar leis. A medida foi muito criticada alegando-se que os poderes extraordinários concedidos a Chávez seriam ditatoriais.

Entre esse mês e Novembro do ano seguinte, Chávez promulgou um total de 49 decretos. Entre esses encontravam-se a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação do Estado no sector petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de terras latifundiárias. As novas leis estariam na origem de contestação social, oriunda principalmente dos sectores empresariais, mas que em breve se estendeu aos sindicatos[carece de fontes?], aos setores conservadores da Igreja Católica (a Igreja Católica, oficialmente, não endossa nenhum partido político)[10] e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um país comunista.

Entretanto, Chávez dedicou parte do ano de 2001 a uma série de périplos internacionais, visitando Portugal, onde manteve uma audiência com o presidente Jorge Sampaio. Aproveitou ainda para se deslocar à ilha da Madeira, de onde é oriunda uma importante comunidade emigrante residente na Venezuela, tendo sido recebido pelo presidente do governo regional Alberto João Jardim.

 

2001

No dia 10 de Dezembro de 2001, a Federación de Cámaras, de Comercio y Producción (Fedecámaras), que agrupa os sectores empresariais do país, e a Confederación de Trabajadores de Venezuela (CTV, Confederação de Trabalhadores da Venezuela) convocaram uma greve[11] de 12 horas em protesto pelas medidas governamentais. Classificada de sucesso pelos organizadores, a greve não conseguiu no entanto revogar as leis aprovadas.[12]

 

2002

No final de Fevereiro de 2002 Chávez decidiu demitir os gestores da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) e substitui-los por pessoas da sua confiança, o que gerou profundas críticas. Em protesto, e para tentar forçar a saída do presidente, seus opositores se apoderaram do controle sobre os poços de petróleo. A PDVSA controla 95% da produção venezuelana, operando 14.800 poços de petróleo. Metade deles foi paralisada devido à greve dos trabalhadores da empresa. O descontentamento com a liderança de Chávez começa a atingir alguns sectores do exército e antigos apoiantes o abandonam, como Luis Miquilena (um dos fundadores do partido Movimiento V República).

Face aos acontecimentos, a Confederação de Trabalhadores (CTV) decidiu convocar uma nova greve em solidariedade com os gestores e outros trabalhadores afastados da PDVSA. A greve foi convocada para o dia 9 de Abril de 2002 e deveria ter a duração de dois dias, mas acabou por se prolongar.

No dia 11 de Abril um grupo de manifestantes marchou até ao Palácio de Miraflores (o palácio presidencial), para pedir a demissão de Chávez,onde se encontrava uma contra-manifestação de apoio ao presidente. Quinze pessoas acabariam mortas e mais de 100 feridas em resultado de confrontos entre as duas facções. Não é ainda claro quem foram os responsáveis pelos acontecimentos, circulando diferentes versões em torno dos mesmos. Entretanto, em meio ao golpe, Chávez proíbe as televisões privadas[18] de emitirem os confrontos em directo e as altas patentes militares pedem a demissão do presidente

No dia 12 de Abril o general Lucas Rincón, chefe das Forças Armadas, anunciou que Chávez se tinha demitido, tendo o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, assumido a presidência da República  Na meia noite de sábado para domingo Hugo Chávez conseguiu enviar uma mensagem dizendo: ""No he renunciado al poder legítimo que el pueblo me dio. Por siempre Hugo Chávez"."[

Carmona dissolveu a Assembleia, os poderes judiciais e atribuiu-se a si próprio poderes extraordinários. Carmona declarou publicamente que no prazo de um ano se celebrariam novas eleições presidenciais e legislativas. Os eventos geraram levantamentos populares nas ruas de Caracas protagonizados por apoiantes do regime deposto.

