JURA EM PROSA E VERSO

BIOGRAFIAS DE PESSOAS FAMOSAS

Dalcídio Jurandir


Dalcídio Jurandir, morto em 1979, é considerado o maior romancista de toda a literatura amazônica. É autor de Chove nos Campos de Cachoeira, Marajó, Três Casas e um Rio, Belém do Grão-Pará, Passagem dos Inocentes, Ponte do Galo, Primeira Manhã, Os Habitantes, Chão dos Lobos e Ribanceira, obras que compõem o ciclo Extremo-Norte, e do romance operário Linha do Parque.
Suas obras sempre contaram com uma péssima distribuição nacional, publicações sem autorização e não pagamento de direitos autorais. O escritor foi vítima até das sanguessugas internacionais: atualmente, seu único livro vendido em Portugal é justamente uma edição pirata. As editoras nunca tiveram preocupação com o planejamento de novas edições, por isso, sem nenhum título nas prateleiras, um dos expoentes da segunda fase modernista foi condenado ao ostracismo.

Em 1999, após ler Chove nos Campos de Cachoeira, resolvi dar uma busca pelo nome de Dalcídio Jurandir na internet. Apenas um resultado encontrado, uma picuinha entre comunistas na eleição da ABDE (Associação Brasileira de Escritores), em 1949. Como um autor da importância de Dalcídio Jurandir podia ter apenas seu nome ligado a intrigas? Fiz, então, este web site simples, que ainda está no ar. Hoje, a situação já é outra: existem sites, blogs, notícias e muitas informações sobre sua vida e obra.


Dalcídio virou coqueluche entre os intelectuais após o I Colóquio realizado na Ilha de Marajó, em 2002. Depois disso, muitas teses e dissertações, de diversas partes do Brasil, brotaram nas universidades brasileiras.

Um dos principais responsáveis por essa difusão foi o Dr. Günter Pressler, alemão radicado em Belém. Foi sua a idealização do I Colóquio, sucesso que terá sua segunda versão neste ano, com início no dia 10 de janeiro, data em que Dalcídio completaria 95 anos.

Mais um acontecimento impulsionaria de vez a reedição das obras. Em 2003, Ruy Pereira, sobrinho do escritor, fundou o Instituto Dalcídio Jurandir no Rio de Janeiro, destinado a resguardar e tirar do limbo a grande obra dalcidiana.
Mas hoje as nuvens já estão se dissipando. Ruy Pereira é responsável pela reedição de Belém do Grão Pará, livro outrora só encontrado em Portugal, e também de um livro de testemunhos, lançado em dezembro de 2006.
Podemos comemorar! E esperar a reedição de todos os títulos e incentivar o projeto da comemoração nacional do centenário de seu nascimento, em 2009.

Curiosidade: folheando o último número da revista Nossa História, encontrei o nome de Dalcídio Jurandir em artigo de Moacir Werneck de Castro sobre Rubem Braga. O curioso é que o assunto era o mesmo que me levou a fazer a primeira página sobre ele na internet: a picuinha comunista de 1949. A diferença é que hoje a citação é apenas mais uma, entre tantas informações disponíveis sobre o autor marajoara. //


Chão de Dalcídio
Nasceu em Ponta de Pedras, Ilha do Marajó (PA) - em 10 de janeiro de 1909.
Estuda em Belém até 1927. Em 1928, parte para o Rio de Janeiro, onde trabalha como revisor, na revista Fon-Fon.

Em 1931 retorna para Belém. É nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Escreve para vários jornais e revistas.
Comunista assumido, é preso em 1936. Fica dois meses no cárcere.

Em 1937, consegue ser preso novamente e fica 4 meses retido.
Somente em 1939 retorna ao Marajó, como Inspetor Escolar.

Em 1940, vence o prêmio Dom Casmurro de Literatura, com o romance "Chove nos Campos de Cachoeira".

Esceve para vários veículos e acaba como repórter da "Imprensa Popular", em 1950.

Nos anos seguintes, viaja à União Soviética, Chile e publica o restante de sua obra, inclusive em outros idiomas.

Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor um prêmio pelo conjunto de sua obra - entregue por Jorge Amado.

Em 1979, morre Dalcídio, em 16 de junho.

Em 2001 concorre com demais personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, é realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.

2003 - É fundado o Instituto Dalcídio Jurandir, em parceria com a Casa de Ruy Barbosa, no Rio de Janeiro.

Em 2005 sai Belém do Grão Pará, com cara nova, em edição impecável.

Dezembro de 2006: um livro com introdução biográfica e testemunhos de quem conheceu Dalcídio é lançado no Pará. Aguardamos que chegue no sudeste.

Em 2009 comemora-se o centenário do escritor. Estamos em campanha para que até lá todos os seus livros sejam novamente publicados.




Fontes: Margarida Benincasa; Ruy Pereira; José Varella; O Liberal; Livraria Cejup; Acervo Pessoal.