Soldados leais a Chávez, reagindo ao acontecimentos, organizam um contra golpe de Estado e retomaram o Palácio de Miraflores.[22] Diosdado Cabello, vice-presidente de Chávez - que tinha permanecido fiel ao regime - assumiu a liderança temporária do país e declarou que: "a ordem Constitucional estava plenamente restabelecida e que as autoridades legítimas exerciam suas funções".

Nas horas seguintes Chávez foi libertado da prisão na ilha de La Orchilae regressa a Caracas - onde foi recebido por uma multidão que gritava : "Chávez, Chávez ..", "Chávez te queremos" - para retomar a chefia do estado

Logo após a reversão do golpe de estado, intentado contra Chávez, a imprensa venezuelana mostrou-se dividida quanto à sua interpretação e às suas conseqüências. Segundo a BBC: a maioria da imprensa demostrou "menosprezo" em relação à tentativa de golpe.[

Vários integrantes do governo dos EUA haviam mantido freqüentes contatos com diversos líderes golpistas, nos meses e, principalmente, nas semanas anteriores ao golpe. Entretanto o governo americano negou, por diversas vezes, que estivesse patrocinando, ou sequer apoiando, qualquer solução não-democrática para a Venezuela: Os Estados Unidos não sabiam que haveria essa tentativa de derrubar ou de tirar de Hugo Chávez do poder, declarou um alto oficial do governo americano (Newsday, 11/24/2004). O governo de Chávez alegou, meses depois do golpe, que os Estados Unidos apoiaram o golpe de estado, afirmando que nos dias do golpe os radares do país detectaram a presença de navios e aviões militares americanos em território venezuelano.

Em 4 de junho de 2002 a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos aprovou uma Declaração Sobre a Democracia Na Venezuela, condenando o golpe de estado ocorrido em 11 de abril daquele ano.[

Em Outubro de 2002 uma nova greve paralisou o país durante 9 semanas.

 

2004

A Coordinadora Democrática (uma coligação de partidos de direita e de esquerda, liderados pela Súmate, ONG contra o governo chavista), organizou no final de Novembro de 2003 uma recolha de assinaturas cujo propósito era convocar uma consulta popular na qual os venezuelanos se pronunciariam sobre a permanência ou não de Hugo Chávez no poder

O referendo teve lugar no dia 15 de Agosto de 2004; 58,25% dos votantes apoiaram a permanência de Chávez na presidência até ao fim do mandato, que ocorreria nos próximos dois anos e meio

A oposição alegou que tinha sido cometida fraude, mas os observadores internacionais presentes durante o processo (entre os quais se encontravam o antigo primeiro-ministro português António Guterres e Jimmy Carter) consideraram que o referendo ocorreu dentro da normalidade e legalidade. A vitória de Chávez foi reconhecida como legítima, com algum atraso, pelos Estados Unidos.

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos aprovou, em 16/12/2002, a Resolução CP/RES. 833 (1349/02), na qual demonstrou preocupação com certas ações da Coordinadora Democrática - inconformada com sua derrota no plebiscito - e a exortou a encontrar uma solução democrática para suas pretensões..

2006

Nas Eleições presidenciais da Venezuela de 2006 Hugo Chávez Frias foi reeleito com 62.9% dos votos, derrotando Manuel Rosales, que teve 36.9%.Pouco depois Chávez anunciou que iria unir os 23 integrantes de sua coalizão em um único partido, o "Partido Socialista Unido da Venezuela", sob seu controle direto, para acelerar a revolução socialista

 

2007

Reconduzido ao poder em 2007, sem oposição no Congresso (a oposição boicotou as últimas eleições legislativas), Chávez ganha em janeiro de 2007 poderes amplos para governar por 18 meses atráves de decretos-lei em 11 áreas do país, através da Lei Habilitante.

Em 2 de dezembro de 2007 a reforma à constituição da Venezuela, proposta por Chávez, foi submetida ao veredicto do Povo da Venezuela, num plebiscito, que foi acompanhado por observadores de 39 países. O Povo teve a opção de aprová-la, votando "Si", ou de rejeitá-la, votando "No".

Após uma agitada campanha, em que cada lado defendeu democraticamente seus pontos de vista, o Povo venezuelano, soberanamente, rejeitou todas as propostas de emendas à constituição da Venezuela, por pouco mais de 50% dos votos, o que confirmou as previsões das últimas pesquisas de opinião feitas por órgãos independentes. O comparecimento às urnas foi de 55,1% e a abstenção de 44,9%.

O presidente Hugo Chávez reconheceu a vitória de seus opositores e os parabenizou publicamente:

"Parabenizo os meus adversários por esta vitória. Com o coração digo a vocês que por horas estive em um dilema. Saí do dilema e já estou tranqüilo, espero que o venezuelanos também".
"Deste momento em diante, vamos manter a calma" (...) "Não há ditadura aqui (...)"

Fedecámaras diz que ganhou a democracia, e conclama todos à reconciliação

"A maior entidade representativa dos empresários venezuelanos cumprimentou a todos os atores que protagonizaram esta 'festa democrática': os estudantes, os partidos políticos, as Forças Armadas Nacionais, o setor oficial, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) os meios de comunicação e o povo venezuelano."[41]

Por outro lado a Fedecámaras condenou aqueles que estão propalando boatos dando conta de que Hugo Chávez tentaria impor ao país as reformas, derrotadas no plebiscito: "Si alguien dijo que hay que oír al pueblo fue el presidente y sabemos que el honrará sus palabras"[

De acordo com o CIA World Factbook, a economia venezuelana tem crescido a taxas recordes desde que o golpe de estado contra Chávez foi derrotado. Seu PIB real, ajustado para a paridade de poder aquisitivo, cresceu 18 % em 2004 - recuperando o crescimento negativo dos anos anteriores - 11 % em 2005 e 9% em 2006, e as estimativas para 2007 variam entre 7 e 8 %.[39] A inflação,[43] que esteve altíssima - atingindo uma taxa pico de 30% a.a. em março de 2004 - recuou para menos de 10% a.a. em março de 2005 e ficou em 13.7% em 2006 (estimada).[39]

De acorodo com a CEPAL o número de venezuelanos abaixo da linha de pobreza caiu de 49.9% em 1999, quando Chávez assumiu, para 37,1% em 2005, e o poder aquisitivo das classes D e E aumentou 150% no período. Isso provocou uma enorme demanda no setor de produtos alimentares, que se vê pressionado e, muitas vezes, é incapaz de atendê-la. Tradicionalmente - desde 1930, quando a Venezuela, ao invés de desvalorizar a moeda para proteger sua agricultura, optou por importar tudo o que consome, usando para isso suas receitas do petróleo - a Venezuela produz muito poucos alimentos.

O petróleo é a maior riqueza da Venezuela, e responde por 90% de suas exportações, 50% de sua arrecadação federal em impostos, e 30% do seu PIB. Os maiores importadores de petróleo venezuelano foram, em 2006, Bermuda 49.5% (paraíso fiscal, presumíveis re-exportações.), Estados Unidos 23.6%, e Antilhas Holandesas 6,9% (paraíso fiscal, presumíveis re-exportações.).[39]

Apesar das riquezas geradas pelo petróleo, 37.9% da população venezuelana ainda vive abaixo da linha de pobreza (final de 2005, est); seu Coeficiente de Gini foi estimado em 49.1 (1998),[39] um resultado que indica uma má distribuição de renda (Dinamarca 0,247). Entretanto, a Venezuela ainda consegue apresentar uma melhor distribuição de renda que o Brasil (0,552 em 2005).

Análise da distribuição de renda 2003 - 2005 nas classe "C", "D" e "E"

De acordo com o estudo Perfil socio-demografico al 2004 apresentado pelo renomado Instituto Datos, numa conferência realizada na Câmara de Comércio Venezuela-Estados Unidos, o grupo "E", que corresponde a 15,1 milhões de venezuelanos da população mais pobre, com renda de até US$ 200 por domicílio, teve sua renda aumentada em 53% entre 2003 e 2004 (33% descontada a inflação).

Segundo o mesmo instituto, em 2005 a renda do extrato "E" da população venezuelana (58% da população da Venezuela), continuou aumentando mais rapidamente que a dos extratos de renda mais alta. A renda da classe "E cresceu mais 32% em termos nominais (cerca de 16% em termos reais) de 2004 para 2005, enquanto que a da classe "D" cresceu 8%, e a da classe "C" cresceu 15% (valores nominais) Referência: Perspectivas de Mercado Consumidor - Perspectivas Venamcham 2006. Instituto Datos, 2006.

Entretanto o segmento "D" (23% da população venezuelana) viu seu padrão de vida declinar entre 2003 e 2005, não tendo sua renda conseguido sequer acompanhar a inflação. O grupo "D" é composto pelos assalariados dos menores salários, um grupo que por um lado não é pobre o bastante para ser incluído nos programas sociais do governo e por outro lado não teve força suficiente para reivindicar melhores salários de seus empregadores. O segmento "C" (15% da população), que representa a classe média baixa, mal conseguiu manter seu poder aquisitivo no período. Referência: ver gráfico Perspectivas de Mercado Consumidor - Perspectivas Venamcham 2006. Instituto Datos, 2006.

Problemas de escassez de gêneros de primeira necessidade

Medidas de fixação de preços têm conduzido o mercado venezuelano de gêneros de primeira necessidade a uma falta de produtos e ao surgimento de um crescente mercado negro. O presidente acusa os próprios empresários do setor de sonegarem produtos alimentares, que na sua grande maioria são importados, para vendê-los mais lucrativamente no mercado negro, prejudicando propositalmente a população. Frequentemente são encontrados "estoques" de produtos escondidos, desviados dos canais normais de distribuição. Segundo alguns analistas, a raiz do problema é o grande aumento da renda da população. Com mais dinheiro circulando na economia, a população consome mais, mas esse aumento da demanda não é acompanhado por um aumento da oferta porque os empresários resistem em investir. Enquanto os partidários de Hugo Chávez acusam os empresários de "estarem escondendo propositadamente o papel higiênico", por outro lado há um certo consenso, entre alguns economistas, de que medidas extremas de fixação de preços (sem que haja a simultânea adoção de cartões de racionamento, como ocorreu na Inglaterra do pós-guerra) levam a verdadeiros desastres de desabastecimento, como ocorreu, por exemplo, no Brasil em décadas passadas, durante o governo Sarney.

O presidente da Confederação das Indústrias admitiu, em entrevista à BBC, que os fazendeiros simplesmente deixaram de ordenhar as vacas, por que essa atividade deixou de ser rentável. O setor industrial afirma que a crise no abastecimento resulta da política de ajuste dos preços da cesta básica determinada pelo governo, que tornaria o mercado produtor pouco rentável.

Os economistas do governo Hugo Chávez argumentam que o desabastecimento tem origem em dois fatores: o aumento da demanda e a “sabotagem” do setor industrial, que teria como objetivo político desgastar o governo do presidente. O ministro de Agricultura, Elias Jaua declarou : “Nós admitimos que há um problema pontual com o leite, mas não há uma escassez generalizada de alimentos”.

Segundo Chávez, os produtos faltam porque os empresários estariam retendo seus estoques, com fins especulativos. Um decreto foi baixado criminalizando essa prática. Periodicamente são realizadas grandes feiras livres, onde são vendidos carregamentos recém-importados dos produtos que estão em falta, a preços baixos.

Problema da falta de leite

O presidente da Confederación Nacional de Ganaderos y Agricultores de Venezuela (Confagan), José Agustín Campos anunciou que a empresa Nestle distribuiu, dia 7 de novembro de 2007, 300 mil quilos (300 toneladas) de leite em pó, para 180 estabelecimentos comerciais dos Distritos da capital, Anzoátegui e Bolívar. Acrescentou que o setor privado está autorizado a importar 63 mil toneladas de leite em pó, das quais 17 mil já chegaram, e 3 mil estão a caminho da Venezuela.

"Queremos assegurar aos venezuelanos que a situação de abastecimento de leite tende a normalizar-se" disse Campos, que conclamou as donas de casa a evitar compras de pânico.[

Hugo Chávez

28/07/1954, Sabaneta, Venezuela.
05/03/2013, Caracas, Venzuela.
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

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Hugo Chávez discursa após nova reeleição

Atualizado 09/04/2013, às 13h20.

Filho de professores, Hugo Rafael Chávez Frias foi criado pela avó paterna. Estudou na cidade de Barinas e era amante dos esportes, em particular do basebol.

Aos 17 anos, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, onde se graduou em 1975 em ciências e artes militares, ramo de engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingido o posto de tenente-coronel.

Casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com que teve três filhos e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha. Manteve ainda uma relação amorosa durante cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.

No dia 4 de fevereiro de 1992, Chávez fracassou em um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Detido, passou dois anos na cadeia. Foi libertado após o afastamento de Pérez, graças a uma anistia do novo presidente Rafael Caldera. Chávez abandonou a vida militar para se dedicar à política.

Em 1997 fundou o Movimento 5ª República. Nas eleições para a presidência, em 1998, Chávez venceu com 56% dos votos, após uma campanha contra os partidos tradicionais e promessas de combater a pobreza e a corrupção.

Logo que tomou posse, em fevereiro de 1999, dissolveu o Congresso e convocou uma Assembléia Nacional Constituinte. A nova Constituição, aprovada por referendo em dezembro do mesmo ano, alterou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, ampliou os poderes do Executivo, permitiu uma maior intervenção do estado na economia, eliminou o Senado e reconheceu os direitos culturais e lingüísticos das comunidades indígenas.

Convocou ainda novas eleições para presidente, em 2000, nas quais Chávez foi releito com 55% dos votos e o Pólo Patriótico conquistou a maioria dos lugares na Assembléia Nacional. Chávez tomou posse a 22 de agosto. Apoiado na Ley Habilitante, ele pode promulgar 49 decretos em um ano, sem necessitar de aprovação da Assembléia Nacional.

Entre estes decretos estavam a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação estatal no setor petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifundiários. As novas leis foram contestadas pelos empresários, sindicatos, Igreja e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um país comunista.

No dia 10 de dezembro de 2001, a Federação de Câmaras, de Comércio e Produção (Fedecámaras), que agrupa os setores empresariais do país, e a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) convocaram uma greve em protesto contra as medidas governamentais, mas não conseguiram revogar as leis aprovadas.

No final de fevereiro de 2002, Chávez substituiu os gestores da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) por pessoas da sua confiança, o que gerou profundas críticas. O descontentamento com a liderança de Chávez começou a atingir alguns setores do exército e antigos companheiros.

A CTV convocou uma greve para o dia 9 de abril de 2002. No dia 11, um grupo de manifestantes marchou até o palácio presidencial para pedir a demissão de Chávez, que se encontrava numa contramanifestação de apoio. Quinze pessoas acabaram mortas e mais de 100 feridas em confrontos. No dia seguinte o general Lucas Rincón, chefe das Forças Armadas, anunciou que Chávez se tinha demitido, tendo o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, assumido a presidência.

Soldados leais a Chávez organizam um contragolpe, tomaram o Palácio de Miraflores e Diosdado Cabello, vice-presidente de Chávez, assumiu a liderança temporária do país. Nas horas seguintes Hugo Chávez foi libertado da prisão na ilha de La Orchila e regressou a Caracas para retomar a chefia do Estado.

Em outubro de 2002 uma nova greve paralisou o país durante nove semanas. A Coordinadora Democrática (uma coligação de partidos contra o governo chavista) pediu que fosse feita uma consulta popular na qual os venezuelanos se pronunciariam sobre a permanência ou não de Chávez no poder. O referendo de 15 de agosto de 2004 mostrou que 58,25% dos votantes apoiavam sua permanência na presidência até o fim do mandato, que ocorreria em dois anos e meio.

Em 2005 a oposição boicotou as eleições parlamentares, acusando as autoridades eleitorais de não serem imparciais. Seguidores de Chávez ocuparam todas as vagas. Em 2006 Chávez conquistou mais um mandato nas urnas, disputado com Manuel Rosales, líder da oposição.

Não satisfeito com as sucessivas reeleições, em 2009 Hugo Chávez conseguiu aprovar a emenda constitucional que permite a reeleição ilimitada para alguns cargos públicos, incluindo o de presidente. O limite estabelecido pela Constituição venezuelana era de 12 anos, ou dois mandatos consecutivos de seis anos cada.

Já em 2010 o presidente viu cair sua popularidade diante de três medidas inusitadas: a desvalorização da moeda local, os planos de racionamento de energia e o cancelamento da transmissão de canais de TV a cabo. Entre as emissoras fechadas estava a Radio Caracas Televisión Internacional (RCTVI), que havia apoiado a tentativa de golpe oito anos atrás.

Finalmente, em 7 de outubro de 2012, ele venceu as eleições presidenciais para um quarto mandato consecutivo, tornando-se o presidente há mais tempo no cargo em toda a América Latina. As eleições dividiram o país: a parcela mais pobre apoiou Chávez, que obteve 54,84% dos votos, enquanto a classe média e empresarial apoiou o rival, o moderado Henrique Capriles, que obteve 44%.

Mas o presidente não conseguiu sequer iniciar seu quarto mandato. Vítima de um câncer na região pélvica, morreu aos 58 anos, no dia 5 de março de 2013, encerrando 14 anos de governo. O legado de Chávez combina avanços na área social e fracasso na economia, além do enfraquecimento das instituições democráticas.

Outra biografia de HUGO CHAVES, acrescentando noticia da sua morte.

Hugo Chávez

28/07/1954, Sabaneta, Venezuela.
05/03/2013, Caracas, Venzuela.
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

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Hugo Chávez discursa após nova reeleição

Atualizado 09/04/2013, às 13h20.

Filho de professores, Hugo Rafael Chávez Frias foi criado pela avó paterna. Estudou na cidade de Barinas e era amante dos esportes, em particular do basebol.

Aos 17 anos, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, onde se graduou em 1975 em ciências e artes militares, ramo de engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingido o posto de tenente-coronel.

Casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com que teve três filhos e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha. Manteve ainda uma relação amorosa durante cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.

No dia 4 de fevereiro de 1992, Chávez fracassou em um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Detido, passou dois anos na cadeia. Foi libertado após o afastamento de Pérez, graças a uma anistia do novo presidente Rafael Caldera. Chávez abandonou a vida militar para se dedicar à política.

Em 1997 fundou o Movimento 5ª República. Nas eleições para a presidência, em 1998, Chávez venceu com 56% dos votos, após uma campanha contra os partidos tradicionais e promessas de combater a pobreza e a corrupção.

Logo que tomou posse, em fevereiro de 1999, dissolveu o Congresso e convocou uma Assembléia Nacional Constituinte. A nova Constituição, aprovada por referendo em dezembro do mesmo ano, alterou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, ampliou os poderes do Executivo, permitiu uma maior intervenção do estado na economia, eliminou o Senado e reconheceu os direitos culturais e lingüísticos das comunidades indígenas.

Convocou ainda novas eleições para presidente, em 2000, nas quais Chávez foi releito com 55% dos votos e o Pólo Patriótico conquistou a maioria dos lugares na Assembléia Nacional. Chávez tomou posse a 22 de agosto. Apoiado na Ley Habilitante, ele pode promulgar 49 decretos em um ano, sem necessitar de aprovação da Assembléia Nacional.

Entre estes decretos estavam a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação estatal no setor petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifundiários. As novas leis foram contestadas pelos empresários, sindicatos, Igreja e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um país comunista.

No dia 10 de dezembro de 2001, a Federação de Câmaras, de Comércio e Produção (Fedecámaras), que agrupa os setores empresariais do país, e a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) convocaram uma greve em protesto contra as medidas governamentais, mas não conseguiram revogar as leis aprovadas.

No final de fevereiro de 2002, Chávez substituiu os gestores da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) por pessoas da sua confiança, o que gerou profundas críticas. O descontentamento com a liderança de Chávez começou a atingir alguns setores do exército e antigos companheiros.

A CTV convocou uma greve para o dia 9 de abril de 2002. No dia 11, um grupo de manifestantes marchou até o palácio presidencial para pedir a demissão de Chávez, que se encontrava numa contramanifestação de apoio. Quinze pessoas acabaram mortas e mais de 100 feridas em confrontos. No dia seguinte o general Lucas Rincón, chefe das Forças Armadas, anunciou que Chávez se tinha demitido, tendo o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, assumido a presidência.

Soldados leais a Chávez organizam um contragolpe, tomaram o Palácio de Miraflores e Diosdado Cabello, vice-presidente de Chávez, assumiu a liderança temporária do país. Nas horas seguintes Hugo Chávez foi libertado da prisão na ilha de La Orchila e regressou a Caracas para retomar a chefia do Estado.

Em outubro de 2002 uma nova greve paralisou o país durante nove semanas. A Coordinadora Democrática (uma coligação de partidos contra o governo chavista) pediu que fosse feita uma consulta popular na qual os venezuelanos se pronunciariam sobre a permanência ou não de Chávez no poder. O referendo de 15 de agosto de 2004 mostrou que 58,25% dos votantes apoiavam sua permanência na presidência até o fim do mandato, que ocorreria em dois anos e meio.

Em 2005 a oposição boicotou as eleições parlamentares, acusando as autoridades eleitorais de não serem imparciais. Seguidores de Chávez ocuparam todas as vagas. Em 2006 Chávez conquistou mais um mandato nas urnas, disputado com Manuel Rosales, líder da oposição.

Não satisfeito com as sucessivas reeleições, em 2009 Hugo Chávez conseguiu aprovar a emenda constitucional que permite a reeleição ilimitada para alguns cargos públicos, incluindo o de presidente. O limite estabelecido pela Constituição venezuelana era de 12 anos, ou dois mandatos consecutivos de seis anos cada.

Já em 2010 o presidente viu cair sua popularidade diante de três medidas inusitadas: a desvalorização da moeda local, os planos de racionamento de energia e o cancelamento da transmissão de canais de TV a cabo. Entre as emissoras fechadas estava a Radio Caracas Televisión Internacional (RCTVI), que havia apoiado a tentativa de golpe oito anos atrás.

Finalmente, em 7 de outubro de 2012, ele venceu as eleições presidenciais para um quarto mandato consecutivo, tornando-se o presidente há mais tempo no cargo em toda a América Latina. As eleições dividiram o país: a parcela mais pobre apoiou Chávez, que obteve 54,84% dos votos, enquanto a classe média e empresarial apoiou o rival, o moderado Henrique Capriles, que obteve 44%.

Mas o presidente não conseguiu sequer iniciar seu quarto mandato. Vítima de um câncer na região pélvica, morreu aos 58 anos, no dia 5 de março de 2013, encerrando 14 anos de governo. O legado de Chávez combina avanços na área social e fracasso na economia, além do enfraquecimento das instituições democráticas.